As imagens reveladas pelo documentário “Zona Interdita”, transmitido há dias na televisão francesa, chegaram a mais de 2,1 milhões de pessoas e não deixaram ninguém indiferente – sobretudo quando mostraram uma série de bonecas sem boca, nariz ou olhos, um sinal de respeito ao islamismo mais rigoroso – filmadas numa loja de brinquedos, situada em Roubaix, um cidade com cerca de 100 mil habitantes, 40 por cento deles da comunidade muçulmana.
Além da loja das bonecas sem rosto, Zona Interdita mostrava ainda um restaurante onde as mulheres comiam separadas dos outros clientes por painéis, escolas corânicas que doutrinam crianças desde os 2 ou 3 anos e ainda raparigas sempre de cabeça tapada por lenços – algo que foi proibido nas escolas públicas em França.
Mas o mal estar provocado por esta denúncia não demorou a ter as suas consequências, já que, dias depois, a apresentador do programa, a antigo modelo Ophélie Meunier, e a jovem advogada e ativista Amine Elbahi, que também apareceu comentar as imagens, foram colocados sob proteção policial após receberem ameaças de morte.
Conhecido como Síndroma de Charlie Hebdo, há, ao que relata o La Vanguardia, um medo crescente no dia a dia em França, e até quem receie outro ataque como o de janeiro de 2015, na sede daquela conhecida revista satírica, em Paris – ou um assassinato como o do professor Samuel Paty, em Outubro de 2020, depois de ter mostrado um desenho animado de Maomé numa aula sobre liberdade de expressão.
É que a proteção policial agora oferecida a quem deu a cara pelo documentário, que denuncia o aumento do islamismo radical no país, não é caso único: ao todo, mais de uma centena de pessoas, incluindo jornalistas, intelectuais, ativistas e até imãs que se opõem ao fundamentalismo, vivem sob escolta. Meunier, de 34 anos, e Elbahi, 25, são apenas as últimas na triste lista.





