A influência do Comércio Autónomo nas compras empresariais

Por Carlos Tur, Country Manager da JAGGAER para Espanha e Portugal

Vivemos tempos onde a capacidade produtiva da economia continua a crescer, mas as empresas nem sempre obtêm os bens necessários, por vários motivos além da pandemia.

Em 2021, várias mercadorias tiveram atrasos na entrega por falta de camionistas e os cargueiros esperaram dias fora dos portos para descarregar. A Korn Ferry refere que a escassez destes profissionais poderá significar perdas até 8,5 triliões de dólares para as empresas até 2030.

A falta de componentes foi outra barreira, a consultora AlixPartners revela que na indústria automóvel, o défice de semicondutores causou perdas de 210 mil milhões de dólares. As perturbações no abastecimento também pioraram na pandemia. O Relatório da Cadeia de Abastecimento Global da Interos 2021 estima que custam às empresas uma média de 184 milhões de dólares porano.

Além disto, a maioria das empresas adotou iniciativas para sustentabilidade, responsabilidade social e cibersegurança. Já não se trata apenas de comprar o mais barato possível, há que assegurar a conformidade dos fornecedores.

Desde o mercado retalhista de consumo até ao comércio online

Nos últimos 20 anos, o consumo evoluiu de experiência de retalho, com seleção limitada, para comércio online, que amplia a seleção, reduz preços e melhora serviços. A transformação (revolução do mercado de consumo) nasceu do online, de processos empresariais e automatização inteligente. Trata-se de aplicar estes princípios aos departamentos. Durante décadas, tem sido pedido aos gestores que façam mais com menos e na pandemia isso aumentou, especialmente pelos desafios de recrutamento e retenção.

Há um fator muito representativo: mais de 450 mil milhões de euros de bens circularam nas nossas redes em 2021. Tais volumes não podem ser tratados no atual ambiente competitivo e em mudança. A crise de bens e serviços, a escassez de material e a fuga de talentos forçam os líderes a redesenhar o modelo comercial. Face a esse impacto, é necessária uma forma mais ligada, mais inteligente e mais eficiente de condução: o Comércio Autónomo.

É um conceito onde compradores e fornecedores estão unidos numa rede acreditada, catalogada e pronta a transacionar. Ambos recebem recomendações que alinham as necessidades do comprador e as capacidades do fornecedor, pesando especificações do produto, preço, níveis de serviço, risco ou objetivos de sustentabilidade.

Neste universo, as tarefas mais repetitivas são executadas autonomamente por soluções inteligentes, permitindo foco em atividades estratégicas e de valor acrescentado. Cada transação é analisada pela Inteligência Artificial, ditando continuamente processos comerciais que melhoram tempos e reduzem custos. Para multinacionais com milhões de fornecedores, é dado ao comprador acesso a uma infinidade de fontes de abastecimento alinhadas com as suas necessidades.

Os clientes precisam de fontes de provimento fiáveis, maior escolha e preços mais baixos. Já os fornecedores precisam de um fluxo contínuo de recomendações que alinhem as suas capacidades com as necessidades dos compradores, aumentando a receita e expandindo negócio. A revolução do comércio autónomo traz benefícios a ambos.

Há três anos, definimos uma visão de como seria um mundo de Comércio Autónomo para as empresas. Esta visão é agora uma realidade que requer soluções em rede, inteligentes e escaláveis. Desde então, implantámos soluções que agregam estes princípios. Uma delas é o investimento em Inteligência Artificial e aprendizagem automática através de tecnologias como Digital Mind, que faz a ponte entre análise (pensamento) e automatização (ação), examinando erros e apresentando conselhos de resolução.

Todas estas ferramentas tornam as equipas de compras mais eficientes, ao mesmo tempo que identificam e executam oportunidades de poupança, controlo de custos e impacto dos gastos.

As organizações que se adaptaram ao mercado online prosperaram e as outras ficaram para trás. Felizmente para compradores e fornecedores, a revolução do Comércio Autónomo está apenas no início.

 

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