“A capacidade de escalar a digitalização e a IA será determinante para garantir competitividade e crescimento sustentável”, diz Partner da Deloitte

As seguradoras a operar em Portugal estão a acelerar a transformação digital e começam a integrar de forma mais consistente soluções de Inteligência Artificial generativa (GenAI), num contexto marcado por pressão de custos, escassez de talento e limitações tecnológicas.

André Manuel Mendes

 

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As seguradoras a operar em Portugal estão a acelerar a transformação digital e começam a integrar de forma mais consistente soluções de Inteligência Artificial generativa (GenAI), num contexto marcado por pressão de custos, escassez de talento e limitações tecnológicas.

Segundo a primeira edição do Observatório do Mercado Segurador Português, desenvolvido pela Deloitte, cerca de uma em cada cinco seguradoras já utiliza GenAI de forma significativa em pelo menos uma função de negócio.

O estudo recolheu contributos de 32 executivos de topo, de 15 companhias de seguros que representam aproximadamente 80% da quota de mercado nacional, e traça um retrato de um setor resiliente, mas confrontado com desafios estruturais.

Para Nuno Schäller Gonçalves, Partner e líder para o setor segurador da Deloitte, “o setor em Portugal demonstra resiliência e uma ambição clara de transformação, contudo ainda existe um desfasamento relevante entre a visão estratégica e a execução tecnológica. A capacidade de escalar a digitalização e a Inteligência Artificial (IA) será, por isso, determinante para garantir competitividade e crescimento sustentável nos próximos anos”, acrescenta.

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Custos, talento e sistemas core no centro das preocupações

Entre os principais entraves ao crescimento nos próximos cinco anos estão a gestão de custos e a eficiência operacional, a atração e retenção de talento com competências digitais e analíticas e a necessidade de modernizar sistemas core, muitas vezes com mais de 15 anos, rígidos e pouco integrados.

Metade das seguradoras inquiridas opera ainda com sistemas com mais de 15 anos e 63% identifica os seus sistemas core como um ponto a melhorar. Apenas 3% reconhece atualmente estes sistemas como geradores de impacto positivo no negócio.

Apesar do enquadramento exigente, o setor mantém uma perspetiva positiva. Transformação digital, inovação da oferta e melhoria da experiência do cliente surgem como os principais motores de crescimento nos próximos cinco anos. Fusões e aquisições ganham também relevância estratégica, sobretudo como via para ganhar escala e acelerar a incorporação de novas capacidades.

IA e GenAI com potencial transformador, mas adoção ainda limitada

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A Inteligência Artificial está preparada para transformar várias áreas da cadeia de valor seguradora, desde a subscrição e deteção de fraude até ao atendimento ao cliente e gestão de sinistros. No entanto, a sua aplicação prática continua desigual.

As áreas de Marketing, Vendas e Apoio ao Cliente lideram a adoção, beneficiando de capacidades de personalização e segmentação preditiva. Ainda assim, a utilização mais abrangente da GenAI permanece residual. Este dado contrasta com as expectativas dos líderes do setor: mais de metade (53%) antecipa ganhos de eficiência entre 10% e 25% nas equipas de subscrição nos próximos três a cinco anos, impulsionados pela automação e pela análise avançada de dados.

A GenAI é vista como uma alavanca para ultrapassar limitações dos sistemas core e desbloquear inovação, mas o desafio passa agora por escalar estes casos de uso de forma transversal e sustentável.

Ecossistemas e modelos híbridos ganham espaço

No domínio da inovação, as seguradoras continuam a apostar sobretudo na melhoria da experiência digital e na eficiência operacional. Contudo, quase metade das organizações (42%) aponta limitações significativas nos sistemas de TI e 26% refere constrangimentos regulamentares como obstáculos ao lançamento de novos produtos.

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A integração em ecossistemas digitais, considerada estratégica para criar propostas de valor diferenciadas, apresenta níveis de maturidade distintos: cerca de 40% das seguradoras estão ainda numa fase exploratória, 41% participam de forma parcial e apenas 20% apresentam modelos consolidados, maioritariamente entre os maiores operadores.

Ao nível da distribuição, Portugal mantém-se como um mercado fortemente intermediado, mas observa-se uma evolução para modelos híbridos, que combinam proximidade humana com eficiência digital. Embora 70% das seguradoras priorizem canais diretos, cinco das analisadas já reportam uma integração avançada entre jornadas digitais e físicas.

O Observatório conclui que o futuro do setor dependerá da capacidade de conjugar eficiência operacional, modernização tecnológica e inovação centrada no cliente. As seguradoras que conseguirem acelerar a atualização dos seus sistemas, escalar soluções de IA e integrar-se eficazmente em ecossistemas digitais estarão mais bem posicionadas para liderar a próxima fase de crescimento do mercado.

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