A saúde das plantas também é uma questão económica

Opinião de Ana Paula Cruz Garcia, Subdiretora Geral da DGAV

Executive Digest

Por Ana Paula Cruz Garcia, Subdiretora Geral da DGAV

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A volatilidade dos custos de produção dos alimentos tornou-se uma das principais preocupações económicas dos últimos anos. Alterações climáticas, custos energéticos, conflitos geopolíticos e perturbações nas cadeias de abastecimento são frequentemente apontados como algumas das causas. Existe, porém, um fator menos visível que continua a ganhar relevância e cujo impacto económico tende a ser subestimado: a crescente pressão exercida por pragas e doenças que afetam as plantas.

Este não é apenas um problema agrícola. Trata-se de uma questão com implicações diretas na produção, no comércio, na competitividade dos setores agroalimentares e, em última análise, nos preços pagos pelos consumidores. Estima-se que até 40% das culturas agrícolas globais sejam perdidas anualmente devido a pragas e doenças das plantas, gerando custos significativos para produtores, empresas e mercados.

À medida que as cadeias de abastecimento se tornam mais interligadas e os fluxos internacionais de mercadorias aumentam, também cresce o risco de introdução e disseminação de organismos prejudiciais em novas regiões. A resposta a estas ameaças exige investimentos em monitorização, controlo, erradicação e substituição de culturas afetadas, com impactos económicos e ambientais que se fazem sentir muito para além das explorações agrícolas.

Casos como a bactéria Xylella fastidiosa, responsável por perdas significativas em olivais em Itália, demonstram como uma única ameaça fitossanitária pode afetar setores inteiros de atividade. Para além da redução da produção, surgem custos adicionais para produtores, restrições comerciais, perda de competitividade e impactos nas economias locais, ambientais e sociais dependentes dessas culturas.

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Num contexto económico marcado pela procura de maior resiliência das cadeias de abastecimento e pela necessidade de garantir segurança alimentar, a saúde das plantas assume uma dimensão estratégica. Proteger as plantas não é apenas uma questão ambiental ou agrícola; é também uma questão de gestão de risco económico.

A prevenção é, por isso, um dos investimentos mais inteligentes que pode ser feito. Quanto mais cedo uma ameaça é identificada e prevenida, menores tendem a ser os custos associados à sua propagação. Pelo contrário, a inação ou a deteção tardia podem traduzir-se em prejuízos significativos para produtores, empresas e consumidores.

Também os cidadãos desempenham um papel importante neste processo. Pequenos comportamentos, como respeitar as regras relativas ao transporte de plantas e produtos vegetais ou adquirir plantas através de empresas autorizadas, contribuem para reduzir riscos que, a longo prazo, podem ter impacto em toda a economia agroalimentar.

Num mundo cada vez mais exposto a riscos globais, proteger a saúde das plantas significa proteger a produção, a competitividade, o comércio e a estabilidade dos mercados. Porque, muitas vezes, aquilo que influencia a disponibilidade e o preço dos alimentos começa muito antes de estes chegarem às prateleiras.

 

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