“A Black Friday deste ano foi muito mais forte que a do ano passado”, diz CEO da Delnext

O setor do transporte nacional e internacional tem sofrido diversas flutuações nos últimos tempos, com a pandemia, a guerra e o aumento dos preços dos combustíveis a marcarem a volatilidade.

De picos de entregas a dificuldades em não repercutir os preços para os consumidores, a opinião é uma, este cenário tem “afetado brutalmente” as empresas. A Executive Digest falou com Diogo Assis, CEO da Delnext, que mostrou os resultados da recente Black Friday e apontou perspetivas para o futuro da empresa e do setor.

 

Como empresa prestadora de serviços de transporte nacional e internacional, de que forma a inflação, o aumento dos preços dos combustíveis e o cenário geopolítico atual estão a afetar a atividade da empresa?

Tem afetado brutalmente! Apesar de querermos ter uma abordagem cada vez mais green (através do nosso programa Delnext Green), grande parte da nossa frota continua a ser sustentada por combustíveis fosseis e este constante aumento de preços tem dificultado a rentabilidade da nossa organização e distribuidores, pois temos tentado evitar passar esses custos para os nossos clientes. Gostávamos muito que fossem tomadas medidas mais concretas em relação a este tema por parte dos nossos decisores políticos.

 

Quais as principais dificuldades que estão a enfrentar neste pós-pandemia?

Sempre que entrávamos em lockdown o volume subia drasticamente e quando terminava o lockdown, voltava a baixar na mesma proporção. O principal desafio foi a necessidade de nos adaptarmos rapidamente a estes sucessivos aumentos e baixas de volume, sobretudo a nível de recursos humanos.

 

Quais as bases para o aumento nos resultados trimestrais?

A Delnext tem investido cada vez mais na qualidade do serviço de distribuição de encomendas, com o objetivo de garantir a satisfação de todos os clientes que confiam em nós. O objetivo tem sido centrar mais a nossa atividade em clientes que fazem fit com a nossa estrutura. Queremos tornar-nos uma referência na distribuição de encomendas B2C, e temos sido bem-sucedidos, porque cada vez mais clientes reconhecem que a nossa marca pode aportar valor para os seus negócios.

 

Os resultados da Black Friday corresponderam às expetativas?

A Black Friday deste ano foi muito mais forte que a do ano passado. Ainda não temos dados fechados, porque só com o final da Cyber Monday é que podemos tirar conclusões finais, mas este ano iremos pelo menos duplicar o número de entregas de encomendas, comparativamente ao ano passado.

 

Após a pandemia, de que forma está a evoluir o e-commerce?

A pandemia fez disparar o e-commerce, que por sua vez veio contribuir para um grande aumento do volume nas empresas de distribuição de encomendas, como a Delnext. Com o fim dos sucessivos lockdowns (a partir do verão de 2021), o volume de encomendas desceu muito significativamente, mas desde março de 2022 tem vindo a recuperar, e neste momento encontra-se estável. Logicamente nesta altura do ano (com a black friday e aproximação do Natal), o volume sobe naturalmente.

 

Quais as previsões para o negócio e para o vosso setor para o ano de 2023?

A Delnext, desde que foi fundada em 2015, tem tido crescimentos sustentados no seu volume de negócios na ordem dos 40%, sendo que este ano apontamos para uma faturação de 4 milhões de euros. No próximo ano temos a ambição de voltar a ter um crescimento muito forte.

Vai ser um desafio, porque as previsões para o setor não são as mais animadoras. Já vi várias trends e previsões com perspetivas diferentes (umas que apontam para um aumento continuo do volume e outras para um abrandamento), mas acredito que de forma geral, 2023 não será um ano de elevado crescimento para o setor. Mas isso não vai mudar a nossa ambição de querer continuar a crescer.

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