“A mudança estrutural só acontece se capacitarmos as organizações a fazerem melhor gestão das operações”, explica a Presidente da Fundação BNP Paribas Portugal

Em entrevista à Executive Digest, Luciana Peres, Presidente da Fundação BNP Paribas Portugal, explica os objetivos da nova fundação do grupo em Portugal.

André Manuel Mendes

Num ano simbólico em que assinala 40 anos de presença em Portugal, o BNP Paribas dá um novo passo na consolidação do seu compromisso com o país com o lançamento da Fundação BNP Paribas Portugal. Trata-se da 14.ª fundação do grupo a nível global e nasce com o objetivo de integrar e reforçar toda a atividade filantrópica desenvolvida no mercado nacional, sob uma visão única e de maior impacto.

A nova fundação pretende posicionar-se como um catalisador de mudança, trabalhando em rede com organizações sociais, universidades, investigadores e entidades culturais, de forma a promover soluções sustentáveis e de longo prazo.

Em entrevista à Executive Digest, Luciana Peres, Presidente da Fundação BNP Paribas Portugal, explica os objetivos da nova fundação do grupo em Portugal. A responsável detalha a estratégia da instituição, o investimento inicial de 1,5 milhões de euros e a aposta em áreas como a inclusão social, a biodiversidade marinha e a cultura, sublinhando a ambição de transformar o apoio filantrópico em impacto estrutural e duradouro na sociedade portuguesa.

 

Porque é que o BNP Paribas decidiu criar agora a sua 14.ª fundação em Portugal e qual o significado estratégico deste momento, no ano em que celebra 40 anos no país?

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A criação da Fundação BNP Paribas Portugal representa, de facto, um marco na trajetória do Grupo no país. Ao celebrar 40 anos de presença em Portugal, enfatiza-se a relação de longo-prazo, o nível de maturidade da organização, que lhe permite estruturar, de forma mais integrada e ambiciosa, o seu compromisso com a sociedade portuguesa. Assim nasce a Fundação, de um elevado sentimento de responsabilidade e de retribuição de devolver à sociedade o muito que Portugal tem dado ao BNP Paribas de aumentar o impacto social, sob uma visão estratégica, integrada e duradoura .

 

Qual o papel da Fundação BNP Paribas Portugal no nosso país?

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O propósito da Fundação BNP Paribas Portugal é ter uma contribuição significativa e consistente para o desenvolvimento sustentável da sociedade portuguesa, apoiando da forma diversa, quem já está no terreno a fazer um trabalho notável.

Para alcançar resultados mensuráveis e duradouros, a Fundação atua em três áreas fundamentais: na área social pretende promover a inclusão social através do aumento da empregabilidade, entre grupos da população mais frágeis; na área do ambiente e biodiversidade pretende contribuir à conservação e regeneração da biodiversidade marinha, com foco no Oceano Atlântico; na área da cultura pretende aumentar o número de espetadores de atividades artísticas e culturais por pessoas que normalmente não têm oportunidade de ter acesso e assistir, por um lado, e apoiar a produção de arte, através de abordagens inovadoras e contemporâneas, nomeadamente nas formas de artesanato, dança e música, por artistas jovens, mulheres e migrantes,

A forma de atuação da Fundação consiste em ser o parceiro de organizações que partilhem da mesma ambição e compromissos, sejam associações, investigadores, artistas, ou mesmo outras fundações. No fundo, o papel da Fundação está resumido no próprio lema: ‘Dar poder aos que agem!’.

O investimento inicial de 1,5 milhões de euros é significativo. Como definem as prioridades de alocação deste capital?

Este valor de investimento provém diretamente da Fundação-mãe, no âmbito do programa global Initiative Climate & Biodiversity, que selecionou 10 projetos vencedores, de um total de 163 candidaturas a nível mundial, dois dos quais são portugueses.

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De forma geral, a definição das prioridades de alocação do orçamento da Fundação assenta em três eixos: o alinhamento com a sua estratégia e objetivos, a experiência que a equipa local detém e, acima de tudo, a resposta efetiva às necessidades reais do contexto português. A escolha das áreas de trabalho e projetos é muito seletiva, com o intuito de não dispersar o investimento e, assim, garantir a criação de maior impacto positivo.

 

Como garantem que este investimento não se traduz apenas em financiamento pontual, mas em mudança estrutural e de longo prazo?

Através da criação das condições para que essa mudança aconteça, e que estão diretamente relacionadas com a metodologia de medição adotada, inspirada nos princípios do Impact Management Project (IMP) e a sua aplicação a dois níveis: um focado na contribuição da Fundação para as suas organizações parceiras e o outro focado no impacto direto das intervenções apoiadas, nos beneficiários finais (detalhado em cada Acordo de Parceria de Impacto).

Esta abordagem dual permite uma distinção clara entre o apoio estrutural fornecido pela Fundação (por exemplo, financiamento, capacitação, visibilidade), e os resultados sociais, culturais ou ambientais, tangíveis, que são alcançados por cada projeto. Juntos, asseguram que a efetividade da Fundação como catalisador, quanto à mudança transformacional criada no terreno, sejam rigorosamente monitoradas, avaliadas e comunicadas.

Esta clareza fortalece a tomada de decisões estratégicas, reforça a responsabilidade e, em última análise, maximiza a contribuição positiva da Fundação para a sociedade. Permita-me reforçar que a mudança estrutural só acontece se capacitarmos as próprias organizações a fazerem uma melhor gestão das suas operações, a medirem o seu próprio impacto e a tornarem-se financeiramente mais sustentáveis, com soluções escaláveis, a longo prazo. Para ajudar neste processo, a Fundação BNP Paribas Portugal conta com os seus 9.700 colaboradores, qualificados em diferentes e variadas valências, para oferecer horas de voluntariado especializado, através das competências das suas equipas

Dois dos projetos iniciais estão ligados ao oceano e à biodiversidade marinha. Porque é que o Atlântico e os ecossistemas marinhos foram escolhidos como prioridade?

A resposta é muito direta: a própria identidade de Portugal está profundamente ligada ao Oceano Atlântico. No entanto, seria impossível abordar todas as dimensões ecológicas do Oceanos, sendo o objetivo criar impacto real.

Assim, quando se desenhou a estratégia da Fundação para a área ambiental, ficou decido limitar a sua atuação à conservação, restauro e regeneração da biodiversidade marítima da costa portuguesa. Ao se concentrarem os recursos num ecossistema vital para o país, apoiando cientistas, universidades e entidades de investigação que analisam o impacto nomeadamente das alterações climáticas e do aquecimento global, como já está a ser feito através destes dois projetos do Biopolis, garante-se uma intervenção com relevância local.

 

O lema da fundação é “Dar poder aos que agem!”. O que significa isto na prática, na relação com ONG, universidades e empresas?

Significa colocar os recursos – financeiros, humanos e institucionais – ao serviço de quem já está no terreno. A Fundação BNP Paribas Portugal não pretende agir sozinha, mas antes, ser um parceiro ativo, aberto a colaborar e a estabelecer coligações que lhe permita ir mais longe na prossecução da sua visão: uma sociedade portuguesa mais desenvolvida e sustentável.

 

Que tipo de parcerias são críticas para que a fundação tenha escala e impacto real em Portugal?

As parcerias críticas são aquelas que criam um efeito multiplicador e impacto real na sociedade portuguesa. Mais do que beneficiários, que trabalham sozinhos, a Fundação BNP Paribas Portugal procura parceiros entre – instituições, associações, universidades e até outras Fundações – que partilhem da mesma ambição e forma de atuação. Para alcançar uma dimensão relevante, será também necessário alavancar nas relações já existentes, nomeadamente junto dos parceiros de negócio e clientes do Grupo BNP Paribas.

É uma oportunidade fantástica esta, de mobilização do Grupo BNP Paribas para trazer mais players para estes projetos – mobilizando fundos e recursos adicionais – é chave para transformar um bom projeto-piloto, numa iniciativa com impacto sistémico em Portugal.

 

Que ambição tem para a Fundação BNP Paribas Portugal nos próximos cinco anos?

Desde há muitos anos que o Grupo BNP Paribas definiu como sua ambição ter um impacto positivo na sociedade, contribuindo para o seu desenvolvimento sustentável (17 ODS definidos pelas Nações Unidas), através da sua estratégia e compromissos de responsabilidade social, incluindo filantropia. Algo que também já tem sido desenvolvido de forma importante em Portugal e que agora se apresenta de forma ainda mais coesa e unificada.

No arranque, e olhando já para o ciclo estratégico de 2026-2028, a Fundação BNP Paribas Portugal vai centralizar a maior parte dos seus recursos locais à área Social, nomeadamente no combate à exclusão de jovens, mulheres e migrantes através do emprego e à área de Ambiente e Biodiversidade, pelas razões já enumeradas. No dia Internacional da Terra, a Fundação organiza a sua primeira conferência, designada de “Biodiversidade: da célula aos gigantes do mar”, este é um exemplo concreto de como se pretende também contribuir para aumentar, de forma transversal a toda a sociedade portuguesa, o conhecimento baseado em ciência, nomeadamente, neste caso, sobre a biodiversidade do nosso planeta e como é missão de todos ajudar a conservar e regenerar esse património natural.

É com bastamente entusiasmo que a Fundação BNP Paribas Portugal participa e contribui para o ecossistema da filantropia em Portugal. Existe muito a aprender com quem já o faz há mais tempo, mas estamos confiantes na relevância do que a Fundação pode acrescentar, seja através da experiência local, mas também através da experiência da Fundação-mãe. O facto de ser uma Fundação com origem Corporate, irá também trazer uma nova perspetiva e abordagem aos problemas, que se traduza, a cinco, e muitos mais anos, em impacto mensurável e duradouro, no desenvolvimento sustentável da sociedade portuguesa.

 

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