5 mil dólares por pessoa: redes de extorsão lucram com famílias desesperadas para deixar Gaza

A empresa Hala já era conhecida antes da guerra por gerir a travessia dos habitantes de Gaza para o lado egípcio. Num relatório da agência turca ‘Anadolu’, um trabalhador da Hala apontou que em 2019 as viagens custaram cerca de 600 dólares, um valor bem abaixo dos atuais

Francisco Laranjeira

As redes de extorsão em Gaza estão a abusar de famílias desesperadas que procuram fugir do conflito no enclave, denunciou o jornal espanhol ‘El Mundo’, que deu o exemplo do caso de Ahmed Alashi, que se tornou, aos 23 anos, um sem-abrigo, forçado a tomar decisões drásticas e rápidas que vão afetar toda a sua família.

O seu nome está entre as centenas de anúncios da plataforma de crowdfunding ‘GoFundMe’, onde as famílias desesperadas em Gaza tentam obter donativos de estranhos para pagar a sua fuga para o Egito. No caso de Alashi, utilizou a plataforma para arrecadar 100 mil dólares para sobreviver ao conflito e reconstruir a sua casa – no anúncio, detalhou os custos discriminados e descreveu os 11 membros da sua família que estão sob os seus cuidados e serão beneficiados pelas doações.

Mais tarde, editou o texto, para afirmar que iria utilizar o dinheiro para tentar entrar no Egito, visto que a ofensiva israelita continuava a avançar. “A decisão foi mentalmente muito desgastante porque decidimos com base nas mudanças de circunstâncias, se existe um cessar-fogo, se nos permitem regressar mais tarde”, explicou Ahmed Alashi.

“No início pensámos que a guerra terminaria dentro de algumas semanas e voltaríamos para reconstruir a nossa casa em Tel Al-Hawa [um bairro na cidade de Gaza]. Agora está claro para mim que é existencial”, descreveu.

Neste momento, Ahmed e a família refugiaram-se em Deri Al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, e não planeiam mudar-se até terem reunido o dinheiro suficiente – ao todo, já garantiram na plataforma online 25 mil euros. Se conseguirem o bolo total, tentarão cruzar para o Egito através de Rafah.

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Ahmed já contactos pessoas para garantir a travessia para ele e sua família. “É muito caro. Se for colocado em primeiro lugar na lista, pode-se sair. Disseram-me que cerca de 300 pessoas saem todos os dias com uma empresa chamada ‘Hala'”, apontou. “Quando comecei a obter informações, disseram-me que eram cerca de 1.200 dólares por pessoa: depois 4.000; depois 8.000 e agora 5.000”, acrescentou.

A empresa Hala já era conhecida antes da guerra por gerir a travessia dos habitantes de Gaza para o lado egípcio. Num relatório da agência turca ‘Anadolu’, um trabalhador da Hala apontou que em 2019 as viagens custaram cerca de 600 dólares, um valor bem abaixo dos atuais.

De acordo com a ‘Sky News’, a empresa ‘Hala’ poderá estar a ganhar um milhão de dólares por dia com este sistema de suborno. As travessias de habitantes de Gaza que pagam quantias exorbitantes para fugir de Gaza representam 56% das travessias, denunciou.

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“Sair é muito caro, mas a vida em Gaza agora também é muito cara. A minha mãe ainda está no norte de Gaza, pagou uma fortuna durante dois meses para poder comprar arroz para os meus irmãos”, explicou Hamza Almashharawi, que também iniciou uma campanha de crowdfunding para tirar a sua família de Gaza. “Chegou a um ponto em que só encontramos arroz e ração animal.

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