A sua televisão sabe mais sobre si do que pensa — e pode estar a observar tudo

Segundo o site ‘Popular Science’, muitas smart TV recolhem dados sobre o que vê, como vê… e até sobre os dispositivos que liga ao televisor. Tudo isso para um objetivo simples: perceber quem é — e vender essa informação

Francisco Laranjeira

A televisão está parada na sala. Não o segue, não fala consigo (na maioria dos casos) e parece inofensiva.

Mas pode estar a observar mais do que pensa.

Segundo o site ‘Popular Science’, muitas smart TV recolhem dados sobre o que vê, como vê… e até sobre os dispositivos que liga ao televisor. Tudo isso para um objetivo simples: perceber quem é — e vender essa informação.

A boa notícia? Há formas de limitar (muito) esse rastreio.

O que a sua televisão sabe sobre si

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Ao contrário do smartphone, a televisão não o acompanha durante o dia. Mas, dentro de casa, tem uma visão privilegiada dos seus hábitos.

– Sabe que séries vê.
– Que apps usa.
– E até que dispositivos liga às portas HDMI.

Segundo o ‘Popular Science’, há dois tipos principais de dados que estão em jogo.

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Por um lado, a informação usada para criar um perfil publicitário — semelhante ao que acontece no Google ou Instagram.

Por outro, algo mais intrusivo.

A tecnologia que “vê” tudo o que está no ecrã

Chama-se ACR — Automatic Content Recognition.

Na prática, significa que a televisão pode analisar tudo o que aparece no ecrã, independentemente da fonte: streaming, canais tradicionais ou até consolas.

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O objetivo? Saber exatamente o que está a ver.

Isso permite recomendações mais precisas… mas também publicidade muito mais direcionada.

É aqui que a linha entre conveniência e privacidade começa a esbater-se.

O truque mais simples (e mais eficaz)

Há uma solução direta — e muitas vezes ignorada.

Desligar o Wi-Fi.

Segundo o ‘Popular Science’, isto reduz drasticamente a quantidade de dados que a televisão envia para as empresas. Claro que limita aplicações como Netflix ou YouTube, mas pode ser útil em momentos específicos — como quando joga offline ou vê conteúdos externos.

Há uma alternativa mais equilibrada: ligar a televisão a uma rede “guest” (de convidados).

Assim, continua online — mas sem acesso ao resto dos dispositivos da casa.

As opções escondidas nas definições

A maioria das televisões já permite desativar parte do rastreio. O problema é que estas opções estão, muitas vezes, escondidas.

Em marcas como LG, Samsung ou Sony, existem definições específicas para desligar:

– recolha de dados de visualização
– publicidade personalizada
– reconhecimento automático de conteúdo (ACR)

Também é possível, em alguns casos, impedir a partilha de dados com terceiros ou redefinir o perfil publicitário criado ao longo do tempo.

Mas há um detalhe importante.

O momento em que aceita tudo… sem dar conta

Muitas destas permissões são pedidas quando liga a televisão pela primeira vez.

E, como acontece com quase todos os dispositivos, a tendência é carregar em “aceitar” sem pensar.

Mesmo depois de desativar essas opções, podem surgir novos pedidos — pequenas janelas que incentivam a voltar a ativar o rastreio.

E basta um clique.

Uma escolha entre conforto e controlo

No fim, a decisão é sua.

Quanto mais dados a televisão recolhe, mais personalizadas serão as recomendações e anúncios.

Mas também mais detalhado será o retrato que alguém pode construir sobre si — dentro da sua própria casa.

E talvez a questão não seja tecnológica.

É saber até onde está disposto a ir… em troca de conveniência.

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