A guerra no Irão chega às batatas fritas: gigante japonês vende embalagens a preto e branco… por falta de tinta

Medida, temporária, afeta 14 produtos da empresa, incluindo batatas fritas, snacks Kappa Ebisen e cereais Frugra

Francisco Laranjeira

A guerra e as tensões nas cadeias globais de abastecimento estão a chegar a produtos improváveis do quotidiano. No Japão, a Calbee, maior fabricante de batatas fritas do país, vai passar a vender algumas das suas embalagens em versões a preto e branco devido à escassez de materiais usados na produção de tintas, noticia o ‘El Mundo’.

A medida, temporária, afeta 14 produtos da empresa, incluindo batatas fritas, snacks Kappa Ebisen e cereais Frugra. As novas embalagens começam a chegar às prateleiras a partir de 25 de maio e vão usar apenas duas cores de tinta, numa tentativa de reduzir a dependência de matérias-primas cuja disponibilidade foi afetada pelo conflito no Médio Oriente.

Em causa está a nafta, um derivado do petróleo usado na produção de plásticos, tintas e corantes. A Calbee justificou a alteração com a instabilidade no fornecimento destes materiais e sublinhou que o conteúdo das embalagens não muda: os produtos mantêm a mesma qualidade e quantidade.

A empresa, sediada em Tóquio, é uma das marcas mais conhecidas do mercado japonês de snacks, com produtos vendidos em lojas de conveniência, supermercados e também exportados para países como Estados Unidos, China e Austrália. As suas embalagens coloridas fazem parte da identidade visual da marca, o que tornou a mudança particularmente visível para os consumidores.

O ‘El Mundo’ refere que o caso mostra como a guerra e a pressão sobre as cadeias internacionais de abastecimento podem afetar setores aparentemente distantes do conflito. Neste caso, não está em causa a falta de batatas, cereais ou snacks, mas sim um elemento secundário: a tinta usada para imprimir as embalagens.

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A vulnerabilidade é maior porque o Japão depende fortemente da importação de matérias-primas energéticas e petroquímicas. Segundo a ‘Reuters’, cerca de 40% da nafta importada pelo Japão vem do Médio Oriente, o que torna o país particularmente exposto a perturbações naquela região.

As autoridades japonesas têm tentado afastar a ideia de uma rutura generalizada no abastecimento, garantindo que estão a acompanhar a situação e a procurar rotas alternativas de importação. Ainda assim, a decisão da Calbee mostra que algumas empresas já estão a adaptar a produção para evitar falhas nas prateleiras.

A alteração das embalagens poderá parecer apenas uma curiosidade de supermercado, mas traduz um problema mais amplo: a dependência de materiais derivados do petróleo em setores que vão muito além da energia e dos combustíveis. A crise chega, neste caso, através de um detalhe quase invisível — a cor de um pacote de batatas fritas.

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