“A pandemia revelou-se um motor poderoso do progresso científico”, diz Diretor-Geral da LEO Pharma Portugal e Espanha

A LEO Pharma, com mais de 100 anos de história, tem a sua sede na Dinamarca e conta com produtos comercializados em mais de 130 países.

O objetivo da LEO Pharma é fazer parte do top cinco de empresas líderes mundiais em Dermatologia. Em Portugal, alcançou uma faturação de 20 milhões em 2020, o que significa um crescimento de mais 10% face ao ano anterior. Em entrevista à Executive Digest, Nuno Brás, Diretor-Geral da LEO Pharma Portugal e Espanha, explica a estratégia da empresa para os próximos anos.

Qual a sua principal missão como novo Diretor-Geral?

Assumi o cargo de Diretor-Geral da LEO Pharma Ibéria, no início de 2020, consciente da importância e potencial deste mercado para o Grupo e para região Europa+, que engloba a Europa, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, e com o propósito de consolidar a história de sucesso de Portugal e Espanha e dar início à Estratégia 2030. Baseada em crescimento e inovação, a Estratégia 2030 passa por ajudar a transformar a LEO Pharma numa empresa farmacêutica líder em medicamentos inovadores que ajudem as pessoas com doenças de pele. Pretendo contribuir com a minha experiência e conhecimento desenvolver este plano estratégico, manter a colaboração e cooperação ibéricas e potenciar a I&D, o que se reflete numa maior proximidade com o doente, com os médicos e com as sociedades científicas.

Qual o plano estratégico da empresa para os próximos anos no nosso país?

A nossa Estratégia 2030 é uma estratégia de crescimento, baseado num sólido pipeline e simultaneamente em crescimento inorgânico, através da aquisição de outros ativos que complementem as nossas soluções. Vai permitir-nos disponibilizar tratamentos cada vez melhores e mais relevantes para os nossos doentes, cobrindo todo o espectro de gravidade em Dermatologia e doenças raras da pele e consolidar o nosso negócio na área da Trombose. O objetivo da LEO Pharma é fazer parte do top 5 de empresas líderes mundiais em Dermatologia. Para isso, será necessário um crescimento superior ao do mercado nos próximos 8 anos, sempre na casa dos dois dígitos, e continuar a investir em inovação para lançar um novo produto de referência a cada dois ou três anos e aumentar a nossa presença em mercados-chave. Para a Estratégia 2030 serão essenciais o investimento em inovação e a colaboração com terceiros.

Quais os principais desafios para a concretização desse plano estratégico?

O maior desafio serão sempre os nossos doentes e as suas necessidades diárias às quais precisamos de dar resposta urgente com soluções inovadoras que melhorem a qualidade de vida. Por outro lado, a constante dinâmica do próprio sector farmacêutico e a recuperação pós-pandemia, já que o impacto económico e social terá reflexos no negócio. Contudo, a LEO Pharma tem o plano traçado e mantém o forte compromisso com a I&D de novos medicamentos e terapêuticas e com a garantia de que estes chegam a quem deles mais precisa.

E obstáculos?

A LEO Pharma, com mais de 100 anos de história e tendo a sua sede na Dinamarca, é uma empresa bem consolidada a nível europeu. Atualmente, está presente em mais de 60 países e conta com produtos comercializados em mais de 130 países. Neste momento, e como parte da Estratégia 2030, pretende alargar a sua presença noutros mercados-chave, como é o caso dos Estados Unidos, o maior mercado farmacêutico do mundo. Estamos conscientes da competitividade deste mercado, mas também confiantes de que, para já, com o medicamento biológico inovador para o tratamento de adultos com dermatite atópica de moderada a grave iremos conseguir fazer crescer a presença da LEO Pharma neste e noutros mercados de relevo.

Como analisa a atividade da empresa em Portugal?

A LEO Pharma iniciou a sua atividade em Portugal há quase 25 anos e com a missão de nos colocarmos na pele das pessoas que vivem com doenças de pele. Ao longo deste percurso em Portugal, experienciámos uma profunda transformação do sector farmacêutico e da investigação em Dermatologia médica, da qual a LEO Pharma tem feito ativamente parte. Desde a nossa entrada em Portugal que procurámos potenciar o trabalho em equipa, reconhecer o talento e promover a criação de soluções inovadoras. Em Portugal, a LEO Pharma tem tido um percurso muito interessante no que diz respeito ao apoio e criação de sinergias com sociedades científicas, associações de doentes e instituições do sector da Saúde e outros. Tudo isto nos tem permitido manter um crescimento sólido e alcançar uma faturação de 20 milhões em 2020, o que significa um crescimento de mais 10% face ao ano anterior. Estes resultados motivam-nos a olhar para o futuro com consciência, determinação e confiança de que o que fazemos permite melhorar a qualidade de vida dos doentes em Portugal.

A pandemia veio atribuir uma importância acrescida à investigação e ao desenvolvimento?

A pandemia veio acelerar o progresso científico e comprovar a importância da cooperação a este nível, assim como a necessidade de um investimento crescente nesta área. É fundamental integrar a I&D, investindo em soluções para sistemas de saúde resilientes, eficientes e inclusivos. Na LEO Pharma, as nossas unidades de negócio focaram-se, desde o primeiro instante, em colocar o nosso compromisso, o conhecimento e a informação ao serviço da sociedade, mantendo intacta a nossa aposta na I&D e na procura de soluções para melhorar a qualidade de vida das pessoas com doenças de pele, ao mesmo tempo que continuámos a apoiar sociedades científicas e grupos de investigação. Neste âmbito, a LEO Pharma contribuiu com o desenvolvimento de dois estudos sobre Trombose e COVID-19. Em 2020, em plena crise pandémica, a LEO Pharma Portugal investiu meio milhão de euros em I&D e a LEO Pharma Ibéria cerca de 2,5 milhões de euros. Em termos globais, 21% da faturação atual da LEO Pharma é dedicada a I&D de novas terapêuticas que melhoram a qualidade de vida dos doentes com problemas dermatológicos.

No meio desta crise é possível encontrar algumas oportunidades? Quais?

A pandemia revelou-se um motor muito poderoso do progresso científico. A rapidez com que se desenvolveu, produziu e colocaram no mercado soluções para o combate à pandemia, a par de soluções para outras patologias cuja investigação não parou, só foi possível dada a forte cooperação entre a comunidade científica, a indústria farmacêutica e os diferentes atores, o que se revela a chave do sucesso para o futuro. A necessidade urgente do recurso à tecnologia em Saúde e à recolha e utilização segura de dados abrem igualmente muitas novas oportunidades por explorar.

A LEO Pharma fechou o ano passado com vendas líquidas de cerca de 1.358 milhões de euros, o que representou menos 6% em relação ao ano anterior. Quais as perspetivas para 2021 e também 2022?

A LEO Pharma encontra-se num momento crucial do seu percurso estratégico. Baseados na nossa Estratégia 2030, pretendemos manter a aposta da LEO Pharma em I&D+i como um pilar estratégico e dar continuidade à tendência ascendente de crescimento da empresa. O objetivo é reforçar ainda mais o nosso posicionamento em Dermatologia médica, tornando-nos líderes mundiais nesta área e cobrir todo o espectro de gravidade de doenças como a psoríase e a dermatite atópica, além de consolidar o negócio da trombose. Tudo isto com o lançamento periódico de produtos de referência a cada dois ou três anos e com o desafio de ajudar 125 milhões de doentes em todo o mundo. O próximo lançamento da LEO Pharma será o do tratamento biológico inovador para doentes adultos com dermatite atópica moderada a grave, uma nova opção terapêutica para esta que é a doença inflamatória da pele mais comum e que se estima que afete cerca de 4,4% da população europeia e milhões de pessoas em todo o mundo. Para Portugal, continuaremos a trabalhar no sentido de captar mais investigação clínica, através de ensaios clínicos, e reforçar o posicionamento do País como um decisor de relevo no seio da companhia. O objetivo da LEO Pharma para 2021 é aumentar a faturação em 15%, ou seja, cerca de 23 milhões de euros.

Quais os produtos que mais cresceram e diminuíram? E porquê?

O ano de 2020 foi um ano muito desafiante e com muitas alterações no mercado, pelo que os resultados finais foram muito condicionados principalmente por três fatores: o impacto dos bloqueios causados pela pandemia, o mercado de genéricos na Europa e o aumento da pressão sobre os preços nos EUA. Apesar do impacto da COVID-19, conseguimos recuperar as nossas vendas líquidas e crescer com determinados produtos estratégicos, onde ganhámos quota de mercado. Todas as áreas terapêuticas permaneceram estáveis e, no caso de tratamentos para eczema e infeções cutâneas, cresceram 1% face ao ano anterior.

De acordo com informações divulgadas pela farmacêutica em 2020 mais de noventa milhões de pessoas em todo o mundo beneficiaram dos vossos tratamentos. A que atribui a obtenção destes resultados?

Estimamos que, em 2020, mais de 92 milhões de pessoas em todo o mundo beneficiaram dos tratamentos da LEO Pharma e o nosso objetivo é alcançar os 125 milhões de doentes dentro de cinco anos. A LEO Pharma é a única empresa que cobre todo o espectro de gravidade de doenças de pele. Desde doenças de elevada prevalência a doenças raras, de moderadas a graves, de medicamentos a aplicações, passando por outros tipos de inovação e soluções. É este nosso selo diferencial que faz com que façamos a verdadeira diferença na vida das pessoas com doenças de pele. Atualmente, somos uma referência para os dermatologistas e, por essa razão, temos conseguido chegar a tantos doentes.

Na sua opinião, como será o futuro da sua indústria?

Caminhamos para um mundo de cidadãos mais informados, com acesso a novas tecnologias e que exigirão, cada vez mais, mais e melhor acesso a cuidados de saúde. Considero que a Indústria Farmacêutica está consciente destes desafios e da necessidade de investir em inovação que verdadeiramente aporte valor para o doente, que continuará a assegurar o fornecimento de medicamentos e produtos de saúde, protegendo os cidadãos, e fortemente motivada em contribuir para a competitividade do País. Além disso, as empresas da Indústria Farmacêutica estão cada vez mais comprometidas económica, social e ambientalmente e as relações de parceria e colaboração serão essenciais para a criação de valor. No que diz respeito à LEO Pharma, posso assegurar que continuaremos a trabalhar com o maior foco nos doentes, a privilegiar a I&D e soluções cada vez mais inovadoras para dar resposta a necessidades ainda não atendidas e cada vez mais comprometida económica, social e ambientalmente.

Considera que a saúde terá um papel crucial na edificação de uma nova Europa?

A Saúde, o bem-estar e a qualidade de vida têm uma relação direta com o bom funcionamento de todos os sectores da sociedade. A pandemia abalou profundamente a Europa e o mundo, pondo à prova os sistemas de saúde e económico, a forma como a nossa sociedade se organiza, bem como o nosso modo de vida e de trabalho conjunto. A pandemia veio reforçar a importância de um ecossistema de I&D que funcione bem e como a Indústria Farmacêutica é essencial e um sector estratégico para promover esta recuperação, impulsionando o progresso médico e científico através da inovação e da I&D de novos medicamentos e terapêuticas para garantir que estes chegam a quem deles mais precisa.

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