“A situação que o setor da banca enfrenta é muito diferente e muito menos grave do que a da crise financeira de 2008”, afirma especialista

Os últimos dias estão a ser marcados por uma grande turbulência na banca internacional, com destaque para o colapso do Silicon Valley Bank nos EUA e da venda do Credit Suisse ao UBS deste lado do Atlântico. No entanto, será esta situação tão grave como a de 2008?

André Manuel Mendes

Os últimos dias estão a ser marcados por uma grande turbulência na banca internacional, com destaque para o colapso do Silicon Valley Bank nos EUA e da venda do Credit Suisse ao UBS deste lado do Atlântico. No entanto, será esta situação tão grave como a de 2008?

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Ambos os anúncios causaram turbulência nos preços das ações em todo o setor da banca, no entanto, é de sublinhar que os dois bancos encontraram dificuldades por razões muito diferentes.

Por um lado, os problemas do Silicon Valley Bank surgem devido à sua alta exposição a startups tecnológicas, cujos depósitos o banco investiu nas obrigações do Tesouro dos EUA e títulos semelhantes. Assim, quando a Reserva Federal dos EUA (Fed), aumentou acentuadamente as taxas de juro, o valor destes títulos caiu, e com as taxas de juro mais elevadas parou o financiamento e as empresas começaram a retirar os depósitos do SVB.

No caso do Credit Suisse, o preço das ações tem vindo a descer nos últimos dois anos, tanto por falhas de gestão de risco, como pela exposição do banco à Archegos Capital Management, que colapsou em 2021. O plano de recuperação não foi suficiente.

“A banca é realmente um jogo de confiança. Não há nenhum banco no mundo que possa sobreviver se cada um dos depositantes entrar e retirar o seu dinheiro. É aí que a boa regulação e a prudência são cruciais”, diz Justin Bisseker, analista de bancos europeus da gestora de ativos Schroders.

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Bisseker diz que este acordo de venda do Credit Suisse ao UBS veio impedir uma “implusão desordenada” do credor suíço, e que esta situação é positiva para a banca europeia porque não qualquer interpolação para outros bancos.

Por sua vez, Jonathan Harris, Global Credit Investment Director, afirma que “a situação que o setor da banca enfrenta é muito diferente e muito menos grave do que a da crise financeira de 2008. As empresas bancárias são muito mais conservadoras, o capital é várias vezes superior ao que era em 2008, a liquidez é regulada de perto e os bancos centrais estão muito melhor posicionados para responder, dadas as suas experiências desde 2008”.

“No entanto, a confiança foi claramente abalada, pelo que continua a ser importante que todas as autoridades relevantes abordem as fragilidades detetadas no sistema bancário para restaurar essa confiança”, sublinha.

https://executivedigest.sapo.pt/fed-prepara-nova-subida-das-taxas-de-juro-turbulencia-na-banca-nao-abranda-combate-a-inflacao/

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