As pequenas e médias empresas (PME) desempenham um papel fundamental na geração de emprego e no contributo para o PIB, representando atualmente 99,9% do total das empresas em Portugal.
A Executive Digest falou com Nuno Santos, CEO & Co-founder Vendus & Racius, e também promotor da PME Summit 2023, para perceber as oportunidades e os desafios das PME em Portugal, e também a sua importância para a Economia.
Como descreveria o atual cenário das PME em Portugal?
O cenário atual é composto por desafios e ao mesmo tempo por oportunidades.
No lado dos desafios, as PME debatem-se todos os dias com a elevada carga fiscal, encargos sociais, acesso ao financiamento, desafios tecnológicos entre outros aspetos que dificultam o normal desenvolvimento das operações.
Mas também é verdade que vivemos numa época repleta de oportunidades, aliás, nunca foi tão fácil vender para qualquer parte do mundo, aceder a informação e conhecimento à distância de um clique e ter acesso a tecnologia que nos permite elevar os níveis de competitividade e ombrear com grandes empresas que ao contrário das PME, são mais lentas a reagir, devido às estruturas pesadas e longas cadeias de decisão, que lhes são características.
Cabe às nossas PME e aos seus gestores, terem a capacidade de identificar as oportunidades do mercado e desenvolverem a resiliência necessária para resistirem às adversidades, o que no final do dia, acaba por ser uma espécie de processo de seleção natural das empresas.
Quais são os principais desafios enfrentados pelas PMEs em Portugal atualmente?
Conforme identificado anteriormente, existem vários desafios que as nossas PME enfrentam como a limitação de recursos, gestão do pessoal, resposta às externalidades negativas (como o caso do conflito armado na Ucrânia ou inflação), concorrência internacional, entre muitos outros.
No presente momento, acredito que os principais desafios estão relacionados com a elevada carga fiscal e a necessidade de desenvolver o eixo de diferenciação nas propostas de valor das empresas, para que possam ser consideradas competitivas perante os seus pares.
Como é que o ambiente regulatório e fiscal afeta as operações das PMEs no país?
O ambiente regulatório e fiscal desempenham um papel crítico nas operações das PME em qualquer país, incluindo Portugal.
São fatores que influenciam significativamente a capacidade de crescimento e a competitividade das empresas, e infelizmente, a carga fiscal que se faz sentir em Portugal é, para a maioria das PME, asfixiante e limitativa.
Por outro lado, os processos administrativos e burocracia excessiva, vêm agravar a situação das empresas, prova disso, são os programas de incentivos que muitas não são executados na sua totalidade devido ao claro excesso de burocracias, impedindo muitas PME de acederem a financiamento e fundos, que poderiam ser utilizados para o crescimento e competitividade das organizações.
Diria que o ambiente regulatório e fiscal têm um impacto substancial na rentabilidade, eficiência operacional e crescimento das PME, como tal, é fundamental que as empresas tenham em consideração estes fatores e procurem estratégias e ajuda especializada, para minimizar os desafios e aumentar a otimização fiscal das suas organizações.
Qual é a importância das PME na economia de Portugal em termos de geração de empregos e contribuição para o PIB?
As PME desempenham um papel absolutamente fundamental na geração de emprego e no contributo para o PIB, até porque representam 99,9% do total das empresas, dos quais 96% correspondem a micro empresas, organizações que empregam menos de 10 pessoas e volume de negócio anual inferior a 2 milhões de euros.
Segundo o relatório da União Europeia sobre a performance das PME, em 2021, as PME geraram cerca de 76% dos empregos em Portugal e cerca de 67,7% do valor adicionado bruto.
Em resumo, as PMEs desempenham um papel crítico na economia portuguesa, sendo responsáveis por uma parte considerável na geração de emprego, na diversificação econômica e no desenvolvimento regional.
Que estratégias podem usar as PMEs para potenciar os seus negócios?
Existem várias estratégias e táticas que as PME podem adotar para potenciar o seu negócio, contudo, aquela aparenta ser mais transversal, é a transformação digital.
A digitalização e a presença online são hoje componentes do negócio cruciais para o sucesso das PME. A transformação digital não é apenas uma oportunidade, é também uma forma de manter a competitividade, num mundo em constante evolução.
O investimento em marketing digital desempenha um papel crítico nesta estratégia, porque permite aumentar a visibilidade, autoridade e notoriedade da marca e ainda alcançar o público-alvo desejado de uma forma segmentada e rápida. Existem vários canais que podem ser explorados, como anúncios, email marketing, redes sociais, SEO – Otimização para Motores de Busca, entre outros.
Mas a digitalização não se limita apenas à presença online, engloba também a adoção de tecnologias que otimizam os processos das empresas e aumentam os níveis de produtividade, como é o caso da adoção de um CRM que permite melhorar a relação com clientes e prospects, reduzindo os potenciais pontos de fricção
Em suma, a transformação digital é essencial para que as PME se mantenham relevantes e competitivas, estendendo-se a todos os aspectos do negócio. É, sem sombra de dúvida, um caminho que as empresas devem percorrer não apenas para sobreviver mas para prosperarem num cenário altamente dinâmico e em constante mutação.
Como é que as PMEs portuguesas estão a abordar questões como a sustentabilidade e a responsabilidade social corporativa?
Existe um reconhecimento crescente por parte das PMEs no que toca à sustentabilidade e responsabilidade social, algo que tem vindo a ser motivado por iniciativas governamentais mas também pela maior exigência do consumidor no que concerne a estes temas.
Muitas PME adotaram práticas para redução de consumo energético, utilização de energias renováveis, reciclagem, incorporação de materiais sustentáveis na cadeia de produção entre outros exemplos.
No âmbito da responsabilidade social, assistimos à adoção de práticas que procuram gerar valor para a comunidade local bem como para os colaboradores da empresa. Estas podem variar, desde a participação em atividades de voluntariado, teletrabalho, patrocínios de eventos locais, apoio a Pais com crianças em idade pré-escolar entre outras medidas, que resultam num impacto imediato positivo, quer na comunidade local como nos colaboradores.
Acredito piamente que muitas PMEs gostariam de ir mais longe nas suas iniciativas, mas é facto que muitas vezes se deparam com desafios e restrições na aplicação dos seus recursos, que são na maioria dos casos bastante limitados. Apesar de tudo isto, a perceção é que o nível de consciencialização das PMEs para estes temas é cada vez maior.
Que evento é a PME Summit? Quais os objetivos e a quem se dirige?
O PME Summit é o maior evento online gratuito para PME’s. O nosso objetivo é partilhar conhecimento e estratégias de sucesso com empresários, empreendedores e freelancers que procuram maximizar os resultados dos seus negócios.
Por essa razão, convidamos especialistas de referência a nível nacional que vão abordar temas transversais às empresas como marketing, vendas, finanças, contabilidade, apoios ao investimento,liderança, empreendedorismo e ainda alguns casos de sucesso.
No presente momento, contamos com mais de 3.000 inscritos e acreditamos que será um evento memorável que vai acrescentar muito valor aos seus participantes.














