A cor do fato de banho pode salvar vidas? Especialistas revelam quais são as mais seguras para crianças

Com a chegada do verão e o aumento das atividades em piscinas, praias, lagos e passeios de barco, especialistas em segurança aquática estão a chamar a atenção para um fator frequentemente ignorado pelos pais: a cor do fato de banho das crianças.

Pedro Zagacho Gonçalves

Com a chegada do verão e o aumento das atividades em piscinas, praias, lagos e passeios de barco, especialistas em segurança aquática estão a chamar a atenção para um fator frequentemente ignorado pelos pais: a cor do fato de banho das crianças.

Embora a prevenção de afogamentos continue a depender sobretudo da supervisão constante dos adultos, de aulas de natação e de outras medidas de segurança, especialistas defendem que a escolha da cor do vestuário pode ajudar a tornar uma criança mais visível dentro de água, facilitando uma resposta rápida em situações de emergência.

O alerta surge numa altura em que o afogamento continua a representar uma das principais causas de morte infantil. Segundo os dados citados no artigo, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que o afogamento é a segunda principal causa de morte entre crianças dos 1 aos 4 anos.

Estudo analisou visibilidade de diferentes cores
A empresa Alive Solutions, especializada em segurança aquática, realizou em 2020 um estudo informal para avaliar a visibilidade de diferentes cores de fatos de banho em vários ambientes aquáticos.

Os testes foram realizados em piscinas de fundo claro, piscinas de fundo escuro e lagos, procurando simular aquilo que um adulto conseguiria observar a partir da margem, do cais, de uma embarcação ou do exterior da piscina.

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Segundo Natalie Livingston, cofundadora da Alive Solutions, a iniciativa surgiu da experiência acumulada em investigações relacionadas com afogamentos.

“Realizamos investigações sobre afogamentos e sabemos que a visibilidade é importante para reconhecer situações de afogamento”, explicou. “Como nadadores-salvadores e profissionais da área aquática, sabemos que existem fatores que podem tornar uma pessoa mais fácil ou mais difícil de ver dentro de água.”

A especialista acrescentou que a equipa começou a analisar os fatos de banho utilizados pelas próprias crianças e percebeu que muitos pais escolhiam peças visualmente apelativas, mas que poderiam tornar os menores praticamente invisíveis debaixo de água.

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“Muitos pais escolhiam fatos de banho muito bonitos e na moda, mas que podiam fazer com que os seus filhos desaparecessem visualmente sob a água”, afirmou.

Cores fluorescentes destacam-se nas piscinas
Os resultados mostraram que as cores fluorescentes, sobretudo aquelas que criam maior contraste com o ambiente aquático, apresentaram o melhor desempenho em praticamente todos os cenários analisados.

Nas piscinas de fundo claro, os fatos de banho fluorescentes cor-de-rosa e laranja foram os mais fáceis de identificar, mesmo quando existia agitação na superfície da água.

Em sentido contrário, os fatos de banho brancos e azuis claros revelaram-se os mais difíceis de distinguir.

As cores escuras, como preto ou roxo, mantiveram alguma visibilidade, mas os especialistas não as recomendam por poderem ser confundidas com sombras, folhas ou outros elementos presentes no fundo da piscina.

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Lagos e piscinas escuras exigem escolhas diferentes
Nos lagos e nas piscinas com fundo escuro, os resultados variaram ligeiramente.

Nestes ambientes, os fatos de banho fluorescentes laranja, verde e amarelo foram os que mais se destacaram visualmente.

Curiosamente, o cor-de-rosa fluorescente, que obteve bons resultados em piscinas claras, mostrou-se menos eficaz em ambientes naturais como lagos.

Já os fatos de banho brancos mantiveram alguma visibilidade, mas podem ser confundidos com reflexos da luz na superfície da água, motivo pelo qual também não são aconselhados.

“O objetivo era mostrar às pessoas como podem permanecer mais visíveis e também demonstrar que a água é difícil de observar. Não é como olhar através do ar”, explicou Livingston. “De uma forma geral, as cores fluorescentes ficaram à frente em todas as categorias.”

A profundidade continua a ser um fator crítico
O estudo revelou ainda uma conclusão considerada importante pelos especialistas: mesmo as cores mais visíveis perdem eficácia à medida que a profundidade aumenta.

No cenário dos lagos, a cerca de 60 centímetros de profundidade, a visibilidade caiu praticamente para zero em todas as cores testadas.

Essa constatação reforça a importância da utilização de coletes salva-vidas em ambientes de águas abertas.

Os especialistas recordam que coletes salva-vidas ajudam a manter os utilizadores à superfície, aumentando significativamente a sua visibilidade e reduzindo o risco de afogamento.

Por outro lado, dispositivos insufláveis como braçadeiras, boias circulares ou outros acessórios semelhantes não são considerados equipamentos de segurança.

Cor do fato de banho não substitui medidas essenciais
Apesar da utilidade potencial das cores mais visíveis, os especialistas alertam que a escolha do fato de banho não deve ser encarada como uma medida de proteção principal.

Mario Vittone, antigo nadador-salvador da Guarda Costeira norte-americana e especialista em afogamentos, considera que evitar cores como branco ou azul é uma decisão sensata, mas rejeita a ideia de que os fatos de banho fluorescentes sejam, por si só, mais seguros.

“Se a cor do fato de banho entra em jogo, então provavelmente o afogamento já aconteceu”, afirmou.

O especialista acrescentou que conseguir localizar rapidamente uma criança no fundo da piscina é importante, mas muito menos eficaz do que impedir que ela chegue a essa situação.

“Uma criança com um fato de banho azul-claro que tenha tido aulas de natação e esteja numa piscina bem vigiada está incomparavelmente mais segura do que uma criança com um fato de banho amarelo fluorescente que nunca teve aulas de natação numa piscina com apenas um nadador-salvador desatento”, sublinhou.

Supervisão constante continua a ser a regra principal
Os especialistas são unânimes ao afirmar que nenhuma medida substitui a vigilância permanente dos adultos.

A Academia Americana de Pediatria recorda que mesmo crianças com competências avançadas de natação continuam sujeitas ao risco de afogamento.

Por esse motivo, as aulas de natação devem ser encaradas apenas como uma camada adicional de proteção e não como uma garantia absoluta de segurança.

Vittone reforçou que os adultos devem manter uma atenção constante e sem distrações quando as crianças estão na água.

“Observe — com os olhos — as crianças que estão na água durante todo o tempo em que estiverem na água”, aconselhou.

O especialista recomenda ainda que, quando existe um grupo de adultos, seja designado um “vigia da água”, responsável exclusivamente por supervisionar as crianças, alternando essa função a cada 15 minutos para evitar fadiga ou perda de atenção.

A pediatra e antiga nadadora-salvadora Sarah Denny resumiu o problema com uma frase frequentemente citada pelos especialistas:

“Quando todos estão a vigiar, ninguém está realmente a vigiar.”

Afogamentos são muitas vezes silenciosos
Outro dos alertas deixados pelos especialistas prende-se com a forma como os afogamentos acontecem.

Ao contrário da imagem frequentemente retratada em filmes e séries, a maioria dos afogamentos não envolve gritos, chapinhar intenso ou pedidos de ajuda.

Vittone descreveu o fenómeno como “quase sempre um acontecimento enganadoramente silencioso”.

O especialista recomenda atenção a sinais como a cabeça inclinada para trás, boca ao nível da água, dificuldade em respirar, olhos vazios ou muito abertos, cabelo a tapar o rosto ou movimentos que parecem tentar subir uma escada invisível.

“Quando as crianças estão a brincar na água fazem barulho. Quando ficam em silêncio, vá imediatamente perceber porquê”, alertou.

Barreiras físicas e formação em reanimação também são recomendadas
Além da supervisão direta, os especialistas defendem a instalação de barreiras de proteção em torno de piscinas e jacuzzis, incluindo vedações de quatro lados com portões de fecho automático.

Quando a piscina se encontra junto à habitação, recomendam ainda alarmes nas portas e sistemas de deteção de entrada na água.

A aprendizagem de técnicas de reanimação cardiopulmonar (RCP) é igualmente apontada como uma ferramenta essencial.

Segundo Natalie Livingston, a resposta a uma vítima de afogamento difere da abordagem utilizada noutros tipos de paragem cardiorrespiratória.

“Os primeiros cuidados a prestar em situações de afogamento começam pelo fornecimento de ar. O tempo sem oxigénio é determinante para o resultado final, por isso iniciar com ventilações é extremamente importante”, explicou.

Especialistas defendem abordagem multifacetada
A mensagem deixada pelos especialistas é clara: a escolha de uma cor mais visível para o fato de banho pode constituir uma ajuda adicional, mas nunca substitui as medidas fundamentais de prevenção.

Aulas de natação, utilização de coletes salva-vidas quando apropriado, barreiras físicas, conhecimento de RCP e, sobretudo, supervisão contínua e sem distrações continuam a ser as estratégias mais eficazes para reduzir o risco de afogamento infantil.

Ainda assim, perante a possibilidade de aumentar a visibilidade das crianças dentro de água, os especialistas recomendam que os pais considerem optar por cores fluorescentes, especialmente laranja, amarelo e verde, quando escolhem os fatos de banho para este verão.

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