A crise silenciosa de 2026: 37% dos CEO não conseguem encontrar talento qualificado

A economia global enfrenta um desafio silencioso, mas crítico, rumo a 2026: a falta de talento qualificado. Uma recente sondagem da “The Conference Board C-Suite Outlook 2026 – Global Summary”, intitulada “Uncertainty and Opportunity: The CEO Playbook for 2026”, revela que 37,2% dos CEO consideram encontrar trabalhadores com as competências adequadas como o principal desafio interno das suas organizações.

André Manuel Mendes

A economia global enfrenta um desafio silencioso, mas crítico, rumo a 2026: a falta de talento qualificado. Uma recente sondagem da “The Conference Board C-Suite Outlook 2026 – Global Summary”, intitulada “Uncertainty and Opportunity: The CEO Playbook for 2026”, revela que 37,2% dos CEO consideram encontrar trabalhadores com as competências adequadas como o principal desafio interno das suas organizações.

O estudo confirma uma tendência crescente nos últimos anos, em que a transformação digital, a inteligência artificial e a evolução dos modelos de negócio avançam mais rapidamente do que a formação de profissionais capazes de os implementar. O problema não se limita à disponibilidade de trabalhadores, mas centra-se também na falta de competências específicas para um mercado cada vez mais tecnológico e especializado.

Entre os principais desafios apontados pelos executivos destacam-se a necessidade de encontrar colaboradores com as competências certas, a exigência crescente de salários mais elevados por parte dos funcionários, a adoção de novas tecnologias e a lacuna de habilidades necessárias para executar estratégias corporativas. Estes fatores evidenciam que a crise de talento tem múltiplas dimensões, desde a escassez de competências técnicas até à pressão por inovação e adoção tecnológica.

A situação varia consoante a região do mundo. O Japão surge como o país mais afetado, com 55,4% dos CEO a reportarem dificuldades em recrutar trabalhadores qualificados. Na Europa, 42,8% dos líderes empresariais manifestam preocupações semelhantes, enquanto na América do Norte, o desafio está impulsionado pela digitalização acelerada e pela concorrência por perfis tecnológicos. Em muitos casos, a escassez de talento está ligada a fatores demográficos, envelhecimento da população e alterações no mercado de trabalho.

O impacto desta carência de competências é direto na execução da estratégia empresarial. Muitas empresas enfrentam dificuldades na implementação de planos de crescimento por não dispor das habilidades necessárias nos seus quadros, resultando em atrasos na adoção de tecnologias, menor velocidade de inovação, dificuldade na execução de estratégias digitais e aumento dos custos laborais.

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Curiosamente, o avanço da inteligência artificial contribui também para ampliar a lacuna de competências. A integração de ferramentas de IA exige profissionais capazes de implementá-las, gerir os seus efeitos e medir o retorno do investimento, o que constitui outro desafio para muitas organizações.

Para enfrentar esta crise, os CEO estão a redefinir a gestão do capital humano. Entre as estratégias adotadas destacam-se programas de formação e reskilling, automatização de processos, procura de talento em mercados internacionais, melhorias na compensação e benefícios para atrair perfis-chave, e desenvolvimento de liderança interna. As prioridades organizacionais para 2026 incluem produtividade, desenvolvimento de liderança e fortalecimento das competências dos colaboradores, refletindo a urgência de responder à escassez de talento num contexto global cada vez mais competitivo.

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