Há quase mil milhões de pessoas sem acesso à eletricidade a nível mundial, segundo avançou o think tank IIASA (Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados), que publicou um estudo na revista científica ‘Nature’ sobre as desigualdades no planeta. Assim, através de um novo método para mapear as regiões de maior pobreza, utilizando imagens noturnas de satélite, foi possível perceber-se que a baixa incidência das luzes nessas imagens é um indicativo de que o local em questão pode não ter infraestrutura necessária para garantir a saúde e bem-estar das pessoas.
Tradicionalmente, as fotografias em que há muita luz à noite indicam países ou regiões mais desenvolvidos. Este é a primeira vez que um estudo utiliza fotos de satélite da Terra dessa forma. Até então, os investigadores utilizavam apenas as regiões com muita luz como referência para encontrar os locais onde há infraestruturas abundantes.
Assim, através das imagens captadas de satélite como base, os investigadores combinaram as informações que já possuíam com dados da Pesquisa de Demografia e Saúde Mundial (DHS) de países em África, Ásia e Américas, que coloca as famílias numa escala contínua de riqueza relativa, do mais pobre ao mais rico. Juntando as duas bases de informações, perceberam que 19% do assentamento mundial (ou seja, onde os humanos estão presentes) não possuem qualquer tipo de luz artificial. “Conseguimos mapear e prever a classe de riqueza de cerca de 2,4 milhões de famílias em 49 países [da África, Ásia e Américas] usando imagens de satélite de luz noturna com uma precisão geral de 87%”, afirma Ian McCallum, que liderou o estudo.
Os números aumentam quando concentrados em regiões específicas: 39% desses locais onde os humanos estão presentes, mas sem luz artificial, estão concentrados na África, e 23% em países asiáticos. Os resultados seguem os índices das Nações Unidas, que indicam que 300 milhões de pessoas na África Subsaariana ainda estarão a viver em condições de extrema pobreza até 2030. E esse número pode aumentar em até 115 milhões devido aos efeitos da pandemia da Covid-19.
No mesmo estudo, foi observado que certas regiões da Europa também apresentaram áreas sem iluminação. No entanto, segundo o investigador, os motivos são diferentes dos encontrados em países não desenvolvidos: ele atribui a falta de luz artificial à noite ao uso consciente de energia elétrica por parte da população e Governo.
Para a líder do IIASA, Shonali Pachauri, a vantagem do novo método proposto é que pode a longo prazo “providenciar oportunidades para acompanharmos o progresso do bem-estar da população”. “Também pode ajudar a adquirir informações da política de energia em todo o mundo, ajudando a chegarmos nas áreas rurais pobres. Além disso, também pode ser útil para detetar sinais de gerenciamento sustentável da luz no mundo desenvolvido”, afirmou.













