A maior entrada em bolsa de sempre? SpaceX prepara hoje estreia com procura quatro vezes superior à oferta

Empresa de Elon Musk deverá entrar no Nasdaq sob o símbolo “SPCX”, com ações fixadas em 135 dólares, cerca de 117 euros, e uma avaliação próxima de 1,75 biliões de dólares, cerca de 1,5 biliões de euros

Francisco Laranjeira

A SpaceX prepara-se para fazer esta sexta-feira a sua estreia em bolsa, numa operação que poderá tornar-se a maior oferta pública inicial de sempre. A empresa de Elon Musk deverá entrar no Nasdaq sob o símbolo “SPCX”, com ações fixadas em 135 dólares, cerca de 117 euros, e uma avaliação próxima de 1,75 biliões de dólares, cerca de 1,5 biliões de euros.

A operação prevê a venda de 555,6 milhões de ações, o que poderá permitir à SpaceX angariar cerca de 75 mil milhões de dólares, aproximadamente 64,9 mil milhões de euros. A dimensão da oferta colocaria a empresa à frente das maiores entradas em bolsa já realizadas, superando os recordes da Saudi Aramco e da Alibaba.

O atual máximo pertence à petrolífera estatal saudita Aramco, que angariou 25,6 mil milhões de dólares, cerca de 22,1 mil milhões de euros, na Bolsa da Arábia Saudita em 2019. A Alibaba, por sua vez, levantou 25 mil milhões de dólares, cerca de 21,6 mil milhões de euros, na Bolsa de Nova Iorque em 2014.

Procura quatro vezes superior à oferta

A procura dos investidores pelo IPO da SpaceX terá já ultrapassado em mais de quatro vezes o número de ações disponíveis, segundo fontes citadas pela Bloomberg. A Reuters avançou também que a operação atraiu forte interesse de investidores institucionais e de retalho, com a procura total a superar largamente a oferta disponível.

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Os bancos envolvidos na operação deverão deixar de aceitar ordens de compra dos investidores institucionais depois do fecho dos mercados em Wall Street. O preço final será definido antes da estreia em bolsa, embora a empresa tenha sinalizado que não pretende alterar o valor de 135 dólares por ação.

A operação está a ser liderada por Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase, com a participação de outros bancos.

Foguetões, Starlink e inteligência artificial

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A SpaceX chega ao mercado com uma combinação rara de negócios: lançamento de foguetões, comunicação por satélite através da Starlink e uma aposta crescente em inteligência artificial, ligada à xAI.

A empresa tornou-se dominante no setor aeroespacial com os lançamentos reutilizáveis do Falcon 9 e com a expansão da constelação Starlink, que transformou a conectividade por satélite num dos seus principais motores de receita.

Segundo dados divulgados no âmbito da operação, a SpaceX registou receitas de 18,7 mil milhões de dólares em 2025, cerca de 16,2 mil milhões de euros, mas fechou o ano com um prejuízo líquido de 4,9 mil milhões de dólares, cerca de 4,2 mil milhões de euros. O resultado reflete os elevados investimentos em projetos de crescimento, incluindo inteligência artificial e desenvolvimento tecnológico.

Musk mantém controlo da empresa

Elon Musk continuará a dominar a estrutura acionista da SpaceX mesmo após a entrada em bolsa. De acordo com a documentação divulgada, o fundador, presidente executivo, diretor de tecnologia e presidente do conselho de administração manterá 82,4% do poder de voto da empresa cotada.

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A estrutura reforça a continuidade do controlo de Musk sobre as decisões estratégicas da SpaceX, mesmo com a abertura do capital ao mercado.

A avaliação projetada colocaria a SpaceX entre as maiores empresas cotadas do mundo, à frente de gigantes como Aramco e Tesla, dependendo da evolução das cotações após a estreia.

Uma operação que pode marcar Wall Street

A estreia da SpaceX surge num ano em que outras grandes tecnológicas ligadas à inteligência artificial, como OpenAI e Anthropic, também são apontadas como candidatas a entradas em bolsa. Em conjunto, estas operações poderão acrescentar vários biliões de dólares em valor de mercado às bolsas americanas.

Para Wall Street, a SpaceX será mais do que uma estreia de grande dimensão. A operação poderá testar o apetite dos investidores por empresas de crescimento intenso, avaliações elevadas e forte exposição a setores estratégicos como espaço, satélites, defesa, conectividade e inteligência artificial.

Se a procura se confirmar no primeiro dia de negociação, a empresa de Elon Musk poderá transformar uma estreia já histórica num novo ponto de viragem para o mercado tecnológico americano.

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