“A evolução do mercado de trabalho foi a chave para a melhoria das contas públicas de 2021”, afirma João Leão

O Ministro de Estado e das Finanças, João Leão, sublinhou que os valores hoje apresentados do défice são uma “boa notícia para os portugueses”, e que “a evolução do mercado de trabalho foi a chave para a melhoria das contas públicas de 2021”.

André Manuel Mendes
Março 25, 2022
12:00

O Ministro de Estado e das Finanças, João Leão, sublinhou que os valores hoje apresentados do défice são uma “boa notícia para os portugueses”, e que “a evolução do mercado de trabalho foi a chave para a melhoria das contas públicas de 2021”.

João Leão fala esta sexta-feira aos portugueses numa conferência de imprensa após a divulgação dos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativamente ao défice das Administrações Públicas, em contabilidade nacional, de 2021, que se fixou nos 2,8% do PIB em 2021, atingindo os 5 977,1 milhões de euros.



O governante sublinhou que durante o ano de 2020, devido à situação pandémica, a economia se ressentiu, mas em 2021 entrou numa trajetória de forte recuperação com a economia a crescer 4,9%.

Em resultado do bom momento da economia e do mercado de trabalho, o crescimento da receita (+18,9%) ultrapassou o da despesa (+0,3%), tendo a despesa primária aumentado 1,1%.

Leão sublinhou ainda os dados da evolução do mercado de trabalho no contexto atual, destacando que o emprego manteve uma “resiliência extraordinária” apesar da crise pandémica. Com efeito, em 2021 o emprego já superou em 0,6% o valor de 2019, atingindo o nível mais elevado desde 2011, e o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos oito anos.

“Os apoios concedidos deram um contributo fundamental para a evolução do mercado de trabalho no contexto de uma queda muito acentuada do PIB”, disse.

Portugal é um dos primeiros países da União Europeia a atingir um défice orçamental abaixo de um limiar de referência de 3% após o choque pandémico de 2020. Apenas um grupo restrito de 3 ou 4 países entre os 27 da União Europeia o terá atingido.

 

A melhor notícia para as empresa e famílias, segundo João Leão

Em 2021 a dívida pública retomou a trajetória de redução diminuindo de 135,2% em 2020 para 127,4% em 2021, trajetória que apenas tinha sido interrompida pela pandemia em 2020, a “maior queda percentual da dívida pública desde pelo menos a II Guerra Mundial, e esta é a melhor notícia para as empresas e famílias portuguesas”.

 

PIB recupera 5% em 2022

O Governo prevê uma forte recuperação do PIB de 5% em 2022 e 3,3% em 2023, beneficiando do efeito da recuperação pós-Covid e do PRR.

Para além disso, numa perspetiva a longo prazo, o Governo espera uma recuperação do PIB na ordem dos 2,6% em 2026, acima das previsões médias europeias que se situam nos 2,1%.

O Ministério das Finanças vai entregar o Programa de Estabilidade esta sexta-feira na Assembleia da República.

 

Números num contexto de elevada incerteza

João Leão destacou o clima de incerteza que paira atualmente em todo o território europeu, alertando que, a curto prazo, poderemos assistir a uma crise energética com restrições da oferta devido às restrições do gás russo, à subida do preço da energia e a problemas nas cadeias de abastecimento.

A médio prazo poderemos alcançar um período de estagflação devido a subidas acentuadas das taxas de juro por parte do BCE que podem resultar em dificuldades de financiamento para empresas e famílias

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