93% dos portugueses dizem que a mobilidade está mais cara. Mesmo assim, o carro continua a reinar

Os custos da mobilidade continuam a aumentar e estão a obrigar os portugueses a alterar a forma como se deslocam

Automonitor

Os custos da mobilidade continuam a aumentar e estão a obrigar os portugueses a alterar a forma como se deslocam. Em comunicado, a ConsumerChoice revela que 93% dos inquiridos consideram que a mobilidade ficou mais cara nos últimos dois anos, enquanto 77% afirma já ter mudado os seus hábitos de deslocação.

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Segundo o estudo da ConsumerChoice sobre Mobilidade e Transportes, o automóvel continua a ser o principal meio de transporte em Portugal, sendo utilizado diariamente por 68% dos participantes. Os transportes públicos surgem bastante atrás, com apenas 16% dos inquiridos a dizer que são o seu principal meio de deslocação.

De acordo com a análise, os combustíveis continuam a representar o maior peso no orçamento das famílias, sendo apontados por 81% dos participantes como a principal despesa relacionada com a mobilidade. Seguem-se os seguros automóveis (48%) e os custos de manutenção dos veículos (43%).

Em resposta ao aumento das despesas, 47% dos portugueses diz ter reduzido a utilização do automóvel, 34% afirma fazer menos viagens não essenciais e 31% passou a recorrer mais aos transportes públicos ou às deslocações a pé.

O estudo revela ainda uma crescente preocupação com a sustentabilidade. Em comunicado, a ConsumerChoice refere que 73% dos inquiridos admite que os fatores ambientais influenciam, pelo menos ocasionalmente, as suas decisões de mobilidade, enquanto 80% considera que os portugueses estão a adotar comportamentos cada vez mais sustentáveis nesta área.

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A mobilidade elétrica continua igualmente a ganhar terreno. Apesar de apenas 25% dos participantes possuir atualmente um veículo eletrificado, 65% afirma ponderar comprar um automóvel elétrico nos próximos anos.

Segundo a ConsumerChoice, os principais argumentos a favor destes veículos são o menor impacto ambiental (68%) e a redução dos custos de utilização (64%). No entanto, o preço de compra continua a ser o maior entrave, referido por 70% dos inquiridos, seguido das dúvidas sobre a durabilidade das baterias (36%) e do tempo de carregamento (35%).

Quanto à infraestrutura de carregamento, apenas 15% considera que Portugal dispõe atualmente de uma rede adequada, enquanto 55% entende que esta responde apenas parcialmente às necessidades dos utilizadores.

O estudo indica também que os modelos alternativos de utilização automóvel começam a ganhar espaço. Embora a compra tradicional continue a ser a opção predominante (62%), o renting (7%) e o leasing (5%) registam uma procura crescente, refletindo, segundo a ConsumerChoice, uma maior valorização da previsibilidade dos custos.

Nos transportes públicos, os atrasos (57%), a lotação excessiva (41%) e a frequência insuficiente (41%) continuam a ser os principais fatores que afastam os utilizadores. Além disso, 95% dos inquiridos considera existirem fortes desigualdades entre a oferta disponível nas grandes cidades e a existente no interior do país.

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Essa diferença reflete-se na dependência do automóvel. Enquanto 22% dos residentes em áreas urbanas acredita que não conseguiria manter o seu estilo de vida sem carro próprio, essa percentagem sobe para 55% entre os habitantes de zonas rurais ou de baixa densidade populacional.

Quando questionados sobre o que poderia incentivar uma maior utilização dos transportes públicos, os portugueses apontam sobretudo preços mais competitivos (49%), maior frequência dos serviços (48%), mais pontualidade (39%) e uma melhor cobertura geográfica (37%).

Apesar dos desafios, a perspetiva para o futuro é positiva. Em comunicado, a ConsumerChoice afirma que 69% dos participantes acredita que a mobilidade em Portugal será melhor na próxima década, impulsionada sobretudo pela eletrificação dos veículos (77%), pelos transportes públicos inteligentes (38%), pela condução autónoma (25%) e pela micromobilidade, como bicicletas e trotinetes (25%).

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