Há mais de 80 anos, milhares de soldados britânicos saltavam de aviões sobre território inimigo acompanhados por um equipamento pouco habitual: uma pequena moto que seguia presa a um paraquedas. O objetivo era simples. Assim que aterravam, podiam deslocar-se rapidamente, transportar mensagens, estabelecer comunicações ou chegar a posições estratégicas sem depender de veículos maiores.
Era a Royal Enfield Flying Flea, uma das motos mais improváveis da II Guerra Mundial e que, décadas depois, acaba de regressar… em versão elétrica.
Segundo a ‘ETAuto’, a Royal Enfield lançou oficialmente a nova marca Flying Flea, recuperando um nome histórico que marcou a presença da fabricante britânica no conflito mundial. Em vez de um motor a gasolina, a nova geração aposta exclusivamente na propulsão elétrica, mantendo, no entanto, várias referências estéticas ao modelo original.
A Flying Flea nasceu em 1940, quando o Exército britânico precisava de um veículo extremamente leve que pudesse acompanhar as tropas aerotransportadas. Com pouco mais de 60 quilos, a moto era suficientemente compacta para ser colocada dentro de uma estrutura metálica e lançada de avião juntamente com os paraquedistas.
Assim que chegavam ao solo, bastavam poucos minutos para retirar a moto da estrutura e colocá-la em funcionamento. A pequena Royal Enfield permitia aos soldados deslocarem-se rapidamente em missões de reconhecimento, transportar oficiais ou estabelecer ligações entre unidades espalhadas pelo terreno.
Foi precisamente essa capacidade de “cair do céu” que lhe valeu o nome Flying Flea, ou “Pulga Voadora”, uma referência ao seu tamanho reduzido e à forma como parecia saltar dos aviões para o campo de batalha.
Terminada a guerra, a Flying Flea desapareceu gradualmente, transformando-se numa peça muito procurada por colecionadores e aficionados da história militar.
Mais de oito décadas depois, a Royal Enfield decidiu recuperar esse legado para entrar num segmento completamente diferente. A nova Flying Flea é uma moto elétrica concebida para utilização urbana, equipada com tecnologia moderna e soluções de conectividade, mas inspirada nas linhas simples e minimalistas da sua antecessora.
Embora já não seja lançada de paraquedas nem tenha de atravessar campos de batalha, a marca acredita que a nova Flying Flea consegue manter vivo o espírito original: uma moto leve, ágil e pensada para responder rapidamente aos desafios do seu tempo.
Com este regresso, a Royal Enfield não recupera apenas um nome histórico. Recupera uma das histórias mais curiosas da indústria das duas rodas, provando que algumas lendas conseguem atravessar gerações sem perder a identidade.


















