“A bolha [política] não gosta de praia, mas de almoços e jantares”: Marcelo explica porque se rendeu ao “interclassismo” de Monte Gordo nas férias

O Chefe de Estado, que durante décadas frequentou a Quinta do Lago e jantava no famoso Gigi’s, abandonou há alguns anos as opções de luxo

Revista de Imprensa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, revela-se rendido a Monte Gordo, uma praia algarvia popular entre os portugueses e distante do glamour das praias de Vilamoura, Vale do Garrão ou Vale do Lobo.

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Em declarações ao Público, Marcelo explicou que Monte Gordo representa um “sonho para a minha velhice” e comparou a experiência ao que encontra em Cascais, onde “em cinco minutos estou na praia”.

O Chefe de Estado, que durante décadas frequentou a Quinta do Lago e jantava no famoso Gigi’s, abandonou há alguns anos as opções de luxo. Desde 2018, quando deixou de passar as férias de Verão com os netos na Quinta do Lago, Marcelo explorou diversas praias do Algarve. Começou por Alvor, passou a pandemia de COVID-19 a percorrer o Algarve de ponta a ponta e até experimentou Tavira. No entanto, a necessidade de viagens de barco para aceder à praia e ao hotel complicou o seu trabalho e compromissos, levando-o a optar por Monte Gordo.

Marcelo tem-se dedicado a frequentar um hotel de três estrelas, onde se hospeda durante todo o ano, incluindo o Inverno. Apreciando a água mais quente do Sotavento algarvio, o Presidente diverte-se com conversas espontâneas com outros veraneantes, predominantemente alentejanos. Entre os seus interlocutores, encontram-se pessoas de Celorico, a cidade natal da família de Marcelo, e até uma senhora de 90 anos que trabalhou com o seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa, na década de 1950.

“Faço rigorosamente vida de praia sem encontrar ninguém conhecido da política. O comum da bolha [política] não gosta de praia, mas de almoços e jantares”, explicou Marcelo, acrescentando que aproveita a oportunidade para realizar o que considera um dos seus desportos favoritos: sondagens informais com os veraneantes. Segundo o Presidente, essas sondagens não refletem as baixas taxas de popularidade que aparecem nas últimas pesquisas.

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O Presidente observa que as preocupações predominantes entre os cidadãos incluem o Orçamento do Estado, a estabilidade governamental, e questões como a saúde e a abertura do ano escolar. “As pessoas estão preocupadas com a saúde, a abertura do ano escolar, ainda estão traumatizadas com a inflação. E sabem que eu não mudei no essencial. Sou o mesmo, uma pessoa que gosta do mar e que tem um lado original e extrovertido”, disse Marcelo.

Durante a sua estadia, Marcelo é acompanhado por uma ajudante de campo e dois seguranças. Vai a pé para a praia com a sua mochila, já visitou a tradicional FATACIL (Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Indústria de Lagoa) e assistiu a um concerto do grupo musical Os Quatro e Meia. Além disso, mantém a tradição do jantar anual em Lagos com o ex-diretor-adjunto do Expresso, José António Lima, Luís Marques Mendes e a família de Jorge Sampaio.

Marcelo Rebelo de Sousa regressará a Lisboa na quarta-feira, onde tem os primeiros compromissos agendados: a Feira do Livro do Porto e uma receção aos atletas paralímpicos.

Assim como os seus predecessores, Marcelo sempre passou as férias de Verão em Portugal. Ao contrário do Primeiro-Ministro, os Presidentes da República devem informar a Assembleia da República quando se ausentam do país, mesmo para viagens privadas. Isso aconteceu poucas vezes com Marcelo: uma vez para uma peregrinação a Santiago de Compostela e outra para uma deslocação a Inglaterra este ano, para assistir à cerimónia de formatura do seu neto mais velho em Filosofia Política e Económica, curso semelhante ao do ex-primeiro-ministro britânico Rishi Sunak.

Marcelo terminará o seu segundo mandato em Belém em março de 2026, mas já sabe onde passará as suas próximas férias: Monte Gordo. Nessa altura, terá direito a duas pensões, uma como professor catedrático da Universidade de Lisboa e outra como ex-Presidente, que equivale a 80% do seu salário atual. Brincando com a situação, Marcelo antecipou que, em breve, poderá receber o título de “cuíca honorário”, um nome carinhoso dado aos habitantes de Monte Gordo.

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