6 líderes que marcaram o mundo em 2019, segundo a Time

Quatro homens e duas mulheres. Dois nomes vindos do continente asiático, dois dos Estados Unidos da América, um da Nova Zelândia e outro da Europa.

Filipa Almeida

Quatro homens e duas mulheres. Dois nomes vindos do continente asiático, dois dos Estados Unidos da América, um da Nova Zelândia e outro da Europa. Todos eles ocupam cargos públicos. Em traços gerais, é esta a composição do top 6 da revista Time relativamente aos líderes que marcaram o mundo em 2019.

Xi Jinping, presidente da China, é o primeiro nome apontado pela publicação. Os últimos 12 meses têm sido marcados por perto de dois milhões de manifestantes nas ruas de Hong Kong, pela guerra comercial com os EUA – que levou a um abrandamento económico como não ser via há 30 anos no país – e pela detenção de mais de um milhão de muçulmanos na província de Xinjiang – cuja consequência foi uma crítica pública por parte das Nações Unidas.

No entanto, nenhum destes obstáculos abalou a liderança de Xi Jinping: na verdade, com recurso a propaganda e censura, o presidente conseguiu transformar a pressão externa em força interna. No leque de vitórias encontram-se o interesse de investidores como o príncipe da Arábia Saudita, a assinatura de acordos de 15 mil milhões de dólares (cerca de 13,5 mil milhões de euros) com França e, até, o arranque do Singles Day na companhia da cantora Taylor Swift.

Segue-se Donald Trump. O homem à frente da Casa Branca conseguiu aumentar o número de conquistas em 2019, preparando-se para as eleições presidenciais do próximo ano. Segundo a Times, conseguiu ficar com o crédito relativamente à aceleração da economia e à quebra do desemprego, além de reduzir os impostos das empresas e de aumentar o orçamento para as forças militares. Isto tudo apesar das polémicas relativamente à imigração e ao muro que quer construir na fronteira com o México, bem como às suspeitas de manipulação das eleições de 2016.

Agora, enfrenta um possível impeachment que, mesmo que não avance, fará parte da história de Donald Trump enquanto presidente do país. “Não existe pessoa de quem os condutores de táxi, pivôs de telejornal, cabeleireiros, líderes estrangeiros ou eleitores falem mais. E para Trump, isso poderá ser suficiente”, indica a Time.

Continue a ler após a publicidade

A lista continua com Nancy Pelosi, também dos Estados Unidos da América. A presidente da Câmara dos Representantes destacou-se este ano por contrariar Donald Trump e, ao mesmo tempo, por mostrar que sabe trabalhar com o líder. Recusou, por exemplo, a construção do muro no México, mas aprovou o financiamento para centros de detenção para imigrantes.

No passado dia 10 de Dezembro, anunciou o impeachement de Donald Trump. Uma hora mais tarde, deu a conhecer um acordo com base no plano do presidente para a actualização do North American Free Trade Agreement.

O nome que se segue é Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia. 2019 representou o início de um segundo mandato para o líder, apostado em colocar a religião no centro da discussão. Narendra Modi tem dado que falar por não ser fã da comunidade muçulmana no país (e que representa cerca de 14% da população). O partido que comanda exalta o nacionalismo hindu e a sua eleição com maioria absoluta faz com que os cidadãos muçulmanos comecem a questionar o seu lugar.

Continue a ler após a publicidade

Apenas três meses depois de ser reconduzido no cargo de primeiro-ministro, revogou a autonomia de Kashmir, o único estado indiano onde a fé muçulmana predomina. Impôs uma hora para os cidadãos regressarem a casa e colocou na prisão líderes políticas da região.

A seguir, na lista da Time, aparece Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia. Compaixão, tolerância e determinação são algumas das palavras utilizadas pela publicação para descrever a líder deste país, tendo por base o seu comportamento após o massacre que tirou a vida a 50 pessoas em duas mesquitas, em Março.

Este foi, aliás, um dos momentos que fizeram com que Jacinda Ardern surgisse no top 6. Juntam-se a proibição dos sacos de plástico descartáveis, a plantação de 140 milhões de árvores e a aprovação de uma lei que estabelece uma meta de zero emissões de gases até 2050. A Time sublinha ainda a extensão da licença parental, que a própria primeira-ministra aproveitou: afastou-se do trabalho durante seis semanas depois de ter sido mãe.

Por fim, Emmanuel Macron, o único nome com origem no continente europeu. Eleito presidente de França em Maio de 2017, aparece agora como uma espécie de líder auto-proposto para a União Europeia. A ascensão de Emmanuel Macron poderá ser justificada com anunciada reforma de Angela Merkel e com o caos instalado no Reino Unido devido ao Brexit, entre outros.

“O líder francês aproveitou todos os assuntos quentes transnacionais, como se fosse indispensável à sua solução: clima, comércio global, sanções ao Irão, problemas com a Rússia e rivalidade com a China”, explica a revista. Em casa, porém, o clima não tem sido o mais amigável, destacando-se as greves nacionais.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.