O preço eficiente do gasóleo simples ultrapassou a barreira dos dois euros por litro, refletindo uma forte subida das cotações internacionais dos combustíveis refinados. Para a semana de 20 a 26 de julho, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) aponta para um valor de 2,009 euros por litro no gasóleo e de 1,986 euros na gasolina 95 simples.
Os cálculos constam do mais recente relatório semanal da ERSE sobre o mercado dos combustíveis e representam aumentos de 6% no gasóleo e de 2,5% na gasolina relativamente à semana anterior.
A subida acontece apesar de o Governo ter voltado a reforçar a redução temporária do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos, numa tentativa de amortecer o impacto da volatilidade dos mercados internacionais no preço final pago pelos consumidores.
Antes de impostos, o preço eficiente calculado pelo regulador situa-se em 1,159 euros por litro no gasóleo simples e em 1,004 euros na gasolina 95 simples. Depois de acrescentados o ISP, a taxa de carbono e o IVA, os valores sobem para 2,009 euros e 1,986 euros, respetivamente.
A ERSE salienta, no entanto, que estes valores não constituem preços regulados, máximos ou recomendados. O preço eficiente é apenas um referencial que procura refletir os principais custos associados à colocação dos combustíveis nos postos de abastecimento, uma vez que cada operador continua a definir livremente os seus preços de venda ao público.
Gasóleo dispara 14,2% nos mercados internacionais
A principal explicação para o agravamento dos preços encontra-se nos mercados internacionais dos produtos já refinados. Na semana analisada, a cotação internacional da gasolina 95 simples aumentou 6,6%, enquanto a do gasóleo simples disparou 14,2%.
É esta evolução, e não apenas o preço do barril de petróleo bruto, que tem uma relação mais direta com o valor dos combustíveis vendidos nos postos de abastecimento.
O petróleo é a matéria-prima a partir da qual são produzidos a gasolina e o gasóleo, mas as oscilações da sua cotação não se transmitem de forma automática ou imediata ao consumidor. Entre o barril e a bomba entram ainda os custos de refinação, os fretes marítimos, a logística, a incorporação de biocombustíveis, a comercialização e os impostos.
Para calcular o preço eficiente, a ERSE utiliza como referência a média aritmética simples das cotações internacionais da semana anterior. A este valor são acrescentados os respetivos fretes marítimos, os custos de logística primária, as reservas estratégicas e de segurança do Sistema Petrolífero Nacional, os sobrecustos associados aos biocombustíveis e uma componente de retalho.
A componente de retalho corresponde à média observada nos últimos quatro anos, tendo como base os preços anunciados nos pórticos dos postos. As restantes componentes seguem a metodologia utilizada pela ERSE nos seus boletins mensais.
Governo aumenta desconto no ISP
Perante a perspetiva de subida dos dois combustíveis, o Governo aumentou novamente o desconto extraordinário e temporário aplicado ao ISP.
Para a semana de 20 a 26 de julho, estão em vigor as taxas definidas pela Portaria n.º 301-A/2026/1, de 17 de julho, aplicáveis desde o dia 20. A taxa unitária passou para 0,45110 euros por litro na gasolina sem chumbo e para 0,30147 euros no gasóleo rodoviário.
Estes valores já incluem a consignação de serviço rodoviário, de 0,087 euros por litro na gasolina e de 0,111 euros no gasóleo, assim como o desconto temporário e extraordinário do imposto.
Esse desconto ascende agora a 0,04642 euros por litro na gasolina e a 0,06013 euros no gasóleo.
Em comparação com a semana anterior, a revisão representa uma redução do ISP de aproximadamente 0,59 cêntimos por litro na gasolina e de 1,78 cêntimos no gasóleo, antes da aplicação do IVA.
Face às taxas fixadas em 1 de dezembro de 2025, o alívio fiscal acumulado corresponde a 4,64 cêntimos por litro na gasolina e a 6,01 cêntimos no gasóleo, também antes de IVA.
Nessa altura, a Portaria n.º 427-A/2025/1 tinha estabelecido taxas unitárias de 0,49752 euros por litro para a gasolina e de 0,36160 euros para o gasóleo. Desde então, estes valores têm sido revistos através do mecanismo extraordinário de redução do ISP.
O objetivo é acomodar a evolução dos preços dos combustíveis nos mercados internacionais e reduzir o impacto das subidas junto dos consumidores. Ainda assim, o reforço do desconto fiscal não foi suficiente para anular a forte valorização internacional do gasóleo.
Às taxas de ISP acresce ainda o adicionamento sobre as emissões de dióxido de carbono, atualizado para 2026 pela Autoridade Tributária e Aduaneira. Esta taxa corresponde a 0,15911 euros por litro na gasolina e a 0,17334 euros no gasóleo.
Preços anunciados continuam acima do referencial
A ERSE distingue entre o preço anunciado no pórtico de cada posto e o preço que os consumidores acabam efetivamente por pagar depois da aplicação de descontos.
Na informação mais recente disponível, a média dos preços de venda ao público anunciados nos pórticos situou-se acima do preço eficiente nos dois combustíveis.
Na gasolina 95 simples, o preço médio anunciado ficou 1,6 cêntimos por litro acima do referencial da ERSE, uma diferença relativa de 0,8%. No gasóleo simples, o desvio foi de 1,4 cêntimos por litro, ou 0,7%.
O preço de pórtico corresponde à oferta comercial de base comunicada pelos operadores ao Balcão Único da Energia. Trata-se do valor exibido no posto antes da aplicação de cartões de desconto, vales, campanhas promocionais ou benefícios associados a clientes de frota.
Quando esses descontos são considerados, o cenário muda.
Os preços com descontos publicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia situaram-se 2,4 cêntimos por litro abaixo do preço eficiente na gasolina e 4,4 cêntimos abaixo no gasóleo. Em termos relativos, estes valores representam desvios de menos 1,2% e menos 2,3%, respetivamente.
A ERSE considera que o preço com descontos constitui uma aproximação mais fiel ao montante efetivamente pago pela maioria dos consumidores, embora os dados disponíveis digam respeito à semana anterior devido ao momento em que são recolhidos e publicados.
Assim, embora os valores anunciados nos pórticos permaneçam acima do referencial calculado pelo regulador, os preços médios após descontos continuam abaixo desse nível.
Uma média que não conta toda a história
Os números apresentados pela ERSE correspondem a médias nacionais para Portugal continental e agregam realidades comerciais bastante diferentes.
Entre os operadores analisados encontram-se as companhias de bandeira, que tendem a apresentar preços de pórtico mais elevados, mas também políticas de descontos mais expressivas; os operadores de baixo custo; e os postos associados a hipermercados, que geralmente disponibilizam as ofertas mais competitivas.
Por esse motivo, a média nacional não representa necessariamente o preço praticado em cada posto nem o valor pago por cada automobilista.
A localização, a marca, a política comercial do operador e os descontos disponíveis podem produzir diferenças significativas entre postos, mesmo dentro do mesmo concelho.
Antes de abastecer, a ERSE aconselha os consumidores a consultarem o seu Comparador de Preços de Combustíveis, que apresenta em tempo real os valores praticados nos postos de abastecimento.
A ferramenta permite comparar as ofertas disponíveis numa determinada área, confrontá-las com o preço eficiente calculado pelo regulador e identificar os postos onde abastecer poderá sair mais barato.
Num momento em que o gasóleo ultrapassa novamente os dois euros no referencial da ERSE, alguns cêntimos de diferença por litro podem traduzir-se numa poupança relevante no final de cada depósito.



















