“A Rússia perderá esta corrida armamentista contra a Europa”, garante Tusk

O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, afirmou esta quinta-feira que a Rússia perderá a corrida armamentista contra a Europa, tal como a União Soviética perdeu a corrida armamentista contra o Ocidente há 40 anos.

Pedro Gonçalves
Março 6, 2025
15:13

O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, afirmou esta quinta-feira que a Rússia perderá a corrida armamentista contra a Europa, tal como a União Soviética perdeu a corrida armamentista contra o Ocidente há 40 anos. As declarações foram feitas em Bruxelas, durante uma conversa com jornalistas polacos, antes da reunião especial do Conselho Europeu.

Tusk sublinhou que a guerra na Ucrânia, a mudança na política dos Estados Unidos e o aumento do investimento militar da Rússia representam “novos desafios” para a Europa, exigindo uma resposta coordenada. “Agora é o momento da verdade, em que a Europa deve assumir uma responsabilidade maior pela sua própria segurança”, declarou.

Segundo o chefe do governo polaco, a União Europeia tem capacidade para superar a Rússia em qualquer confronto, seja nos planos financeiro, económico ou militar. “Como comunidade unida, podemos prevalecer. Só temos de começar a acreditar nisso, e hoje isso está a acontecer”, afirmou.

Defesa europeia e a proposta de um “guarda-chuva nuclear”
Questionado sobre a possível criação de um “guarda-chuva nuclear” europeu, uma proposta mencionada pelo presidente francês Emmanuel Macron, Tusk afirmou que essa ideia “não é nova” e que já a tinha ouvido anteriormente do próprio Macron. “Isto precisa de ser explorado. Neste momento, todas as capacidades de defesa de cada Estado devem tornar-se elementos de um todo comum”, sublinhou.

O primeiro-ministro polaco reconheceu que alguns países da UE, nomeadamente a Hungria e a Eslováquia, podem ter uma visão diferente sobre a situação da segurança europeia e o apoio à Ucrânia. No entanto, garantiu que os líderes europeus “procurarão soluções que assegurem o cumprimento dos objetivos estabelecidos, mesmo que a Hungria não contribua para esse fim”. Segundo Tusk, já houve tentativas anteriores de bloqueio por parte de um único país, mas “a falta de vontade de um Estado nunca conseguiu impedir decisões conjuntas”.

Fundo de 150 mil milhões de euros para defesa
Donald Tusk afirmou ainda que um dos resultados concretos esperados da cimeira será a decisão de alocar 150 mil milhões de euros para armamento e segurança, incluindo o financiamento do projeto “Escudo Leste”, destinado a reforçar a fronteira oriental da Polónia face a eventuais ameaças da Rússia e da Bielorrússia.

Entretanto, a UE está a preparar-se para rearmar a Europa e continuar a fornecer armamento à Ucrânia através do programa de empréstimos “ReArm Europe”, que prevê um financiamento total de 800 mil milhões de euros.

A reunião do Conselho Europeu, que decorre em Bruxelas, deverá reforçar a cooperação europeia em matéria de defesa, num contexto de crescente preocupação com a escalada militar russa.

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