A economia mundial ainda cresce, mas economistas apontam três riscos que estão a preocupar os investidores

A economia mundial deverá continuar a crescer acima da tendência na segunda metade de 2026 e nos anos seguintes, impulsionada pelo investimento em IA, pelo consumo resiliente e pelo alívio da política orçamental.

André Manuel Mendes

A economia mundial deverá continuar a crescer acima da tendência na segunda metade de 2026 e nos anos seguintes, impulsionada pelo investimento em inteligência artificial (IA), pelo consumo resiliente e pelo alívio da política orçamental.

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A previsão é da Aberdeen Investments, que, na sua análise trimestral House View para o terceiro trimestre, alerta, contudo, para uma maior volatilidade da inflação, riscos geopolíticos e sinais de uma fase mais avançada do ciclo económico.

A gestora de ativos estima que o crescimento global atinja cerca de 3,2% este ano, apesar de a inflação permanecer elevada na sequência do recente choque energético. Embora o contexto macroeconómico continue a favorecer os ativos de risco, a Aberdeen considera que o nível de incerteza é elevado e limita a convicção dos investidores.

“A economia global continua a demonstrar resiliência, apoiada pelos fortes resultados das empresas e pela continuidade do ciclo de investimento em IA. No entanto, estamos claramente numa fase mais complexa do ciclo, em que os riscos geopolíticos permanecem elevados e os choques inflacionistas são mais frequentes”, afirma Peter Branner, Chief Investment Officer da Aberdeen Investments.

O cenário central da gestora prevê uma estabilização dos mercados petrolíferos e a continuidade da expansão económica, embora os riscos extremos permaneçam significativos. Neste contexto, a Aberdeen recomenda uma postura ainda construtiva face aos ativos de risco, mas defende uma maior diversificação e resiliência das carteiras.

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A inflação deverá permanecer acima do anteriormente previsto devido aos efeitos persistentes da energia, embora as pressões subjacentes tendam a moderar-se. Por isso, a gestora antecipa que os bancos centrais poderão alterar as taxas de juro menos do que os mercados atualmente esperam.

Nos Estados Unidos, a Reserva Federal deverá manter as taxas inalteradas durante 2026, retomando os cortes apenas em 2027. Também o Banco de Inglaterra e o Banco Central Europeu deverão interromper o ciclo de subida das taxas, enquanto o Banco do Japão deverá continuar a aumentá-las de forma gradual.

Na China, o crescimento continua a beneficiar da procura associada à IA e às tecnologias verdes. No entanto, a fragilidade do consumo interno e os desafios no setor imobiliário deverão levar Pequim a adotar novas medidas de estímulo direcionadas.

Os mercados emergentes mantêm, de forma geral, uma perspetiva resiliente, apoiados pelo investimento relacionado com a IA, embora com diferenças significativas entre regiões.

“A economia global entrou num regime de maior volatilidade da inflação, impulsionada em parte pela geopolítica e pelas perturbações nas cadeias de abastecimento. Embora o choque energético esteja a revelar-se temporário, futuros choques do lado da oferta poderão tornar-se mais frequentes”, afirma Paul Diggle, Chief Economist da Aberdeen Investments.

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Segundo o economista, este cenário aumenta a probabilidade de períodos em que as ações e as obrigações evoluem na mesma direção, reforçando a importância de diversificar os investimentos por diferentes classes de ativos e regiões.

 

Emergentes e imobiliário entre as apostas

A gestora mantém uma visão positiva sobre as obrigações e ações dos mercados emergentes, que continuam a apresentar um crescimento superior às tendências registadas antes da pandemia. A dinâmica é particularmente evidente na Ásia emergente, onde o investimento associado à IA constitui um importante motor de crescimento.

O recente choque energético poderá penalizar temporariamente os países que não são exportadores de matérias-primas, mas os fatores estruturais continuam a ser favoráveis. Na América Latina, várias economias mantêm margem para novos cortes nas taxas de juro. Ainda assim, a dispersão de desempenho entre mercados está a aumentar, com os ganhos cada vez mais concentrados num grupo restrito de exportadores ligados à tecnologia.

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No crédito privado, a Aberdeen mantém uma posição neutra, refletindo preocupações crescentes relacionadas com uma fase mais avançada do ciclo económico. Os segmentos de investment grade continuam resilientes e oferecem um prémio de rendimento atrativo face aos mercados públicos, mas começam a surgir sinais de pressão em algumas áreas do mercado de direct lending, nomeadamente ao nível dos critérios de concessão de crédito, da liquidez dos fundos e do risco de deterioração das condições à medida que o ciclo económico avança.

Já no imobiliário direto global, a gestora mantém uma visão positiva, sustentada pela procura resiliente dos arrendatários e pela estabilidade dos fluxos de rendimento. A evolução está a tornar-se mais equilibrada entre regiões e setores, refletindo a melhoria dos fundamentos, embora alguns segmentos, como o alojamento estudantil no Reino Unido, continuem a ser considerados menos atrativos.

A infraestrutura é, por sua vez, uma das áreas onde a Aberdeen mantém uma visão mais otimista. A digitalização, a descarbonização e o aumento da despesa em defesa deverão gerar necessidades significativas de investimento em todo o mundo e uma oferta sustentada de oportunidades.

A gestora antecipa ainda um papel crescente do capital privado no financiamento destas necessidades. Embora as energias renováveis continuem a dominar o volume de transações, as infraestruturas digitais estão a conquistar uma fatia cada vez maior do valor total investido. As avaliações são, segundo a Aberdeen, geralmente mais atrativas nas operações de pequena e média dimensão.

No conjunto, a gestora considera que ações e obrigações deverão manter um desempenho moderadamente positivo, com a inteligência artificial a continuar a ser um dos principais motores dos mercados. A maior volatilidade da inflação, a geopolítica e os riscos associados à fase avançada do ciclo económico deverão, contudo, exigir uma abordagem mais diversificada e seletiva por parte dos investidores.

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