Num ano simbólico em que assinala 40 anos de presença em Portugal, o BNP Paribas dá um novo passo na consolidação do seu compromisso com o país com o lançamento da Fundação BNP Paribas Portugal. Trata-se da 14.ª fundação do grupo a nível global e nasce com o objetivo de integrar e reforçar toda a atividade filantrópica desenvolvida no mercado nacional, sob uma visão única e de maior impacto.
A nova fundação pretende posicionar-se como um catalisador de mudança, trabalhando em rede com organizações sociais, universidades, investigadores e entidades culturais, de forma a promover soluções sustentáveis e de longo prazo.
Em entrevista à Executive Digest, Luciana Peres, Presidente da Fundação BNP Paribas Portugal, explica os objetivos da nova fundação do grupo em Portugal. A responsável detalha a estratégia da instituição, o investimento inicial de 1,5 milhões de euros e a aposta em áreas como a inclusão social, a biodiversidade marinha e a cultura, sublinhando a ambição de transformar o apoio filantrópico em impacto estrutural e duradouro na sociedade portuguesa.
Porque é que o BNP Paribas decidiu criar agora a sua 14.ª fundação em Portugal e qual o significado estratégico deste momento, no ano em que celebra 40 anos no país?
A criação da Fundação BNP Paribas Portugal representa, de facto, um marco na trajetória do Grupo no país. Ao celebrar 40 anos de presença em Portugal, enfatiza-se a relação de longo-prazo, o nível de maturidade da organização, que lhe permite estruturar, de forma mais integrada e ambiciosa, o seu compromisso com a sociedade portuguesa. Assim nasce a Fundação, de um elevado sentimento de responsabilidade e de retribuição de devolver à sociedade o muito que Portugal tem dado ao BNP Paribas de aumentar o impacto social, sob uma visão estratégica, integrada e duradoura .
Qual o papel da Fundação BNP Paribas Portugal no nosso país?
O propósito da Fundação BNP Paribas Portugal é ter uma contribuição significativa e consistente para o desenvolvimento sustentável da sociedade portuguesa, apoiando da forma diversa, quem já está no terreno a fazer um trabalho notável.
Para alcançar resultados mensuráveis e duradouros, a Fundação atua em três áreas fundamentais: na área social pretende promover a inclusão social através do aumento da empregabilidade, entre grupos da população mais frágeis; na área do ambiente e biodiversidade pretende contribuir à conservação e regeneração da biodiversidade marinha, com foco no Oceano Atlântico; na área da cultura pretende aumentar o número de espetadores de atividades artísticas e culturais por pessoas que normalmente não têm oportunidade de ter acesso e assistir, por um lado, e apoiar a produção de arte, através de abordagens inovadoras e contemporâneas, nomeadamente nas formas de artesanato, dança e música, por artistas jovens, mulheres e migrantes,
A forma de atuação da Fundação consiste em ser o parceiro de organizações que partilhem da mesma ambição e compromissos, sejam associações, investigadores, artistas, ou mesmo outras fundações. No fundo, o papel da Fundação está resumido no próprio lema: ‘Dar poder aos que agem!’.
O investimento inicial de 1,5 milhões de euros é significativo. Como definem as prioridades de alocação deste capital?
Este valor de investimento provém diretamente da Fundação-mãe, no âmbito do programa global Initiative Climate & Biodiversity, que selecionou 10 projetos vencedores, de um total de 163 candidaturas a nível mundial, dois dos quais são portugueses.
De forma geral, a definição das prioridades de alocação do orçamento da Fundação assenta em três eixos: o alinhamento com a sua estratégia e objetivos, a experiência que a equipa local detém e, acima de tudo, a resposta efetiva às necessidades reais do contexto português. A escolha das áreas de trabalho e projetos é muito seletiva, com o intuito de não dispersar o investimento e, assim, garantir a criação de maior impacto positivo.
Como garantem que este investimento não se traduz apenas em financiamento pontual, mas em mudança estrutural e de longo prazo?
Através da criação das condições para que essa mudança aconteça, e que estão diretamente relacionadas com a metodologia de medição adotada, inspirada nos princípios do Impact Management Project (IMP) e a sua aplicação a dois níveis: um focado na contribuição da Fundação para as suas organizações parceiras e o outro focado no impacto direto das intervenções apoiadas, nos beneficiários finais (detalhado em cada Acordo de Parceria de Impacto).
Esta abordagem dual permite uma distinção clara entre o apoio estrutural fornecido pela Fundação (por exemplo, financiamento, capacitação, visibilidade), e os resultados sociais, culturais ou ambientais, tangíveis, que são alcançados por cada projeto. Juntos, asseguram que a efetividade da Fundação como catalisador, quanto à mudança transformacional criada no terreno, sejam rigorosamente monitoradas, avaliadas e comunicadas.
Esta clareza fortalece a tomada de decisões estratégicas, reforça a responsabilidade e, em última análise, maximiza a contribuição positiva da Fundação para a sociedade. Permita-me reforçar que a mudança estrutural só acontece se capacitarmos as próprias organizações a fazerem uma melhor gestão das suas operações, a medirem o seu próprio impacto e a tornarem-se financeiramente mais sustentáveis, com soluções escaláveis, a longo prazo. Para ajudar neste processo, a Fundação BNP Paribas Portugal conta com os seus 9.700 colaboradores, qualificados em diferentes e variadas valências, para oferecer horas de voluntariado especializado, através das competências das suas equipas
Dois dos projetos iniciais estão ligados ao oceano e à biodiversidade marinha. Porque é que o Atlântico e os ecossistemas marinhos foram escolhidos como prioridade?
A resposta é muito direta: a própria identidade de Portugal está profundamente ligada ao Oceano Atlântico. No entanto, seria impossível abordar todas as dimensões ecológicas do Oceanos, sendo o objetivo criar impacto real.
Assim, quando se desenhou a estratégia da Fundação para a área ambiental, ficou decido limitar a sua atuação à conservação, restauro e regeneração da biodiversidade marítima da costa portuguesa. Ao se concentrarem os recursos num ecossistema vital para o país, apoiando cientistas, universidades e entidades de investigação que analisam o impacto nomeadamente das alterações climáticas e do aquecimento global, como já está a ser feito através destes dois projetos do Biopolis, garante-se uma intervenção com relevância local.
O lema da fundação é “Dar poder aos que agem!”. O que significa isto na prática, na relação com ONG, universidades e empresas?
Significa colocar os recursos – financeiros, humanos e institucionais – ao serviço de quem já está no terreno. A Fundação BNP Paribas Portugal não pretende agir sozinha, mas antes, ser um parceiro ativo, aberto a colaborar e a estabelecer coligações que lhe permita ir mais longe na prossecução da sua visão: uma sociedade portuguesa mais desenvolvida e sustentável.
Que tipo de parcerias são críticas para que a fundação tenha escala e impacto real em Portugal?
As parcerias críticas são aquelas que criam um efeito multiplicador e impacto real na sociedade portuguesa. Mais do que beneficiários, que trabalham sozinhos, a Fundação BNP Paribas Portugal procura parceiros entre – instituições, associações, universidades e até outras Fundações – que partilhem da mesma ambição e forma de atuação. Para alcançar uma dimensão relevante, será também necessário alavancar nas relações já existentes, nomeadamente junto dos parceiros de negócio e clientes do Grupo BNP Paribas.
É uma oportunidade fantástica esta, de mobilização do Grupo BNP Paribas para trazer mais players para estes projetos – mobilizando fundos e recursos adicionais – é chave para transformar um bom projeto-piloto, numa iniciativa com impacto sistémico em Portugal.
Que ambição tem para a Fundação BNP Paribas Portugal nos próximos cinco anos?
Desde há muitos anos que o Grupo BNP Paribas definiu como sua ambição ter um impacto positivo na sociedade, contribuindo para o seu desenvolvimento sustentável (17 ODS definidos pelas Nações Unidas), através da sua estratégia e compromissos de responsabilidade social, incluindo filantropia. Algo que também já tem sido desenvolvido de forma importante em Portugal e que agora se apresenta de forma ainda mais coesa e unificada.
No arranque, e olhando já para o ciclo estratégico de 2026-2028, a Fundação BNP Paribas Portugal vai centralizar a maior parte dos seus recursos locais à área Social, nomeadamente no combate à exclusão de jovens, mulheres e migrantes através do emprego e à área de Ambiente e Biodiversidade, pelas razões já enumeradas. No dia Internacional da Terra, a Fundação organiza a sua primeira conferência, designada de “Biodiversidade: da célula aos gigantes do mar”, este é um exemplo concreto de como se pretende também contribuir para aumentar, de forma transversal a toda a sociedade portuguesa, o conhecimento baseado em ciência, nomeadamente, neste caso, sobre a biodiversidade do nosso planeta e como é missão de todos ajudar a conservar e regenerar esse património natural.
É com bastamente entusiasmo que a Fundação BNP Paribas Portugal participa e contribui para o ecossistema da filantropia em Portugal. Existe muito a aprender com quem já o faz há mais tempo, mas estamos confiantes na relevância do que a Fundação pode acrescentar, seja através da experiência local, mas também através da experiência da Fundação-mãe. O facto de ser uma Fundação com origem Corporate, irá também trazer uma nova perspetiva e abordagem aos problemas, que se traduza, a cinco, e muitos mais anos, em impacto mensurável e duradouro, no desenvolvimento sustentável da sociedade portuguesa.













