A esperança da incerteza ou a incerteza da esperança: Opinião de Manuel Lopes da Costa, Country Managing Partner da BearingPoint Portugal

No princípio de 2020 todos mantínhamos convictos a esperança de que o ano iria ser muito melhor que o anterior. Todavia, com os rumores de uma doença que se aproximava, vinda do longínquo oriente, ia crescendo a incerteza. Igualmente, a incerteza da dimensão do fenómeno aliou-se à esperança de que o seu impacto não fosse tão profundo, como alguns analistas e especialistas o faziam crer.

A esperança de que os responsáveis, os técnicos e respectivas organizações de saúde nacionais e internacionais, iriam analisar o fenómeno, da melhor forma, com base em dados e informações credíveis e fidedignas, coexistia com a incerteza focada nos casos reais a acontecer em países mediterrânicos próximos. Todo este cenário real de medo, ansiedade e apreensão tomou conta das nossas vidas.

Seguidamente, vivemos a incerteza da benevolência de um confinamento rigoroso, com impacto significativo na vida económica e privada, quer das empresas, quer das pessoas. Impacto esse, como há muito não se via no mundo ocidental.

Com esperança, acreditámos que todas essas medidas seriam eficazes para ultrapassar, rapidamente, essas dificuldades, crendo que o uso massificado de tecnologia de comunicação remota, como nunca antes experimentado, permitiria revolucionar a nossa forma de interagir com os outros, de trabalhar e minimizar os impactos do fenómeno que estávamos a vivenciar, na sociedade.

Com o passar do tempo, nasceu a esperança do desconfinamento, do regresso ao novo normal, do retorno à convivência e aos negócios. No entanto, permaneceu a incerteza que este novo normal fosse suficiente e permitisse que não voltássemos a experimentar outra situação de confinamento e restrições.

Essa incerteza foi novamente crescendo à medida que foram crescendo os casos, as infecções e o alastramento do maldito vírus, por entre a população, obrigando a novas medidas de restrição às nossas liberdades e garantias.

Desta vez, a esperança residiu nos actos dos governantes e que estes fossem baseados em informações fidedignas e científicas, e não meramente conjunturais e seguidistas, replicando decisões e acções tomadas noutras geografias.

Todavia, a esperança parece ter renascido a Este, onde a eleição do novo presidente dos EUA foi recebida em grande júbilo, pela larga maioria da população do planeta.

No entanto, permanece a incerteza de sabermos, em concreto, se essa nova dupla conseguirá, atempadamente, minimizar os impactos das consequências do imobilismo, da anterior presidência. 2020 está a terminar. Um ano pleno de incertezas pelo que, infelizmente, não sabemos bem como irá acabar. Porém, unanimemente, a vontade é que termine depressa, na esperança de que o próximo seja, certamente, melhor. A Esperança reside na nova vacina, que começou a ser administrada, e que esta consiga, de facto, pôr fim à situação ruinosa, que nos atinge a todos, embora com a incerteza do tempo que pacientemente ainda teremos que esperar, até que consigamos voltar à rua sem máscara.

Desejo a todos um excelente ano novo, e que apesar das incertezas que ainda temos, o mesmo seja cheio de esperança, em tudo diferente do que agora finda e que possamos avançar rapidamente como sociedade, como economia, como raça humana.

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 177 de Dezembro de 2020

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