A relevância do papel das mulheres na transformação digital

Por Teresa Ribeiro, directora de Marketing na bwd

A diversidade de género nas organizações é, na atualidade, cada vez mais reconhecida como benéfica. Par a par com outras formas de diversidade – racial, cultural, etc. -, o equilíbrio entre homens e mulheres nas organizações é cada vez mais defendido e incentivado. Ainda assim, é muito provável que muitas mulheres não tenham sequer considerado uma carreira na área tecnológica.

A tecnologia,  tão na ordem do dia para as empresas, está em segundo plano na formação, na maioria das vezes. Recordo, quando estudava, o olhar que me lançavam quando dizia que queria trabalhar nas TI, como se vislumbrassem pela primeira vez uma ave rara porque o meu sonho não era trabalhar numa consultora nem para um grande retalhista.  Contribuirá a falta de informação sobre esta realidade na fase académica para o contraste que hoje assistimos e para a falta de motivação ou efectiva empregabilidade das mulheres no sector tecnológico?

Certo é que homens e mulheres ficam a perder com a continuidade de preconceitos e estereótipos. Também as empresas ficam a perder pelo aparente atraso na convergência desta preferência: enquanto as mulheres representam quase metade da força de trabalho mundial, apenas 31% das mulheres trabalha nas tecnologias (Gartner, 2018). Como mulher, deixo aqui o meu testemunho de profissional realizada no sector tecnológico. Acredito que para chegar à igualdade no sector é absolutamente necessário que as mulheres dêem a cara e falem dos desafios que lhes são colocados, mas também das enormes oportunidades de crescimento e da diversidade de funções que podem ser desempenhadas dentro do mesmo.

Programar, por exemplo, não é um requisito para quem quer trabalhar em TI. O único requisito será mesmo aceitar que a tecnologia é um sector a fervilhar e que deixa uma pegada cada vez maior no modo como se trabalha em todas as organizações. Basta pensarmos na quantidade de organizações que aposta cada vez mais em parcerias com empresas com core de TI, em IA (Inteligência Artificial) e que até mesmo compram startups tecnológicas. Mas toda esta tecnologia terá um handicap se não tiver mulheres por detrás dela e for  apenas feita de homens para homens.

Artigos relacionados
Comentários
Loading...