60% das espécies de peixes podem não sobreviver nas áreas atuais até 2100

Cerca de 60% das espécies de peixes conhecidas serão incapazes de sobreviver nas suas faixas atuais até 2100 se o aquecimento climático atingir o pior cenário de 4-5°C (7,2-9°F) acima das temperaturas pré-industriais, aponta o mais recente estudo publicado na revista Science’, citado pelo ‘The Guardian’.

Neste estudo, com quase 700 espécies de peixes de água doce e salgada, os investigadores examinaram como está o aquecimento da água a diminuir os níveis de oxigénio, colocando em risco embriões e peixes grávidas.

“Um aumento de 1,5°C já é um desafio para alguns, e se deixarmos o aquecimento global piorar, a situação agrava-se”, disse Hans-Otto Pörtner, climatologista que foi co-autor do estudo, recordando que o mundo já está mais que 1°C , quando comparado com as temperaturas registadas antes da industrialização. E está no caminho de atingir cerca os 3° C, num novo patamar da escalada.

No melhor cenário, no qual o clima aquece um total de 1,5° C, os autores consideram que apenas 10% das espécies analisadas estariam em risco nos próximos 80 anos. Esse cenário ainda coloca em risco peixes que também são económica e ecologicamente importantes, incluindo bacalhau do Atlântico, peixe-espada, salmão do Pacífico, escamudo do Alasca e bacalhau do Pacífico.

O também co-autor do estudo, Flemming Dahlke, não deixou de frisar que é um desafio avaliar o impacto de uma perda de 10% nas espécies porque uma única espécie pode ser crítica para o ecossistema em geral.

“Considere o Mar do Norte, onde esperamos ver até o final do século que a temperatura ficará muito alta para o bacalhau do Atlântico se reproduzir nessa área. Se essa espécie for expulsa do sistema, isso terá um grande impacto no próprio ecossistema e em todos os processos e interações com as espécies, porque é um predador importante”, exemplificou Dahlke.

O estudo considerou especificamente o quão vulnerável à temperatura são as diferentes espécies nos estágios iniciais da vida. À medida que as temperaturas aumentam, os peixes consomem mais energia e requerem mais oxigénio. Mas com o calor, há menos oxigénio disponível. Essas circunstâncias são particularmente difíceis para os embriões – que não conseguem regular bem os níveis de oxigénio – e para a criação de peixes, que precisam dele, em doses extra, para reproduzir.

Contudo, algumas espécies de peixes são mais adaptáveis. As espécies oceânicas podem mover-se para áreas mais frias, se estiverem disponíveis. Mas os peixes de água doce são limitados geograficamente pelo rio ou lago.

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