“A partir de amanhã, a Finlândia torna-se oficialmente um país da Nato”, anuncia Stoltenberg

París torna-se o 31 Estado-membro da Aliança Atlântica.

Pedro Gonçalves
Abril 3, 2023
12:11

A Finlândia passará a integrar a Nato já a partir de amanhã, segundo revelou esta segunda-feira o líder da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg.

“A partir de amanhã, a Finlândia torna-se membro da Nato”, afirmou o responsável em conferência de imprensa, adiantando que a adesão da Suécia à Aliança “ainda vai demorar mais um pouco”.

“São tempos históricos. Amanhã vamos hastear a bandeira da Finlândia na sede da Nato, em Bruxelas. Este momento histórico vai reforçar a segurança, tanto da Aliança, como da Finlândia”, disse Stoltenberg.

Desta forma, a partir de terça-feira, a Finlândia passará a ser “membro em planas funções” da Nato, tornando-se o 31º país a juntar-se à Aliança, depois de a Turquia ter sido o último membro da dar a ‘luz verde’ à candidatura finlandesa.

Esta terça-feira, data em que se assinala o 74.º aniversário da Nato, irá decorrer também uma cerimónia de hastear da bandeira finlandesa na sede da Nato em Bruxelas. “É um grande dia para a Aliança”, sustentou Stoltenberg.

O Presidente da Finlândia, Sauli Niinistoö vai viajar para Bruxelas, capital da Bélgica, para assistir à cerimónia de assinatura do documento de adesão. A formalização da adesão do país nórdico vai decorrer antes da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos estados-membros da NATO.

O anúncio oficial surge depois de, nas eleições deste fim de semana, os eleitores finlandeses terem dado a vitória aos partidos de direita, impedindo a primeira-ministra Sana Marin de cumprir novo mandato à frente dos destinos do Governo do país. Maris foi uma das fortes defensoras da adesão da Finlândia à Nato.

Recorde-se que o processo de adesão foi concluído com a ratificação oficial dada pelo parlamento turco, na semana passada, à candidatura finlandesa. Era o último aval que faltava de entre os membros da Nato.

A Finlândia e a Suécia apresentaram uma candidatura conjunta à Nato, após a invasão da Rússia à Ucrânia. Os dois países nórdicos puseram assim fim a uma posição história de neutralidade e procuraram juntar-se à Aliança Atlântica.

A Turquia e a Hungria foram apresentando vários obstáculos à adesão dos dois países, mas acabaram por ceder no que respeita à Finlândia.

Quanto à Suécia, a Turquia continua a exigir garantias de aplicação de novas diretrizes antiterroristas, acusando o país de proteger “terroristas” por recusar extraditar curdos e exigindo uma posição mais dura com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

Stoltenberg garantiu que não tem dúvidas de que, muito em breve, a Suécia se vai juntar à Aliança Atlântica.

“A Suécia não esta sozinha. Esta mais perto do que nunca de ser um membro da Nato de pleno direito”, assegurou o secretário-geral da Aliança.

Ainda, Stoltenberg recordou que Putin “queria menos Nato” e que, com a adesão da Finlândia concluída, está a ter “precisamente o contrário disso”.

Rússia já reagiu
Após o anúncio, a Rússia não tardou a reagir e adiantou que vai reforçar a sua capacidade bélica junto às fronteiras com a Finlândia.

Segundo o vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Alexander Grushko, a Rússia já está a planear robustecer a capacidade de guerra disponível nas regiões oeste e noroeste, onde faz fronteira com a Finlândia, em resposta à entrada do país na Aliança Atlântica.

A garantia foi deixada pelo governante russo em entrevista à Ria Novosti, naquela que foi a primeira reação oficial da Rússia.

“Na eventualidade de forças, equipamentos e outros membros da Nato sejam ativados na Finlândia, iremos tomar medidas adicionais para garantira segurança militar da Rússia”, garantiu Grushko.

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