“A cibersegurança não é apenas uma questão técnica, mas um risco estratégico para o negócio”, alerta o CISO da Fortinet

As contratações na área da cibersegurança continuam praticamente estagnadas, num contexto em que as organizações enfrentam um aumento da sofisticação dos ciberataques e uma crescente utilização de inteligência artificial por parte dos criminosos.

André Manuel Mendes

As contratações na área da cibersegurança continuam praticamente estagnadas, num contexto em que as organizações enfrentam um aumento da sofisticação dos ciberataques e uma crescente utilização de inteligência artificial por parte dos criminosos.

O estudo 2026 Global Cybersecurity Skills Gap Report da Fortinet, baseado em respostas de mais de 2.750 decisores de TI e cibersegurança em 32 países, mostra que a lacuna de competências continua a ser um problema estrutural no setor, com impacto direto na frequência e custo dos incidentes de segurança.

Segundo o relatório, 86% das organizações sofreram pelo menos um incidente de segurança nos últimos 12 meses, enquanto 52% indicam prejuízos superiores a 1 milhão de dólares — um aumento face aos 38% registados em 2021.

A escassez de competências em cibersegurança mantém-se entre as principais causas de incidentes pelo terceiro ano consecutivo, apontada por 56% dos líderes inquiridos. Cerca de metade das organizações (49%) refere ainda dificuldades em obter aprovação para contratar mais talento especializado.

O relatório destaca também o impacto da inteligência artificial no aumento da complexidade dos riscos. Apenas 50% dos líderes consideram que os conselhos de administração estão totalmente conscientes dos riscos associados à IA, enquanto 63% antecipam um aumento da necessidade de funções ligadas à supervisão e governação desta tecnologia nos próximos três anos.

Continue a ler após a publicidade

Apesar disso, a adoção de IA na segurança é já generalizada: 91% das organizações utilizam ou estão a testar ferramentas de cibersegurança baseadas em IA, com 84% a afirmar ganhos de eficiência. Ainda assim, 44% apontam a defesa contra ataques potenciados por IA como uma das principais preocupações.

Recrutamento e formação tornam-se prioridade

Apesar da escassez de talento, o investimento em formação está a crescer. O estudo indica que 92% das organizações estão dispostas a financiar certificações em cibersegurança para os seus colaboradores, um aumento face aos 73% registados em 2025.

Continue a ler após a publicidade

A aposta em programas de desenvolvimento também se intensifica: 92% recorrem a estágios e parcerias para atrair talento, enquanto 59% desenvolvem programas internos de formação e reskilling.

Segundo a Fortinet, a combinação entre tecnologia, formação contínua e estratégia organizacional será determinante para reduzir a lacuna de competências e reforçar a resiliência das empresas.

“A cibersegurança não é apenas uma questão técnica, mas um risco estratégico para o negócio”, refere Carl Windsor, CISO da Fortinet, sublinhando que o reforço do investimento é essencial para responder aos desafios da IA e à escassez de profissionais qualificados.

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.