A jornada do crédito habitação: Isabel Pereira e Sandra Fonseca explicam o que os clientes precisam (mesmo) de saber

Comprar casa continua a ser o grande sonho de milhares de famílias portuguesas. Mas a compra de uma habitação é um dos processos mais complexos da vida de qualquer pessoa.

André Manuel Mendes
Dezembro 17, 2025
12:43

Por Isabel Pereira e Sandra Fonseca, Maxfinance Classe Capital

Comprar casa continua a ser o grande sonho de milhares de famílias portuguesas. Mas, por trás das fotografias bonitas em sites imobiliários e das visitas aos imóveis, esconde-se uma realidade menos romântica: a compra de uma habitação é um dos processos mais complexos da vida de qualquer pessoa.

O problema é que muitos compradores só se apercebem disso quando já é tarde demais e acabam por descurar algo cada vez mais essencial: o apoio de um profissional especializado em crédito habitação. Visitar imóveis sem uma pré-qualificação financeira é desperdiçar tempo e alimentar ilusões. Pior: é um convite a compromissos que podem colocar em causa a estabilidade de toda a família. É por isso que rendimentos, encargos, poupanças e a taxa de esforço deveriam ser sempre os primeiros cálculos a fazer.

É também nesta fase inicial que, muitas vezes se ignoram custos óbvios, mas pesados: impostos, registos, escritura e comissões bancárias. Surpresas que, somadas, facilmente acabam num orçamento irrealista.

O Contrato de Promessa Compra e Venda (CPCV) deveria ser tratado como um documento de alto risco. Afinal, envolve o pagamento de um sinal que, em caso de erro, pode simplesmente desaparecer.

Cláusulas desequilibradas, prazos impossíveis e documentação incompleta são falhas que continuam a arruinar negócios e a penalizar compradores. A verdade é que quem assina um CPCV sem acompanhamento especializado está, na prática, a brincar com o próprio dinheiro.

 

A obsessão pela taxa de juro e a falsa sensação de segurança de uma escritura

Quando chega a altura de escolher o banco, a maioria das pessoas olha apenas para a taxa de juro. Mas será mesmo isso o mais importante?

A resposta é não. A TAEG, que inclui comissões, seguros e outros encargos, é o verdadeiro reflexo do custo total do crédito. Ignorar este detalhe é aceitar pagar mais sem dar conta. E não faltam exemplos de clientes que, fascinados por uma “taxa baixa”, acabaram presos a contratos muito mais caros a longo prazo.

A assinatura da escritura é, muitas vezes, encarada como um momento de celebração. Mas é também o último ponto onde ainda se podem encontrar erros graves: condições mal refletidas, custos mal calculados, e discrepâncias com o que foi acordado no CPCV.

Quem acredita que a escritura é apenas “um formalismo” corre o risco de descobrir, já na reta final, que não é bem assim.

O mais surpreendente é que todo este acompanhamento especializado por parte de um Intermediário de Crédito Vinculado é gratuito para o comprador. Ainda assim, muitos continuam a avançar sozinhos, confiando em informações incompletas ou, pior, em conselhos de quem não tem obrigação de proteger os seus interesses.

O crédito habitação é vendido como um processo simples e linear, mas não é. É complexo, exigente e cheio de armadilhas. O comprador que se lança sozinho nesta jornada assume riscos desnecessários e, muitas vezes, irreversíveis.

Por isso, é urgente desmistificar: ninguém deveria enfrentar este processo sem o acompanhamento de um profissional independente, capaz de analisar, comparar e defender o que realmente importa: o interesse do comprador.

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