Os cursos de Educação estão a enfrentar uma crise de atratividade entre os jovens universitários, uma situação que foi agravada pela pandemia. Esta é uma das principais conclusões do estudo da EDULOG, uma iniciativa da Fundação Belmiro de Azevedo, dedicada a investigações científicas na área da Educação.
Orlanda Tavares, coordenadora do estudo e investigadora do CIEC – Instituto de Educação da Universidade do Minho, aponta vários fatores para esta tendência. “Por um lado, na área da Educação tem havido uma fuga de alunos porque está associada à carreira docente, que tem enfrentado e continuará a enfrentar problemas. Por outro lado, muitos estudantes que ingressam nestes cursos não o fazem por ser a sua primeira opção, o que aumenta a tendência para o abandono”, explicou Tavares ao Diário de Notícias.
O estudo revela que a taxa de abandono subiu em todas as áreas científicas durante a pandemia, sendo a mais elevada na área da Educação, atingindo 14%. Este problema agrava ainda mais o já baixo número de diplomados nesta área. As taxas de abandono são mais altas nos institutos politécnicos em comparação com as universidades e são particularmente elevadas nos mestrados de 2.º ciclo e nos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP). As licenciaturas e os mestrados integrados apresentam taxas de abandono mais baixas.
Impacto das Medidas Covid-19
Intitulado “Impacto das Medidas Covid-19 no Acesso e Sucesso no Ensino Superior”, o estudo revela que as mudanças nas políticas de acesso ao ensino superior durante a pandemia tiveram um impacto fraco. A abolição dos exames para aprovação de disciplinas ou conclusão do secundário, servindo apenas para acesso ao ensino superior, não foi suficiente para eliminar as barreiras estruturais que perpetuam as desigualdades entre os alunos. “Foi uma expectativa que não se concretizou”, lamenta Orlanda Tavares, ao observar que não houve um aumento significativo de alunos de grupos tradicionalmente excluídos a ingressar no ensino superior.
O estudo destaca também uma disparidade acentuada nas taxas de transição entre alunos de cursos científico-humanísticos e profissionais. No ano letivo de 2021/2022, 72% dos diplomados de cursos científico-humanísticos ingressaram no ensino superior, enquanto apenas 22% dos diplomados de cursos profissionais o fizeram, apesar da existência de um concurso especial para estudantes provenientes das vias profissionalizantes.
Barreiras Sociais e Económicas
A equipa do EDULOG realizou várias entrevistas com estudantes do 12.º ano, que revelaram uma “baixa autoconfiança nas suas competências académicas” entre os alunos de cursos profissionais. “Os estudantes de cursos profissionais tendem a não prosseguir para o ensino superior. Têm pouca confiança nas suas competências académicas, mas muita confiança nas competências práticas. Querem entrar rapidamente no mercado de trabalho, até porque muitos têm dificuldades financeiras”, justificou Orlanda Tavares. Mais de metade desses alunos têm pais com o 3.º ciclo, no máximo, o que influencia negativamente as suas expectativas e perceção dos benefícios do ensino superior.
A investigadora recomenda a diversificação contínua das vias de acesso ao ensino superior. “Muitos não sabem que têm um regime especial e era importante divulgar isso nas escolas. Contudo, as vias que existem atualmente não dão acesso a todos os cursos e instituições. Se isso mudasse, talvez atraísse mais alunos para o ensino superior, embora tenhamos verificado nas entrevistas que não há muita apetência por parte dos estudantes de cursos profissionais”, concluiu Orlanda Tavares.














