A tartaruga ganhou à lebre: Fábula económica mostra como a Europa superou os EUA na corrida do emprego

O crescimento do emprego na Zona Euro superou o dos Estados Unidos em todos os trimestres de 2025, revelando uma recuperação mais resiliente do que se poderia esperar.

André Manuel Mendes

O crescimento do emprego na Zona Euro superou o dos Estados Unidos em todos os trimestres de 2025, revelando uma recuperação mais resiliente do que se poderia esperar, segundo análise da Allianz Global Investors (AllianzGI).

A comparação é feita através da famosa fábula de Esopo: a lebre, rápida mas distraída, e a tartaruga, lenta mas persistente. Na economia, os EUA teriam a “agilidade” inicial da lebre, enquanto a área do euro segue o ritmo constante da tartaruga. Apesar da melhoria nos salários em janeiro – potencialmente temporária devido ao clima favorável – a desaceleração do crescimento do emprego nos EUA foi atribuída a vários fatores: políticas monetárias mais apertadas da Federal Reserve, aumento de custos para empresas devido às tarifas comerciais, e controlos migratórios mais rigorosos, que criaram uma estagnação pouco dinâmica no mercado laboral.

Por outro lado, o crescimento do emprego na Zona Euro foi estável e consistente, sustentando o consumo interno e reforçando a confiança no mercado doméstico em comparação com os EUA. Esta tendência reforça a importância da diversificação geográfica nos portefólios de investimento, dado que os principais índices acionistas estão fortemente concentrados em empresas norte-americanas.

A análise da AllianzGI destaca ainda um novo fator de incerteza: o impacto da inteligência artificial (IA) nos mercados de trabalho. Embora nos EUA a liderança no desenvolvimento de Large Language Models e a adoção mais rápida de IA possam criar novas oportunidades de emprego em áreas específicas, há também o risco de substituição de trabalhadores em setores tradicionais, ao mesmo tempo que aumenta a produtividade e ajuda a controlar pressões inflacionárias.

Segundo Sean Shepley, economista sénior da AllianzGI, “a fábula da lebre e da tartaruga lembra-nos que assumir que os líderes iniciais vão continuar a dominar é um erro. Adaptar-se às mudanças pode ser mais importante do que a posição inicial, mas é crucial identificar novas oportunidades e garantir que os investimentos estão diversificados”.

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