A Lua está a ‘fugir’ e a afastar-se da Terra há 2,5 mil milhões de anos, revela novo estudo

Esta descoberta, afirmam os investigadores holandeses, pode providenciar um novo ponto de referência para os modelos de evolução do sistema Terra-Lua ao longo do tempo.

Pedro Zagacho Gonçalves

Um novo estudo da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos, recolheu provas que mostram que a distância da Terra à Lua, 2,5 mil milhões de anos, era cerca de 60 mil quilómetros inferior, o que confirma que a o nosso satélite natural tem estado a ‘fugir’ e a afastar-se, a pouco e pouco, da Terra.

A investigação, agora publicada no jornal científico PNAS, denota que, há cerca de 2,46 mil milhões de anos, a distância entre o nosso planeta e a Lua era de 321 800 km, comparado com os atuais 284 400 km. Esta diferencia de distância significa que também os dias eram mais pequenos: teriam 16,9 horas, ao invés de 24.

Esta descoberta, dizem os cientistas, aumentam o conhecimento que havia da dinâmica entre a Terra e a Lua em mais de mil milhões de anos. Para a investigação, foram analisadas camadas de rocha muito antigas, no Parque Nacional de Karijini, no oeste da Austrália, que tem ravinas e fendas que ‘atravessam’ sedimentos com mais de 2,5 mil milhões de anos.

Estes sedimentos de rocha analisados, são compostos por distintas secções de minerais ricos em sílica e ferro, com camadas que vão alternando entre o branco, avermelhado e cinza-azulado, que foram sendo depositadas no que então seria fundo oceânico. Estas rochas agora analisadas, afirmam os investigadores, constituem as partes mais atingas da crosta terrestre.

Análise de ciclos climáticos essencial para perceber dinâmica Terra-Lua
Estes diferentes padrões verificados, associados a variações no clima do nosso planeta, estão associados ao que se chamam ‘Ciclos de Milankovich’: ciclos climáticos ligados à orientação do eixo de rotação da terra e a natureza elíptica da sua órbita, e que determinam a distribuição de luz solar recebida pela Terra durante longos períodos de tempo.

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A análise destes ciclos revelou-se essencial à investigação agora revelada e para as conclusões atingidas. Os períodos dominantes dos ‘Ciclos de Milankovich’ atualmente mudam a cada 400 mil, 100 mil, 41 mil e 21 mil anos, e estas alterações produzem um forte controlo do clima do planeta, incluindo períodos de frio ou calor extremo, assim como condições mais húmidas ou secas da atmosfera.

Um dos ciclos, o ciclo de precessão climática, acontece com o movimento de oscilação da terra enquanto esta roda no seu eixo, e tem a duração atualmente de 21 mil anos. Mas, agora, os investigadores afirmam que este período seria mais curto, quando a Terra estava mais próxima da Lua.
A análise das camadas rochosas retiradas na Austrália aponta para um ciclo de precessão climática que durou 11 mil anos, há 2,5 mil milhões de anos. Foi esta análise aos sedimentos que levou à conclusão de que, efetivamente, a Lua estava mais próxima da Terra e que, progressivamente, se está a afastar.

Esta descoberta, afirmam os investigadores holandeses, pode providenciar um novo ponto de referência para os modelos de evolução do sistema Terra-Lua ao longo do tempo.

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