O mercado imobiliário tem assistido a um crescimento vertiginoso, fruto dos tempos mas também das tecnologias, estas últimas que vêm revolucionar a forma como se compra e vende imóveis na atualidade.
Um bom exemplo desta revolução nesta área de atividade é o surgimento das proptech, empresas que atuam no mercado imobiliário e que alima a tecnologia às competências e experiência. O termo vem do conceito property technology e representa o modelo de negócio do setor imobiliário assente na tecnologia e ferramentas digitais que permitem otimizar todos os seus processos.
A Executive Digest falou com Miguel Mascarenhas, co-fundador da Imovendo, para conhecer o conceito de proptech, quais as tendências e quais os desafios para o mercado imobiliário em 2023.
Como pode ser a tecnologia utilizada para revolucionar o mercado imobiliário? Quais as principais vantagens?
A introdução e o uso de ferramentas tecnológicas no mercado imobiliário é, por si só, uma revolução, já que falamos de um mercado com métodos de trabalho datados, modelos de negócio ultrapassados e cujos procedimentos são os mesmos há décadas.
Na imovendo, criámos a tecnologia e as ferramentas que permitem, entre outras vantagens:
- Fazer a divulgação integrada do imóvel nos portais nacionais e internacionais, criando anúncios apelativos que aumentam o alcance e o número de visualizações;
- Fazer a gestão e avaliação de contactos dos potenciais compradores e analisar as suas propostas;
- Assegurar transparência em todo o processo de venda, desde recolha de documentação e negociação, até à escritura;
- Disponibilizar ao proprietário recursos de monitorização do desempenho do seu imóvel, 24 horas por dia, no telemóvel ou computador;
- ter uma equipa de especialistas imobiliários que, ao contrário dos agentes tradicionais, trabalham em equipa para garantir o sucesso na venda.
São estas algumas das ferramentas que podem revolucionar o mercado imobiliário, com vantagens para todas as partes envolvidas no processo.
Por sermos uma proptech, conseguimos fazer a angariação dos imóveis e a sua promoção, agendar visitas, trabalhar com advogados e tratar de toda a parte processual da venda de forma digital, e deixamos as visitas de potenciais compradores do lado dos proprietários.
Isto permite-nos reduzir os nossos custos, mas e também garantir que os proprietários terão maior rentabilidade na venda.
De que forma o surgimento das proptechs tem revolucionado o mercado imobiliário português?
O mercado ainda é muito reduzido, em parte por desconhecimento público de alternativas como a imovendo e, por outro lado, pela abundância de agências imobiliárias tradicionais no mercado.
A adoção de ferramentas digitais no setor imobiliário revolucionou metodologias, procedimentos e operações, criando sistemas no processamento de informação, permitindo oferecer uma experiência de navegação mais personalizada e satisfatória, e dando a conhecer melhor o mercado.
Estas novas ferramentas facilitam a tomada de decisões estratégicas para o negócio e potenciam transações mais transparentes, rápidas e que permitem a poupança de milhares de euros aos proprietários.
A título de exemplo, só em 2022, a imovendo permitiu a poupança de mais de 2 milhões de euros em comissões imobiliárias a proprietários que recorreram ao mercado imobiliário português.
Quais as principais dificuldades que o setor encontra e como podem colmatá-las?
O processo de venda de uma casa não acontece com muita frequência, logo existe uma menor curiosidade ou empenho na procura de alternativas. Assim, o modelo tradicional é, ainda, o mais conhecido daqueles que procuram vender um imóvel.
Todavia, no setor, mais propriamente na venda de imóveis, perduram dificuldades como os processos burocráticos excessivos e complexos – que exigem total dedicação dos proprietários, que se aliam a comissões imobiliárias excessivas.
Enquanto proptech, a imovendo colmata estas dificuldades aliando a tecnologia ao mercado e permitindo vender casa de forma autónoma, mas com todo o conhecimento e vantagens, apoio e acompanhamento que uma agência tradicional acarreta e, acima de tudo, com um custo muito inferior e justo e contribuindo para o desenvolvimento do setor.
Portugal tem atraído cada vez mais investimento imobiliário estrangeiro. O que faz com que as proptech possam estar à frente nesta corrida?
O processo de venda de uma casa a um comprador ou empresa estrangeira é uma realidade crescente em Portugal e, tendo como objetivo o sucesso do negócio, é inevitável trabalhar com uma proptech.
Conceitos como a imovendo já são conhecidos em muitos mercados estrangeiros e os compradores preferem procurar casa neste tipo de imobiliárias, porque existe um reconhecimento de que o valor das comissões e, consequentemente, do imóvel são mais baixos.
Para além das vantagens processuais e a agilidade da relação comprador-vendedor, existe um ponto fulcral que coloca as proptech na dianteira da corrida no que toca a compradores de fora: tecnologia que permite ao comprador fazer uma visita virtual, consultar valências, aceder a multimédia ou tirar dúvidas (em várias línguas) sobre um imóvel de interesse através do seu telemóvel.
Estas vantagens tornam o processo transparente, encurtam distâncias e criam uma experiência de negócio confortável, comparável à experiência de um comprador residente.
Quais as principais tendências e desafios para as proptech em 2023?
Um dos grandes desafios para 2023 será resistir à conjuntura económica que vem crescendo e pressionando o mercado imobiliário e toda a economia.
Mas, tal como o mercado imobiliário se transforma consoante a conjuntura económica envolvente, também as proptech possuem a agilidade de adaptação e mudança de foco se necessário, permitindo poupanças essenciais de milhares de euros e contribuindo para o desenvolvimento económico do país.
Além disso, as proptechs crescem a par com a digitalização de muitos elementos no mercado imobiliário, como o interesse por casas inteligentes ou a utilização da internet das coisas para otimizar processos.
A tendência é crescer no mercado digital, numa fase em que já é possível fazer quase tudo através de um dispositivo com internet.
Acredita que as proptech são o futuro do setor imobiliário?
Acredito que as propetch são o futuro e tenho a certeza de que são já o presente. A tendência crescente do uso de tecnologia em todos os setores de atividade, coloca as empresas que apostam nestas valências na dianteira comercial.
Sendo o mercado imobiliário um dos mercados mais dinâmicos por defeito, sentimos que as empresas de mediação imobiliária tradicional serão rapidamente ultrapassadas. A forma de trabalhar obsoleta face à criatividade de uma propetch só se mantém viável através das comissões astronómicas que praticam e espremendo a cota de mercado que ainda conseguem segurar.
Assim, ao colocar o proprietário no centro do processo, as proptech contribuem para a “saúde” do mercado imobiliário, as comissões justas mitigam a lógica de preferência na venda de uma casa em detrimento de outra e a tecnologia usada facilita um processo tido como demasiado burocrático, atraindo vendedores e compradores.
Por fim, acreditamos haver cota de mercado para pessoas que preferem uma imobiliária tradicional, mas também sabemos que existem pessoas que preferem uma experiência tecnológica e poupar milhares em comissões e que agora não se sentem representadas: a imovendo compromete-se a criar essa experiência e dar voz aos proprietários.














