Num setor do retalho cada vez mais pressionado por margens reduzidas, volatilidade da procura e exigências crescentes dos consumidores, a tecnologia deixou definitivamente de ser apenas um suporte operacional para assumir um papel central na estratégia das empresas. A capacidade de garantir operações contínuas, responder a picos transacionais e extrair valor dos dados em tempo real tornou-se um fator crítico de competitividade num mercado onde a experiência do cliente e a eficiência caminham lado a lado.
É neste enquadramento que a infraestrutura tecnológica, a inteligência artificial e os novos modelos “as-a-service” emergem como pilares fundamentais da transformação do setor.
Em entrevista à Executive Digest, Gayle Levin, Head of Product Marketing da Hewlett Packard Enterprise, aborda os desafios da modernização tecnológica, o papel crescente da inteligência artificial na gestão de operações e as decisões estratégicas que os líderes terão de tomar para garantir a competitividade num setor em rápida transformação.
Num contexto de crescente pressão sobre as margens e a eficiência operacional, qual é o papel da infraestrutura tecnológica na garantia da continuidade do negócio?
Atualmente, a infraestrutura tecnológica deixou de ser uma função de suporte para se tornar um ativo estratégico diretamente ligado à continuidade do negócio. No retalho, onde cada transação conta, garantir disponibilidade constante, resiliência e segurança é crítico para proteger receitas e reputação.
A HPE tem vindo a trabalhar precisamente neste sentido: assegurar que a infraestrutura suporta operações contínuas, mesmo em cenários de elevada pressão.
Mais do que tecnologia, estamos a falar de gestão de risco operacional, que é hoje uma prioridade ao nível do CEO e da liderança executiva.
Pode partilhar exemplos concretos de como infraestruturas modernas têm ajudado empresas do setor a lidar com picos transacionais ou situações de crise?
Os picos transacionais, como campanhas promocionais, Black Friday ou períodos sazonais, são momentos críticos para qualquer retalhista. Nestes contextos, a capacidade de escalar e manter um desempenho consistente é essencial.
Infraestruturas baseadas em arquiteturas distribuídas e tolerantes a falhas, como as da HPE, garantem que as transações continuam a ser processadas sem interrupções, mesmo sob aumentos significativos de carga.
De que forma a IA aplicada à gestão de operações ajuda a antecipar falhas e a otimizar processos no retalho?
A aplicação de inteligência artificial à gestão de operações representa uma mudança de paradigma: passar de uma abordagem reativa para um modelo preditivo e autónomo.
Diversas plataformas permitem a redução de downtime, resolução mais rápida de incidentes e maior eficiência operacional.
Além disso, a IA permite correlacionar dados técnicos com dados de negócio, por exemplo, compreender de que forma o desempenho da rede impacta diretamente a experiência do cliente ou as taxas de conversão, reforçando a tomada de decisão informada.
Quais são os principais desafios na implementação de soluções de IA em ambientes altamente transacionais?
Um dos principais desafios é a integração com sistemas legacy, que muitas vezes não foram concebidos para suportar modelos de dados em tempo real ou arquiteturas orientadas por IA. Outro aspeto crítico é a qualidade e consistência dos dados. A IA depende de dados fiáveis e bem estruturados, o que exige investimento em governação e normalização.
Existe também a questão da escalabilidade e da latência, uma vez que, em ambientes transacionais, as decisões têm de ser tomadas em milissegundos, o que requer infraestruturas robustas capazes de processar dados tanto no edge como no core. É precisamente aqui que soluções integradas, que combinam conectividade, compute e analytics, como as da HPE, fazem a diferença, reduzindo a complexidade e acelerando o time-to-value.
Em que medida a análise de dados em tempo real pode transformar a tomada de decisão estratégica no setor do retalho?
A análise em tempo real está a transformar profundamente o retalho, pois permite passar de decisões baseadas em dados históricos para decisões baseadas no que está a acontecer no momento. Com acesso a dados sobre interações em loja, ocupação, desempenho dos sistemas e comportamento do cliente, os retalhistas podem ajustar operações quase instantaneamente, desde a gestão de filas à otimização de layouts ou à adaptação de campanhas.
A integração de analytics avançados em plataformas como as da HPE, incluindo inteligência de localização e insights de desempenho de rede, permite transformar dados operacionais em insights de negócio acionáveis. Isto cria uma vantagem competitiva clara num setor onde a agilidade é crítica.
Que vantagens oferecem os modelos tecnológicos “as-a-service” em termos de flexibilidade e previsibilidade financeira para os retalhistas?
Os modelos “as-a-service” respondem diretamente a uma necessidade crescente do negócio: alinhar o investimento em tecnologia com os resultados do negócio. Ao permitir um modelo baseado no consumo, estas abordagens reduzem o investimento inicial e convertem custos fixos em custos variáveis, aumentando a previsibilidade financeira e melhorando a gestão de tesouraria.
Além disso, oferecem flexibilidade para escalar recursos de acordo com a procura, o que é essencial num setor altamente variável como o retalho, evitando tanto a subprovisão como o sobreinvestimento.
Em que medida estes modelos contribuem para a modernização tecnológica sem comprometer a liquidez?
Desempenham um papel decisivo. Uma das principais barreiras à modernização tecnológica é precisamente o investimento inicial necessário. Com os modelos “as-a-service”, as empresas podem aceder a tecnologia de última geração sem CAPEX significativo, distribuindo o investimento ao longo do tempo e alinhando-o com a evolução do negócio.
Isto permite acelerar a transformação digital, implementar novas capacidades, como IA ou analytics em tempo real, e, simultaneamente, preservar liquidez para outras prioridades estratégicas.
Que tendências tecnológicas deverão moldar o setor do retalho nos próximos cinco anos?
Várias tendências estão claramente a emergir. Em primeiro lugar, a crescente adoção de inteligência artificial, não apenas para analytics, mas também para automação operacional e personalização da experiência do cliente.
Em segundo lugar, a consolidação de arquiteturas edge-to-cloud, permitindo o processamento de dados tanto em loja como no core, assegurando baixa latência e maior eficiência.
Outra tendência-chave é o reforço da cibersegurança, num contexto de maior exposição digital e exigências regulatórias crescentes.
Por fim, os modelos “as-a-service” continuarão a ganhar tração, permitindo maior agilidade e um alinhamento mais forte entre tecnologia e negócio.
Que decisões estratégicas devem os líderes empresariais tomar hoje para garantir a competitividade futura?
A decisão-chave é encarar a tecnologia como um investimento estratégico e não apenas operacional. Isto implica investir em infraestruturas resilientes e escaláveis, capazes de suportar crescimento e inovação, investir em dados e analytics como base da tomada de decisão e adotar modelos operacionais mais flexíveis, como o consumo “as-a-service”.
Ao mesmo tempo, é essencial reduzir a complexidade tecnológica, privilegiando plataformas integradas que combinem networking, compute e inteligência. Os líderes que conseguirem alinhar tecnologia, operações e experiência do cliente estarão melhor posicionados para competir num setor cada vez mais exigente e dinâmico.




