Um estudo divulgado pela Católica-Lisbon revela que 77% das grandes empresas e cerca de 68% das pequenas e médias empresas (PME) em Portugal já utilizam os ODS como suporte direto às decisões estratégicas.
O quarto relatório do Observatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas empresas portuguesas, desenvolvido pelo Center for Responsible Business & Leadership da Católica-Lisbon, em parceria com o Banco BPI e a Fundação “la Caixa”, será apresentado a 20 de março e assinala o encerramento do primeiro ciclo de trabalho do observatório, iniciado em 2022.
Atualmente, o projeto acompanha 61 grandes empresas e mais de 130 PME, avaliando a forma como integram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nas suas estratégias. A iniciativa foi distinguida pelas Nações Unidas como uma das 25 melhores práticas mundiais desenvolvidas por instituições académicas, sendo o único projeto português presente nessa lista.
Segundo os dados do relatório relativo ao quarto ano, 76,8% das grandes empresas e 67,8% das PME afirmam que os ODS que consideram prioritários já influenciam diretamente as decisões de gestão. A análise conclui também que a sustentabilidade é cada vez mais associada ao desempenho empresarial: 96,4% das grandes empresas e 82,6% das PME consideram que as práticas sustentáveis aumentam significativamente a competitividade no mercado.
Além disso, 80,3% das grandes empresas e 61,9% das PME admitem que a sustentabilidade já alterou – ou está a alterar – a forma como operam e criam valor, enquanto 69% das empresas dizem ter os ODS totalmente ou bastante integrados na sua estratégia corporativa. Entre as grandes empresas, essa integração é quase unânime, com 98% a considerarem fundamental este alinhamento.
Apesar da evolução, o relatório alerta para os desafios globais associados à Agenda 2030, que estrutura os 17 ODS. De acordo com dados internacionais, apenas 17% das metas globais estão atualmente numa trajetória favorável, e nenhum dos objetivos está plenamente no caminho para ser alcançado até 2030.
A edição deste ano inclui ainda dois estudos adicionais. Um deles analisa o papel do setor bancário e financeiro na implementação da Agenda 2030, destacando a sua influência através do financiamento, da gestão de risco e da orientação do capital. Dados da United Nations Environment Programme Finance Initiative indicam que bancos signatários dos Princípios para a Banca Responsável apresentam, em média, um custo de capital cerca de 1% inferior face aos que não aderiram a estes princípios. O segundo estudo avalia a incorporação dos ODS nas estratégias empresariais e nos relatórios de sustentabilidade, no contexto das novas regras europeias de reporte.
Com o encerramento do ciclo 2022-2025, o observatório anuncia também o lançamento de um segundo ciclo de trabalho para o período 2026-2029, que terá como prioridade apoiar as empresas na concretização das metas até 2030 e iniciar a reflexão estratégica sobre uma agenda de desenvolvimento sustentável para 2050.
“Este primeiro ciclo permitiu-nos passar da intenção à ação. Os dados provam que os ODS são agora uma linguagem comum que articula lucro e impacto positivo”, afirma Filipa Pires de Almeida, diretora executiva do Center for Responsible Business & Leadership.
Também Filipe Santos, dean da Católica-Lisbon, sublinha que, “num mundo cada vez mais desafiante, onde a atenção se foca em crises de curto prazo, a Agenda 2030 tem funcionado como um guia para estratégias empresariais de longo prazo”.








