A Clara Raposo, Vice-Governadora do Banco de Portugal (BdP), couberam as honras de encerramento da XXVIII Conferência Executive Digest, na Culturgest, em Lisboa, no evento que decorreu esta terça-feira. A responsável começou por apresentar alguns dados recentes sobre o contexto geopolítico e económico do nosso País.
A oradora destacou cinco pontos “positivos de Portugal que nos preparam bem para o que temos pela frente” e salientou as projeções económicas do BdP e BCE e a revisão de março de 2025. Os números de crescimento da área Euro não são brilhantes, no caso de Portugal são melhores e isso é fator que importa salientar. Portugal tem conseguido crescer mais do que a média da área do Euro”, afirmou.
Outro ponto “é a marca distintiva que é a desalavancagem que a economia portuguesa sofreu na última década”. “Quer o Estado, quer as empresas e famílias, reduziram rácios de endividamento, e assim estamos em melhor ponto de partida para atravessar eventuais dificuldades, mudanças, novos investimentos. Dá mais condições, de financiamento, mais estabilidade”, exemplificou Clara Raposo.
Outra mensagem deixada pela Vice-Governadora do BdP é a de que o sistema bancário tem-se transformado nos últimos anos. “Temos números recorde de banca, rendibilidade, qualidade dos ativos, desempenho com muita qualidade do risco de crédito nas carteiras dos bancos e capitalização mais robusta dos bancos. “Estamos a transmitir uma estabilidade de estabilidade financeira, e isto é uma boa base de apoio. É uma marca portuguesa que importa acompanhar”, apontou.
Um fator sublinhado foi a diferença, entre 2005-2022, quanto à formação e educação. Se antes mais de 70% da população tinha formação abaixo do ensino secundário, agora são ‘apenas’40%. “A qualificação já não é tão diferente da realidade da média europeia, mas mais interessante é comparar faixa etária dos 15-39 anos, em que temos uma mudança mais radical, já em linha com a média da UE”. “Esta revolução silenciosa na educação é um fator distintivo de Portugal”, resumiu Clara Raposo.
A oradora de encerramento falou ainda de questões de demografia e comparou estimativas de 2008 que vieram a provar-se erradas e que mostram “que as coisas não estavam a correr tão mal quanto se esperava sobre o ‘inverno demográfico’. Em Portugal, temos níveis de emprego que são recorde na nossa história. Isto significa alguma coisa… entre 2015 e 2024 o valor total de salários pagos disparou 92%”, ilustrou a Vice-Governadora do Bdp.
Seguidamente, a responsável comparou dados dos EUA e zona Euro quanto a crescimento do PIB antes da pandemia e as projeções para 2023-26, crescimento de investimento, orçamento e rácio de dívida pública. “Quando comparamos com os EUA com tanta iniciativa privada, há muita iniciativa privada também a estimular a economia. Mas qual é a sustentabilidade deste crescimento verificado da dívida púbica dos EUA?”, deixou no ar a oradora.
Que caminho para o futuro? Clara Raposo destacou o que não pode faltar para implementar o Plano Draghi: “Qualificação de pessoas e valor acrescentado, trajetória de desalavancagem e estabilidade financeira, poupança, investimento, literacia, risco e rendibilidade, aprofundamento da integração europeia e passar à ação, o fazer”.
Mesmo a encerrar, Clara Raposo recordou três ideias que tinha trazido na Conferência Executive Digest há três anos e concluiu que são adaptadas ao Plano Draghi: o futuro é tentar (a economia da experimentação), o futuro é limpo (a economia ‘verde’) e o futuro é arte (um caminho possível é explorar outro setores de atividade, e também a inteligência artificial.
A XXVIII Conferência Executive Digest conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, Capgemini, Delta Q, Fidelidade, Galp, Lusíadas Saúde, Randstad, MC Sonae, Unilever, Vodafone, e ainda com a parceria da Capital MC, Neurónio Criativo, Sapo. A Sociedade Ponto Verde é o Parceiro de Sustentabilidade do evento.







