Mais de metade dos residentes em Portugal já vê conteúdos audiovisuais por streaming e a tendência estabeleceu-se no último ano. Segundo o barómetro BStream, 52% dos portugueses assumem usar plataformas de streaming, um novo recorde do setor. O avanço no uso repercute-se na adesão paga.
Entre janeiro e abril de 2025, 42,2% da população tinha pelo menos uma subscrição ativa em serviços de streaming, um crescimento face à vaga comparável de 2024, com Netflix, Disney+, Max, Prime Video e Apple TV a liderarem as preferências.
Quando se compara entretenimento com informação, a disposição para pagar mostra um desfasamento claro. Em 2025, os portugueses que dizem ter pago por notícias online no último ano somam apenas 10%, e entre os 48 mercados avaliados no Digital News Report, essa é uma das taxas mais baixas.
A confiança nas notícias, embora alta em termos relativos, estabilizou nos 54% e tem descido na última década. Mas formatos interactivos ganham tempo no dia-a-dia, dos jogos de sessão curta a experiências “ao vivo” em comunidade. Essa lógica de rapidez e também migrou para os jogos de perícia.
Hoje, abrir uma mesa de poker no telemóvel é tão fluido como dar play numa série. Jogar de forma competitiva e segura nos melhores sites para jogar poker online é possível já que a infraestrutura atual permite sessões de alta qualidade e torneios frequentes com uma experiência estável. E isso é só o começo.
A infraestrutura que viabiliza experiências mais imersivas
O salto na procura não acontece no vazio. A rede acompanhou e, em muitos casos, antecipou o consumo. No 1º trimestre de 2025, 92,7% dos acessos de banda larga fixa em Portugal já disponibilizavam velocidades ultrarrápidas (≥100 Mbps).
Esta base aproxima o streaming 4K da norma e permite experiências cloud mais estáveis, cruciais para plataformas interativas. No móvel, o 5G ganhou massa crítica. Até 31 de março de 2025 havia 13.954 estações base 5G instaladas e cobertura em todos os concelhos.
A malha chegou a 74,1% das freguesias e o número de utilizadores efetivos de internet via 5G atingiu 4,3 milhões, um avanço anual na ordem dos 69,6%. Estes indicadores traduzem-se em latências mais baixas, menor jitter e menos oscilações em horas de pico, condições ideais para vídeo “ao vivo”, multijogador e formatos interactivos.
A adoção residencial acompanha a infraestrutura. No final do 1º trimestre desse ano, os clientes residenciais que usavam serviços de alta velocidade em local fixo somavam quase 4 milhões e 85,2% das famílias tinham serviços fixos de alta velocidade, com a fibra (FTTH) a dominar o mix tecnológico.
Quando se somam fibra simétrica em casa e 5G em mobilidade, surgem margens para novos produtos. Transmissões “second-screen” sincronizadas com eventos, experiências de realidade aumentada e jogos competitivos com requisitos exigentes de latência e estabilidade. É este “backbone” que tem permitido ao entretenimento disputar tempo com notícias e redes sociais, sobretudo em momentos de pico.
2Africa, EllaLink e o “Nuvem” reforçam Portugal como hub
A geografia também ajuda. Em março de 2024, o sistema de cabos submarinos 2Africa, um dos maiores do mundo, amarrou em Carcavelos com a Vodafone como parceiro local de “landing”. O reforço de capacidade e rotas diversificadas eleva a resiliência e a qualidade das ligações internacionais.
Desde 2021, o EllaLink liga Sines diretamente a Fortaleza, encurtando a latência entre a Europa e a América do Sul e oferecendo melhor desempenho para streaming, gaming e serviços cloud que servem audiências lusófonas de ambos os lados.
Em junho de 2025, entrou em consulta pública o cabo “Nuvem”, da Google, com amarração prevista em Sines e ligação à costa leste dos EUA (com pontos nas Bermudas e Açores). Na prática, Portugal soma novas vias transatlânticas que aliviam estrangulamentos e melhoram a entrega de conteúdos para mercados estratégicos, do Brasil à África.
Onde estão as oportunidades de negócio
O ambiente tecnológico e de consumo abre espaço para várias outras coisas. No vídeo, a combinação de fibra e 5G permite elevar a fasquia do ao vivo. Concertos com interação em tempo real, watch-parties com compra integrada e experiências desportivas com múltiplos ângulos.
O risco de “buffering” reduz-se e o tempo de arranque encurta, tornando os modelos com publicidade (AVOD/FAST) mais apelativos para anunciantes que procuram alcance incremental em Portugal. As métricas de adoção, 52% em uso e 42,2% em subscrição, validam a aposta em pacotes com publicidade como porta de entrada.
Nos jogos, a melhoria de latência e a redução de jitter sustentam o crescimento de experiências multijogador e competitivas. A infraestrutura internacional acrescenta outra camada. Com 2Africa, EllaLink e, potencialmente, o Nuvem, conteúdos hospedados e distribuídos a partir de Portugal chegam mais depressa a audiências transatlânticas.














