A Utopia

Por Bernardo Corrêa de Barros, Presidente do Turismo de Cascais

O livro é de Thomas More, foi escrito em 1516 (há mais de 500 anos) e, a verdade é que não poderia estar mais actual. Não pela gestão de sociedade em si, mas pelas analogias que facilmente transpomos para os tempos que estamos a viver.

O livro, também conhecido como “Tratado da melhor forma de Governo” relata, pela voz de um navegador Português, uma ilha que em tudo é parecida com Inglaterra, que tem o mesmo número de cidades/condados que Inglaterra e, tal como Inglaterra, também a Utopia tem uma capital perto de um rio. Mas, obviamente, não era Inglaterra. Na Utopia tudo era perfeito.

Nesta obra, relata More, “Os príncipes (não da ilha da Utopia, mas em geral) preocupam-se apenas com a Guerra… desprezam as artes…”, “ocupam-se muito pouco na administração dos estados que têm sobre o seu domínio…”.

Obviamente que em Portugal não é assim. Em Portugal tudo é diferente…

Nos últimos anos tive a felicidade de viajar muito, de conhecer outras culturas e diversos territórios. Gostava, por isso, de vos dar a conhecer uma ilha que visitei recentemente, a Utopia II.

A Utopia II é uma ilha, também ela parecida com um país, em tudo idêntica com o nosso Portugal.

A Utopia II também tem 18 distritos, também tem uma capital cheia de luz banhada por um rio esplendoroso. Esta ilha tinha um governo organizado, coerente, que não estava preocupado com a manutenção de guerras nem com a sua própria manutenção, tinha um governo preocupado com as artes e a cultura, com a prosperidade da economia, com as empresas que dinamizam a economia e também com a sua população.

Na Utopia II, tal como na original Utopia de Thomas More, ainda havia tempo para cursos de aperfeiçoamento cultural, divertimento, concertos, eventos, teatro e leitura. Nestas ilhas, tais actividades eram estimuladas e verdadeiramente apoiadas.

Nesta Ilha que visitei, existiam dois aeroportos em redor da capital, um bem no centro, que constituía um factor diferenciador dos seus mais diretos competidores e, outro, mais afastado, o que fazia da Utopia II um hub para aquela região. Com esta solução resolveu-se o constrangimento aéreo que se fazia sentir no passado. Todo o processo, planeamento, estudos e demais autorizações foram constituídos de forma pacífica e articulada.

Na Utopia II também a gestão da companhia aérea de referência não era uma questão ideológica, aqui, como os governos não estão interessados na manutenção de guerras, esta empresa manteve-se no controle de privados, o que fez com que a empresa pudesse concorrer a fundos europeus e esta empresa manteve-se concorrencial, manteve as rotas, manteve o número de aviões, não teve o povo e os seus trabalhadores de pagar pela ideologia.

Na Utopia II o Governo sabe que quando esta companhia se constipa, a Ilha e consequentemente o Turismo apanha uma pneumonia.

Bem sei que durante a pandemia que estamos a viver muitos fundos europeus foram atribuídos a países e que alguns destes países decidiram dedicar uma parte substancial destes fundos para a gestão do próprio estado… alguns dizem, para garantir a sua própria manutenção, mas na Utopia II não foi assim…

Nesta ilha foi dado um verdadeiro impulso à economia, os fundos chegaram às empresas a tempo e horas, estas por seu lado, conseguiram porque tinham ferramentas para tal, reorganizar-se e adaptar-se, reinventaram-se e prosperaram. Aqui não houve uma crise social em consequência da crise económica.

Na Utopia II parece fácil fazer bem.

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