62% dos portugueses tem opiniões racistas. Os mais velhos são os mais preconceituosos

Um inquérito europeu mostra que 62% dos portugueses manifesta racismo, ou seja tem opiniões ou acredita em máximas racistas.

Revista de Imprensa

Um inquérito europeu mostra que 62% dos portugueses manifesta racismo, ou seja tem opiniões ou acredita em máximas racistas. O European Social Survey (ESS), cuja edição mais recente é de 2018/2019, parte de um conjunto de perguntas para perceber com que ideias concordam os cidadãos europeus: há grupos étnicos ou raciais por natureza mais inteligentes? Há grupos étnicos ou raciais por natureza mais trabalhadores? Há culturas, por natureza, mais civilizadas que outras´? As primeiras duas medem o racismo biológico, ao passo que a última oferece indicadores sobre o chamado racismo cultural.

De acordo com o jornal Público, 62% dos inquiridos portugueses concordou com pelo menos uma destas ideia. Verifica-se ainda que um em cada três portugueses (32%) concorda com todas as crenças em racismo biológico e cultural.

Há ainda quem discorde de todas estas ideias, mas fica-se apenas pelos 11%. Os números revelam, por isso, que há três vezes mais pessoas a manifestar racismo do que a rejeitar o mesmo. Segundo a mesma publicação, o inquérito foi realizado em Portugal com base numa amostra aleatória de 1.055 pessoas representativa da população.

Analisando pergunta a pergunta, nota-se que 59% dos portugueses discorda da ideia de que há grupos étnicos ou raciais mais inteligentes. Por outro lado, 33,1% discorda da crença de que há grupos étnicos ou raciais por natureza mais trabalhadores. Os números descem ainda mais quanto à crença racista de que há culturas mais civilizadas do que outras: apenas 12,6% discorda.

O ESS aponta ainda para diferenças ao nível da faixa etária. Quanto mais velhos são os portugueses, maior é o número de pessoas que manifesta racismo: 70% dos que têm entre 15 e 35 anos discorda de que existam grupos étnicos ou raciais mais inteligentes, ao passo que somente 34% dos que têm mais de 70 anos não concorda com esta ideia. Além disso, 81% dos inquiridos com mais de 75 anos concorda que há grupos étnicos ou raciais por natureza mais trabalhadores.

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Os mais jovens, contudo, também mostram tendências racistas no que ao racismo cultural diz respeito. Se é verdade que entre as pessoas com mais de 75 anos, 94,3% acredita que há culturas mais civilizadas do que outras, também é veradade que 70% dos inquiridos entre os 15 e os 35 anos pensa o mesmo.

O mesmo estudo aponta ainda que maiores níveis de escolaridade ou de rendimento não apagam por completo o racismo, ainda que se note menos racismo entre estes cidadãos: 79,1% dos licenciados e 74,8% dos que vivem confortavelmente com o seu rendimento discordam que há grupos étnicos ou raciais por natureza mais inteligentes, o que compara com 41% dos que têm o ensino básico e 48,9% do que têm dificuldade em viver com o seu rendimento.

«Ao contrário do que se diz, as crenças racistas estão disseminadas na sociedade portuguesa», garante a socióloga Alice Ramos, coordenadora nacional do ESS em Portugal. segundo a mesma responsável, houve cerca de 10% a optar por “não concordo nem discordo”, que pode ser um «cantinho que as pessoas escolhem por não quererem revelar» crenças racistas.

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«Porque é feio ser racista, há uma norma de anti-racismo e apesar de tudo as pessoas não gostam de dizer que o são», esclarece Alice Ramos.

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