O concelho escolhido para comprar casa em Portugal pode representar uma diferença de cerca de 600 mil euros no preço médio anunciado dos imóveis. Em agosto, Faro liderava entre os concelhos analisados, com 666.125 euros, enquanto no Sátão o valor ficava pelos 66.150 euros — praticamente dez vezes menos.
Os números constam do Barómetro dos Concelhos do Imovirtual, referente a agosto de 2026, e mostram também fortes diferenças no mercado de arrendamento. Neste caso, Oeiras surge no topo, com uma renda média anunciada de 1.750 euros mensais, quase três vezes os 600 euros registados em Penafiel.
Algarve coloca cinco concelhos entre os 10 mais caros
O Algarve assume particular destaque no mercado de venda. Além de Faro, que ocupa a primeira posição, Lagos apresenta um preço médio de 635 mil euros, Lagoa de 592.500 euros, Aljezur de 585 mil e Olhão de 570 mil euros.
Significa que cinco dos dez concelhos com os preços médios anunciados mais elevados entre os analisados pelo Imovirtual estão no Algarve.
Logo atrás de Faro aparecem Óbidos e Mafra, ambos nos 665 mil euros. Seguem-se Funchal, com 650 mil euros, e Alcochete, com 648 mil.
As diferenças não se limitam aos valores absolutos. São Vicente, na Madeira, registou a maior subida anual entre os dez concelhos mais caros, segundo o Imovirtual: 75%, dos 340 mil euros em agosto de 2025 para 595 mil um ano depois.
Olhão subiu 37,8%, Lagoa 15%, Faro 13,1% e Mafra 10,8%.
“Quando analisamos o mercado ao nível dos concelhos, percebemos até que ponto a localização continua a ser determinante no preço da habitação”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Segundo a responsável, as diferenças mostram que falar de um único mercado imobiliário português “pode esconder realidades muito diferentes”.
Sátão fica no extremo oposto
Na outra ponta da tabela está o Sátão, onde o preço médio anunciado dos imóveis ficou nos 66.150 euros em agosto.
Seguem-se Idanha-a-Nova, com 69.900 euros, e Proença-a-Nova, com 70 mil euros.
Também aqui existem grandes oscilações face ao ano anterior. O Sátão registou uma descida de 44,9% e Idanha-a-Nova de 12,6%. Em sentido contrário, Oleiros apresentou uma subida de 50,7%, levando o preço médio aos 75.250 euros.
São variações que devem ser interpretadas tendo em conta a dimensão e composição da oferta disponível em cada concelho no período analisado.
Oeiras ultrapassa Lisboa nas rendas
No arrendamento, é Oeiras que apresenta o valor mais elevado entre os concelhos analisados: 1.750 euros por mês.
Loulé surge imediatamente depois, com 1.710 euros, enquanto Lisboa ocupa a terceira posição, com uma renda média anunciada de 1.700 euros.
Seguem-se Faro e Funchal, ambos nos 1.600 euros, Lagos, com 1.531 euros, Câmara de Lobos e Odivelas, com 1.500, Lagoa, com 1.475, e Tavira, com 1.467 euros mensais.
Lagoa registou a maior subida anual deste grupo, 43,9%, enquanto Tavira avançou 33,4%, Lagos 13,4% e Câmara de Lobos 11,1%.
Em sentido contrário, Lisboa registou uma descida de 2,9% e Loulé de 14,5%. O valor médio anunciado em Oeiras manteve-se inalterado face a agosto de 2025.
De 600 a 1.750 euros por mês
No extremo mais acessível do arrendamento encontra-se Penafiel, com um valor médio de 600 euros mensais, segundo o barómetro.
Seguem-se Felgueiras, com 700 euros, Santo Tirso, com 825, e Paredes, com 850 euros.
A distância entre os dois extremos volta assim a ser significativa: os 1.750 euros pedidos, em média, em Oeiras correspondem a quase três vezes os 600 euros registados em Penafiel.
Também a evolução é muito diferente. Penafiel registou uma queda anual de 23,1%, enquanto Amarante apresentou uma subida de 46,2% e Vila Real de Santo António avançou 20%.
Os dados levam o Imovirtual a salientar que a localização continua a produzir realidades muito distintas dentro do mercado residencial português: na compra, os extremos dos concelhos analisados estão separados por praticamente 600 mil euros; no arrendamento, por 1.150 euros todos os meses.



















