Foram 54 os nomes da centro-direita, das mais variadas áreas, que assinaram uma carta aberta na qual criticam a «deriva» e «amálgama» vivida atualmente na política europeia e americana, com o objetivo de se distanciarem das atitudes destes líderes.
«É preciso deixar bem claro que as direitas democráticas não têm terreno comum com os iliberalismos», pode ler-se no documento intitulado ‘A clareza que defendemos’, publicado esta terça-feira pelo ‘Público’ e no qual estas personalidades descartam qualquer associação às «forças da direita autoritária».
Os responsáveis sublinham na mesma carta que tanto a nível europeu como mundial, «esta amálgama faz o seu caminho entre forças da direita autoritária e partidos conservadores, liberais, moderados e reformistas», tendência que deve ser contrariada através de «uma tomada de posição».
«A democracia liberal precisa de soluções consistentes e exequíveis, não de discursos demagógicos, incendiários, revanchistas», defendem os subscritores que incluem nomes como Henrique Raposo, Ana Rita Bessa, Samuel Úria, Pedro Nexia, entre muitos outros.
Os especialistas distinguem o facto de «os movimentos nacional-populistas, xenófobos e autocráticos assumirem aquilo que são», de outro, que consideram «mais grave», que «é o espaço não-socialista deixar-se confundir com políticos e políticas que menosprezam as regras democráticas, estigmatizam etnias ou credos, acicatam divisionismos».
O documento refere ainda que «a aceitação desta amálgama ideológica por parte das direitas democráticas constitui uma afronta à sua história e o prenúncio de um colapso moral. Trump não é Lincoln, T. Roosevelt ou Reagan», pode ler-se.
«A ‘democracia iliberal’ húngara não é aceitável num Partido Popular Europeu de tradição democrata-cristã. O neo-franquismo não é herdeiro da direita espanhola da Transição e do pacto constitucional. O espaço do centro-direita e da direita portuguesa não é o do extremismo, seja esse extremismo convicto ou oportunista», defendem os autores.
A equipa conclui a carta, dizendo: «Não contestamos a legitimidade dos novos movimentos de direita, nem ignoramos as razões de descontentamento e exasperação dos seus apoiantes. Mas não se responde à deriva com a amálgama. É preciso deixar bem claro que as direitas democráticas não têm terreno comum com os iliberalismos. É essa clareza que defendemos».













