O bem-estar emocional e a qualidade do sono continuam a ser desafios significativos para os trabalhadores portugueses, com metade da população em idade ativa a reportar níveis de stress elevados nos últimos seis meses.
É o que revela a segunda edição do Estudo Nacional de Saúde – Estado de Saúde Geral da População Portuguesa, desenvolvido pela Marktest para a Medicare, que analisa as necessidades de saúde da força de trabalho.
Stress e ansiedade no topo das preocupações
Segundo o estudo, cerca de 23,6% da população entre os 18 e os 64 anos considera reduzir o stress e a ansiedade como prioridade de saúde. A prevalência de stress moderado ou elevado atinge 82,6%, com metade dos portugueses a indicar níveis elevados. Além disso, aproximadamente 35% relataram sintomas de saúde mental, incluindo ansiedade, burnout, ataques de pânico ou depressão.
Apesar destes números, a saúde mental continua a ser subvalorizada nos locais de trabalho: cerca de 60% dos portugueses consideram que o tema não é prioritário para os empregadores, valor que sobe para 65,1% na faixa etária entre 45 e 54 anos. Entre os que sentiram necessidade de apoio psicológico, 63% percebem falta de valorização do tema pelas empresas.
“Uma força de trabalho que se sente desvalorizada quanto à sua saúde mental enfrenta maior risco de exaustão, menor produtividade e aumento do absentismo, com impacto direto na economia”, afirma José Almeida Nunes, médico internista.
Cansaço e problemas de sono afetam produtividade
O estudo revela ainda que cansaço e falta de energia são o segundo maior motivo de preocupação entre os portugueses. Cerca de 30% apresentam dificuldades para adormecer, e 55,2% acordam sem se sentir descansados, começando o dia em défice de recuperação, com consequências na capacidade de trabalho e desempenho laboral.
Prevenção em queda
Apesar dos indicadores preocupantes, a utilização de cuidados preventivos regista uma quebra. Apenas 14,8% dos portugueses consultou um médico com regularidade inferior a seis meses em 2025, face aos 19,1% registados anteriormente. Um terço vai ao médico apenas uma vez por ano, enquanto 22,8% só o fazem quando sentem necessidade. Problemas de acesso e a perceção de não necessidade explicam, respetivamente, 27,6% e 66,8% dos casos.
A adoção de uma abordagem reativa à saúde reflete-se também nos exames médicos: 18,2% realizam-nos apenas a cada dois ou três anos, e 13,4% somente quando se sentem mal, evidenciando um padrão que pode comprometer o bem-estar e a produtividade no dia a dia.




