A inflação tomou ‘de assalto’ a União Europeia e os Governos dos 27 estão a optar por diferentes medidas para baixar, em particular, os preços dos alimentos do cabaz essenciais, uma das principais preocupações dos consumidores. ‘A mesma doença, tratamentos diferentes’.
Nesse sentido, o debate sobre os limites máximos dos preços propagou-se no continente europeu. Apenas dois países da UE aplicaram um teto aos preços dos bens alimentares: a Croácia e a Hungria. No entanto, segundo dados do Eurostat, a medida falhou em toda a linha. Vejamos: o IPC alimentar em Zagreb subiu 19,7% entre janeiro de 2022 e de 2023, apenas um ponto abaixo do crescimento médio registado em todos os países europeus. Já Budapeste viu o valor disparar 62,4%.
O óleo de girassol pode ser vendido na Croácia a um máximo de 2,12 euros por litro, o leite a 0,98 euros e a farinha a 0,8 euros, enquanto na Hungria os supermercados foram obrigados a limitar os preços do açúcar, do óleo de girassol, do leite, da farinha, do peito de frango e dos pés de porco.
Nenhum outro governo europeu se aventurou, por enquanto, a limitar os preços. Na vizinha Espanha, revelou esta quarta-feira o jornal ‘El Mundo’, o Governo baixou o IVA sobre alguns produtos básicos e implementou um pacote de medidas que incluiu um cheque de 200 euros para as famílias vulneráveis. No entanto, o IPC alimentar subiu 17,5%, à semelhança do registado em França (15,6%) ou Itália (13,8%).
França, aliás, foi o país europeu que mais investiu no combate à inflação: 20 mil milhões de euros para compensar as famílias. O Governo alemão avançou com 12 mil milhões para reduzir os impostos e um cheque de 300 euros para os reformados. Espanha disponibilizou 10 mil milhões de euros.
Na reta final da despesa para conter a inflação estão Portugal, Grécia e Itália, com um investimento de 725, 650 e 500 milhões de euros, respetivamente. No caso nacional, foi aprovado um cheque de 125 euros por pessoa e um adicional de 50 euros por filho para rendimentos inferiores a 37.800 euros e aplicou um imposto de 33% sobre os considerados “lucros extraordinários” do setor da distribuição alimentar até ao final de 2023.
Na Grécia, por seu lado, foi lançada uma ajuda de 10% das despesas alimentares, até um máximo de 220 euros, que pode chegar aos 1.000 euros para as famílias numerosas. Entretanto, o Governo de Giorgia Meloni aprovou um fundo para rendimentos inferiores a 15 mil euros para a aquisição de bens de primeira necessidade e cartões de poupança.













