O novo Parlamento da Gronelândia entrou esta segunda-feira em funções em Nuuk, numa reunião constituinte do Inatsisartut presidida pelo conselheiro Hans Enoksen: Jens-Frederik Nielsen, o vencedor das eleições do passado dia 11, foi empossado como presidente regional e na sua primeira mensagem avisou Donald Trump: “A nossa terra, as nossas regras.”
“Este Parlamento vai enfrentar situações excecionais, todos estamos conscientes disso”, declarou após a sessão solene de abertura do Parlamento. Kielsen enfatizou os desafios que uma legislatura sob grande pressão dos Estados Unidos, com ameaças russas e chinesas também iminentes, exigirá. Para aqueles que não acreditam que um “grupo de pescadores” possa enfrentar a administração Trump, garantiu que “assumimos as nossas posições com grande consciência da situação e com grande responsabilidade”.
“Nunca foi tão importante estar unido pela Gronelândia. Nunca foi tão importante ter uma governação estável na Gronelândia”, insistiu Nielsen. “Estou, por isso, satisfeito por termos criado uma ampla coligação e por termos conseguido garantir 75% dos votos para um Governo de base muito ampla”, apontou.
Antes de Trump invadir a política regional, os gronelandeses eram extremamente hostis ao Governo dinamarquês. Mas “isso mudou completamente agora”, explicou Viggo Jakobsen, professor da Universidade do Sul da Dinamarca e do Royal Danish Defence College, que acredita que “Trump conseguiu unir a Gronelândia e a Dinamarca contra os Estados Unidos”, sublinhando que “um sinal claro da mudança de humor foi a eleição do liberal Jens-Frederik Nielsen”, que apenas considera a possibilidade de independência “de forma pragmática e responsável”. Isto porque a Gronelândia depende muito do apoio económico dinamarquês, pelo que Nielsen acredita que o fortalecimento da economia local é um pré-requisito para a soberania da Gronelândia. Consequentemente, o país está a concentrar-se na expansão do setor das matérias-primas e quer tornar a Gronelândia mais atrativa para as empresas mineiras e energéticas.
“A Gronelândia nunca fará parte dos Estados Unidos”, foi a posição inicial do novo presidente regional. “É claro que queremos respeito, queremos uma parceria forte, queremos comércio, queremos uma parceria forte no domínio da segurança nacional, tudo isso, claro. Mas queremos fazê-lo com respeito mútuo. Nunca estaremos à venda, e nunca seremos americanos.”





