O anúncio da aquisição do Novo Banco pelo Groupe BPCE, o segundo maior grupo bancário de França, por 6,4 mil milhões de euros está a provocar fortes reações no mercado financeiro, especialmente no segmento das obrigações da instituição portuguesa.
Imediatamente após a confirmação da venda, as obrigações subordinadas e seniores do Novo Banco registaram uma valorização significativa, refletindo uma perceção de menor risco de crédito e maior confiança dos investidores na estabilidade futura do banco, de acordo com a análise da XTB.
Uma das respostas mais evidentes no mercado foi a redução do spread das obrigações subordinadas Tier 2 (T2) emitidas pelo Novo Banco. O spread da emissão com cupão de 9,875% e valor de 500 milhões de euros caiu 15 pontos base, situando-se atualmente em cerca de 52 bps face às obrigações equivalentes do BPCE. Este ajuste resulta de um aperto nos spreads do Novo Banco aliado a um ligeiro alargamento das obrigações do BPCE, sinalizando uma aproximação dos valores na expectativa da conclusão da transação.
Este movimento foi também impulsionado pela recente subida do rating das obrigações T2 do Novo Banco pela agência Moody’s para Baa3, conferindo-lhes o estatuto de “investment grade”. A integração no grupo BPCE, que apresenta ratings superiores (Baa2, BBB, BBB+), poderá ainda fomentar futuras melhorias na avaliação de risco de crédito do banco português.
Nos últimos anos, o Novo Banco tem vindo a demonstrar uma recuperação sustentada, marcada pelo primeiro lucro registado em 2021 e manutenção da rentabilidade até 2024. O banco evoluiu de prejuízos de 1,3 mil milhões de euros em 2020 para lucros estimados de 745 milhões em 2024. Além disso, apresenta um rácio CET1 de 16% no primeiro trimestre de 2025, acima da média do setor, e um buffer MDA de 5,9%, indicando uma posição financeira robusta.
No mercado doméstico, o Novo Banco mantém uma posição sólida, detendo 14% da quota de crédito a empresas, 6% no crédito pessoal e 9% nos depósitos, o que reforça a confiança dos investidores na instituição.
A venda ao BPCE não só altera o controlo acionista, mas também fortalece a credibilidade financeira do Novo Banco, prevendo-se que até 2026 os spreads da dívida portuguesa alinhem-se com os do grupo francês, beneficiando tanto os atuais como futuros investidores.
Por sua vez, o BPCE tem demonstrado um crescimento estável, com aumento de 10% no volume de negócios e 7% no lucro antes de impostos em termos anuais, apesar de um resultado líquido inferior ao ano anterior devido a uma taxa governamental adicional. As métricas de liquidez do grupo continuam sólidas, o que sugere que a integração do Novo Banco constituirá uma mais-valia para o crescimento sustentável do BPCE.














