5 Tendências tecnológicas que vão liderar o ano 2018

Por Ramon Martin, CEO da Ricoh Portugal e Espanha

Chegou 2018 e estamos cada vez mais próximos do momento em que os millennials estarão em maioria nas empresas. Com a sua incorporação no mercado laboral, as empresas enfrentam o desafio de dar resposta às necessidades das diferentes gerações que vivem no seu meio.

A colaboração empresarial, que envolve ideias, criatividade e o talento dos colaboradores, passará a ser imprescindível no mercado laboral, como foram as ferramentas de produtividade pessoal nas décadas passadas e que hoje são tão diferentes. Também a tecnologia disponível (de forma conjunta com o ambiente laboral) é um dos primeiros aspectos a ter em conta e que terá mais impacto no sucesso dos processos de indução.

Segundo dados extraídos do estudo acerca dos postos de trabalho digital, realizado pela Ricoh, os colaboradores portugueses acreditam que um melhor acesso à tecnologia poderia fazê-los poupar 3,5 dias todos os meses.
Entre as tarefas que mais fazem perder tempo, destacam-se o correio electrónico (41%), as reuniões (37%) e as deslocações para o trabalho (29%). A tecnologia será uma das chaves para melhorar a experiência laboral do trabalho em equipa, do acesso remoto à informação e do trabalho à distância – é, sem dúvida, uma das novas fronteiras para a produtividade das organizações.

Com tudo isto, consideramos que as cinco tendências que mais se irão destacar em 2018 são:

Colaboração empresarial: a nova realidade laboral está a alterar a mentalidade das empresas, superando os modelos baseados em controlo de presença, premiando a produtividade e a criação de valor, fomentando o trabalho em equipa que impulsiona o desenvolvimento do talento e das ideias, tanto de equipas internas como de colaboradores externos. Os esforços estão a centrar-se em desenvolver as tecnologias e os espaços, adaptando-os às necessidades de colaboração presenciais ou à distância, com equipas fáceis de trabalhar e fiáveis que permitem desenvolver com sucesso os novos hábitos. Grande parte destas tecnologias e espaços já estão disponíveis, pelo que já só falta adaptá-los nas empresas e deixar que os novos modelos fluam por todos os membros integrantes da organização.

Inteligência Artificial: falamos de inteligência artificial (IA) há vários anos, mas este ano vai ser chave para ver a sua implantação, uma vez que o estado da computação actual já nos permite ser ágeis e implementar projectos de custo limitado com retorno rápido. O uso da IA reduz processos repetitivos, tempos de análise de informação e permite que os profissionais tomem decisões na base de uma maior quantidade de informação analisada. A quantidade de dados já não é relevante e, por isso, não é proporcional a quantidade de tempo despendido a analisá-los. O desafio, por exemplo, para um departamento de marketing é posicionar-se nos motores de pesquisa da própria IA, que serão os que, a pouco e pouco, irão ganhando importância frente aos motores de busca actuais.

Robótica (RPA): do mesmo modo que a IA, a robótica – que de certa forma parte totalmente dela – está a entrar numa segunda fase de expansão desde o seu surgimento. A procura de sistemas cognitivos que aprendam e ajudem a diminuir o tempo em processos repetidos está a dar os seus frutos, algo que, muito brevemente, veremos em forma de aplicações ou ferramentas. Os benefícios são cada vez mais claros: um aumento da produtividade e uma redução do tempo empregue em tarefas que não acrescentem valor. Por conseguinte, isto traduz-se numa melhor experiência do colaborador e num impulso à criatividade, o que do ponto de vista do cliente é um avanço exponencial. Departamentos de prestação de serviços (técnicos, jurídicos, RH…), banca, administração pública ou empresas de logística, são os grandes beneficiados desta tecnologia que cada vez mais vai ampliando as suas capacidades a sectores mais diversos.

Redes públicas de IOT: e já lá vão mais de 10 anos desde que a “Internet das Coisas” (IoT) começou a fazer parte das nossas vidas, uma alteração que vai chegar finalmente agora, uma vez que as redes públicas de IoT estão a começar a ser uma realidade. As redes que suportam as comunicações móveis actuais não estão desenhadas para as necessidades das IoT, uma vez que até agora qualquer implementação de serviços teria que vir acompanhada do uso de infra-estruturas privadas, o que complicaria o estado do negócio. Actualmente, graças às grandes operadoras do mercado espanhol, algumas redes públicas distintas já se encontram em fase piloto ou até mesmo comercial, mas com algumas restrições. O objectivo é oferecer uma cobertura “omnipresente” para aplicações IoT e conseguir, por fim, a incubação autêntica deste mercado. Automóveis, seguros e habitação são os sectores onde a penetração já foi possível até ao momento e as outras áreas, como a pessoal e a de saúde ou as smart cities, serão os que tirarão mais proveito no momento em que estas redes públicas estejam definitivamente activas.

Blockchain: Há um factor importante que não podemos evitar mencionar quando abordamos o tema das tendências, que é a desintermediação num ambiente que garanta segurança. A tecnologia Blockchain está ligada à segurança e à colaboração entre as mesmas partes, uma vez que está baseada em sistemas criptográficos que são seguros por si mesmos, pois são inalteráveis e como sistema de “cadeia de blocos”, permitem um armazenamento consistente e seguro. O Blockchain vai trazer muito brevemente a disrupção da economia. Sectores como o financeiro ou o legal, já levaram a cabo projectos baseados nesta tecnologia, mas outros como o caso dos seguros, médico, administração pública e também política, estão a começar a descobrir os benefícios e não irá demorar muito até vermos projectos reais em cima da mesa.

2018 vai ser um ano repleto de boas noticias, estamos seguros disso. As tecnologias emergentes vão dar lugar a formas de trabalho cada vez mais inteligentes e fiáveis, o que nos levará a desenvolver projectos de colaboração empresarial mais reais, efectivos e com menos barreiras. Estamos ansiosos de os ver com os nossos próprios olhos.

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