A IA não está só a substituir empregos — pode estar a impedir que eles comecem

Segundo dados citados pelo ‘Unilad Tech’, cerca de 32% das pessoas já receiam que a IA possa colocar o seu emprego em risco

Francisco Laranjeira

Durante décadas, houve uma regra quase universal no mercado de trabalho: todos começam por algum lado.

Um estágio. Um trabalho administrativo. Uma função simples que serve de entrada.

Mas esse primeiro degrau pode estar a desaparecer, referiu o site ‘Unilad Tech’.

E não por falta de candidatos.

O efeito invisível da inteligência artificial

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A inteligência artificial não está apenas a substituir empregos — está a eliminar tarefas.

E são precisamente essas tarefas que sustentavam muitos dos cargos de entrada: organização, agendamento, apoio administrativo, processamento de dados.

Segundo dados citados pelo ‘Unilad Tech’, cerca de 32% das pessoas já receiam que a IA possa colocar o seu emprego em risco.

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Mas há um problema mais profundo.

Sem início… não há percurso

Se os empregos de entrada desaparecem, o impacto não se fica por aí.

Nas redes sociais, muitos utilizadores começam a apontar o óbvio: se ninguém consegue entrar, ninguém chega a sénior.

“Um mundo sem cargos de entrada é um mundo sem cargos sénior”, escreveu um utilizador.

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Outro comentário resume o paradoxo: vagas para iniciantes… que exigem anos de experiência.

O que a IA ainda não consegue fazer

Apesar do avanço tecnológico, há uma linha que continua difícil de ultrapassar.

A inteligência artificial consegue executar tarefas. Mas não compreende totalmente o contexto.

Jossie Haines, ex-responsável de engenharia na Apple, explica que a IA pode automatizar processos — mas não substitui julgamento humano.

Pode tratar um problema. Mas não questionar por que razão ele existe.

E essa diferença continua a ser decisiva.

A reação começa a aparecer

Nem todos aceitam esta mudança de forma passiva.

Há quem critique empresas que substituem contacto humano por sistemas automatizados — desde apoio ao cliente até marcação de serviços.

Outros optam por denunciar ou penalizar esse tipo de prática.

Ainda são sinais dispersos. Mas revelam um desconforto crescente.

Um debate que já chegou à política

A discussão sobre os limites da inteligência artificial já não está apenas nas empresas.

Nos Estados Unidos, foi lançada uma investigação à OpenAI e ao ChatGPT, com foco em questões de segurança e impacto social.

As preocupações vão desde riscos para utilizadores até potenciais consequências mais amplas.

E o tom está a mudar.

Um futuro com menos portas de entrada?

A IA promete eficiência. Reduz custos. Automatiza processos.

Mas levanta uma questão difícil: o que acontece quando deixa de haver espaço para começar?

Porque o problema pode não ser apenas perder empregos.

Pode ser nunca chegar a tê-los.

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