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A próxima semana à lupa: Investidores nervosos a duas semanas das eleições dos EUA

Faltam cerca de duas semanas para a eleição presidencial nos Estados Unidos e os investidores começam a ficar nervosos, como se viu na semana que hoje termina.

Esta será a corrida presidencial mais dramática da história recente e, embora a maioria das sondagens dê a Joe Biden a vitória, os investidores torcem sempre o nariz depois do que aconteceu em 2016 nas últimas eleições.

Esta eleição representa incerteza, e os mercados odeiam incerteza. Portanto, durante a próxima semana antecipamos que a volatilidade diária permaneça elevada e que não diminua até às eleições.

Note-se no entanto, que essa volatilidade é, na nossa opinião, o reflexo do mercado a descontar novas condições do mercado, mais do que a vitória de um ou outro candidato. Historicamente, a volatilidade do mercado aumenta antes das eleições e depois diminuiu. Acreditamos que isso demonstra que as incertezas eleitorais são substituídas por uma visão política mais clara (independentemente do partido político que ganhe), e o mercado normalmente volta a concentrar-se nos fundamentos da economia e nos lucros das empresas. Dado o potencial do resultado eleitoral ser contestado, a volatilidade poderá prolongar-se para lá do normal.

Usando a eleição de 2000 como exemplo, a volatilidade permaneceu elevada e as ações caíram 4,2% até que o Supremo Tribunal decidiu sobre o resultado em meados de Dezembro, data após a qual a volatilidade do mercado (medida pelo Índice de Volatilidade da CBOE) caiu significativamente.

A semana que vem também deverá continuar a ser marcada pelo anúncio de novas restrições e estados de emergência em vários países da Europa, à medida que o número de infeções por covid-19 continua a aumentar. A questão do Brexit também continua em cima da mesa, depois do Reino Unido ter-se mostrado disponível continuar a negociar após o deadline de 15 de Outubro. Os investidores continuam otimistas que se chegue a um acordo entre ambas as partes.

Em termos de calendário macroeconómico, durante a próxima semana teremos dados do mercado imobiliário americano, na terça-feira, vendas a retalho no Canadá e índice de preços do consumidor no Reino Unido e Canadá na quarta-feira, o último debate presidencial entre Biden e Trump, agendado para dia 22 de Outubro (quinta-feira), na Universidade de Nashville; e divulgação dos PMIs de manufatura e de serviços na França, Alemanha, Reino Unidos e Estados Unidos, na sexta-feira.

Novo pacote de estímulos nos EUA marca últimos dias 

Nas últimas 3 semanas, o mercado acionista e as principais moedas valorizaram na esperança de que Democratas e Republicanos chegassem a acordo para um novo pacote de estímulos – antes ou logo após as eleições presidenciais de 3 de Novembro. No entanto, nesta fase, parece cada vez mais improvável.

O presidente da Câmara, Pelosi, já referiu várias vezes que a proposta apresentada por Trump é totalmente inadequada. Enquanto isso, quanto mais tempo demorar a aprovar o pacote, mais difícil será para a recuperação económica continuar.

O grande catalisador por detrás da força do mercado acionista tem sido a antecipação de que outro pacote de estímulos será eventualmente aprovado, apesar das negociações instáveis até agora. A Casa Branca reviu em alta a sua oferta de estímulos fiscais de 1,6 biliões de dólares para 1,8 biliões de dólares, o que preenche parcialmente a lacuna, mas fica ainda aquém do pacote de 2,2 biliões de dólares que a Câmara já aprovou. Acreditamos é provável a aprovação de um acordo para obter mais alívio fiscal, mesmo que seja só após as eleições, já que ambos os partidos concordam com a necessidade de aumentar as despesas para compensar o impacto da pandemia nas rendas nos rendimentos dos americanos e em alguns setores.

No mercado de forex, a maior vítima esta semana foi o Aussie que foi atingido de novos cortes nas taxas, depois do governador do RBA, Lowe, ter afirmado que era razoável esperar maior flexibilização na política monetária. Os mercados começaram rapidamente a incorporar um possível corte nas taxas de 0,1% e o Aussie caiu mais de 1%, atingindo valores perto dos 0,7050. A notícia mostra a forma profunda como a economia australiana foi afetada pelo coronavírus, já que o turismo e as atividades comerciais, bem como a deterioração das relações com a China, afetaram o crescimento.

Esta semana ficámos a conhecer os dados da inflação referentes ao mês de Setembro que saíram em linha com o esperado nos 0,2%, reforçando assim a visão da Fed de manter as taxas de juro baixas durante pelo menos os próximos 3 anos. Os pedidos semanais de desemprego voltaram a subir, interrompendo a tendência de queda que se verificou em Setembro, e as vendas a retalho superaram as expectativas.

*Nuno Mello, Analista XTB

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