42 km, 475 metros de profundidade e um investimento de 10 mil milhões de euros: tudo sobre o megatúnel subaquático que vai ligar Espanha e Marrocos

Um dos projetos de infraestruturas mais ambiciosos das últimas décadas, a ligação fixa entre Espanha e Marrocos através do Estreito de Gibraltar, voltou a ganhar força.

Pedro Zagacho Gonçalves

Um dos projetos de infraestruturas mais ambiciosos das últimas décadas, a ligação fixa entre Espanha e Marrocos através do Estreito de Gibraltar, voltou a ganhar força. Após vários anos de estudos técnicos, a engenharia atual considera “factível” a construção de um túnel submarino com cerca de 42 quilómetros de extensão, ligando a Europa a África por via ferroviária.
A ideia, debatida há mais de quatro décadas, esteve sucessivamente em análise devido à sua elevada complexidade técnica e financeira. Agora, a entidade responsável pela avaliação da viabilidade técnica deu luz verde ao avanço da solução, considerando possível concretizar aquele que descreve como um “tremendo desafio”.

Ligação ferroviária entre Tarifa e Tânger
O projeto prevê a criação de uma ligação ferroviária com aproximadamente 42 quilómetros de comprimento, dos quais 27,7 quilómetros seriam escavados sob o mar. O traçado ligaria Punta Paloma, em Tarifa, no sul de Espanha, a Malabata, em Tânger, no norte de Marrocos.

A infraestrutura atingiria uma profundidade máxima de 475 metros, tornando-se uma das ligações submarinas mais profundas do mundo. O plano contempla a construção de três túneis paralelos: dois destinados à circulação de comboios e um terceiro reservado a serviços de emergência e manutenção.

A circulação de veículos ligeiros ou pesados está, para já, excluída. A travessia seria exclusivamente ferroviária, afastando a possibilidade de atravessar o Estreito de Gibraltar com um automóvel convencional.

Investimento entre 7.500 e 10 mil milhões de dólares
O custo estimado do megaprojeto situa-se entre 7.500 e 10.000 milhões de dólares, segundo a Sociedade Espanhola de Estudos para a Comunicação Fixa do Estreito de Gibraltar (SECEGSA), empresa pública que impulsionou a iniciativa e que confirmou a sua viabilidade técnica.

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A SECEGSA, que já esteve envolvida noutras grandes obras de engenharia, como os túneis da M-30 sob o rio Manzanares, em Madrid, sublinha que a construção representará “um desafio”, embora considere que os avanços na engenharia tornam hoje o projeto exequível.

Banco de Camarinal é o maior obstáculo técnico
Após meses de análises, os estudos identificaram o chamado Banco de Camarinal como o ponto mais complexo da obra. Trata-se de uma elevação submarina no Estreito de Gibraltar que separa o mar Mediterrâneo do oceano Atlântico.

A perfuração desta zona exigirá soluções técnicas altamente especializadas, bem como um esforço financeiro e logístico significativo. As entidades envolvidas já alertaram as instituições competentes para a magnitude do “desafio económico e logístico” associado a esta fase crítica da construção.

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Primeira fase poderá arrancar em 2027
Caso todos os procedimentos administrativos e financeiros avancem sem contratempos, a primeira fase do projeto poderá iniciar-se em 2027.

Se concretizado, o túnel ferroviário entre Espanha e Marrocos representará uma ligação estratégica inédita entre Europa e África, com impacto potencial no transporte de passageiros e mercadorias, reforçando as conexões económicas e logísticas entre os dois continentes.

Depois de mais de 40 anos em debate, o megatúnel submarino sob o Estreito de Gibraltar volta assim ao centro das prioridades infraestruturais, sustentado por pareceres técnicos que apontam para a sua viabilidade, apesar da dimensão e complexidade da obra.

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